You Are Here: Home » Artigos » Profetas Menores: grandes mensagens em pequenos textos

Profetas Menores: grandes mensagens em pequenos textos

EBD – Jovens – EDIÇÃO: 26– 3º Trimestre – Ano: 2021 – Editora: CPAD

LIÇÃO – 01– 04 de julho de 2021

TEXTO DO DIA

“Porque a profecia nunca foi produzida por vontade de homem algum, mas os homens santos de Deus falaram inspirados pelo Espírito Santo.” (II Pe 1.21)

AGENDA DE LEITURA

Segunda-feira – I Sm 3.1
A palavra do Senhor deve ser estimada

Terça-feira – Os 4.6
A falta de conhecimento conduz o povo à destruição

Quarta-feira – Mq 3.8,9
Movido pela força do Espírito o profeta anunciava o juízo

Quinta-feira – Pv 29.18
Sem profecia o povo se corrompe

Sexta-feira – Jr 2.1
A profecia era entregue de acordo com a Palavra do Senhor

Sábado – I Ts 5.20
Não podemos desprezar as profecias

SINTESE

Os profetas eram homens piedosos; em épocas de crise e corrupção generalizadas, eles foram o recurso emergencial de Deus para despertar o seu povo.

TEXTO BÍBLICO

II Pedro 1

19     E temos, mui firme, a palavra dos profetas, à qual bem fazeis em estar atentos, como a uma luz que alumia em lugar escuro, até que o dia esclareça, e a estrela da alva apareça em vosso coração.

20    Sabendo primeiramente isto: que nenhuma profecia da Escritura é de particular interpretação;

21     Porque a profecia nunca foi produzida por vontade de homem algum, mas os homens santos de Deus falaram inspirados pelo Espírito Santo.

INTRODUÇÃO

Grande parte da revelação bíblica do Antigo Testamento foi entregue ao povo de Deus em forma de profecia (Hb 1.1) e sem o dom profético, o povo se corrompia (Pv 29.18). Os profetas possuíam um papel vital na comunicação do plano divino para Israel. Em sua natureza, a profecia era vivaz e alarmante. Às vezes, era exemplificada por meio de atos simbólicos e a finalidade era despertar o povo.

Em uma época em que o cânon bíblico não estava completo e a revelação de Deus estava em pleno desenvolvimento histórico, os profetas representavam a voz de Deus na Terra (Mt 5.17,18). Foram os pregadores da justiça e profetizaram a respeito dos seguintes temas: Justiça social, o verdadeiro culto ao Senhor, a retribuição divina, a importância da família e muitos outros temas atuais e fundamentais para nossa edificação. Os profetas menores apresentaram grandes mensagens em pequenos textos.

I. O MINISTÉRIO PROFÉTICO NO ANTIGO TESTAMENTO

1. O ofício profético. No Antigo Testamento, a palavra hebraica mais empregada para “profeta” é na bi, cujo significado é “proferir, anunciar uma mensagem”. O profeta era um porta-voz, um embaixador de Deus entre os homens. Um contraste nítido entre o sacerdote e o profeta podia ser facilmente identificado: Enquanto o sacerdote era um representante do povo diante de Deus, o profeta representava Deus diante do povo, era identificado como “o homem de Deus” (Dt 33.1; I Rs 13.1; II Rs 4.9).

A voz dos profetas era a voz de Deus. Eles falavam em nome do Criador, geralmente por meio da célebre frase: “Assim diz o Senhor”. Deus havia condenado as práticas adivinhatórias cananitas (Dt 18.9-14), mas permitiu que os profetas fossem consultados (I Sm 9.9). Por quê? Não se tratava de uma consulta meramente movida por adivinhação futurística, mas de instrução prática para uma vida santa. Deus se preocupa conosco e deseja nos orientar para que vivamos segundo sua vontade, que é sempre boa, perfeita e agradável (Rm 12.2).

2. Quando surgia um profeta? O cenário da apostasia era um terreno fértil para o surgimento ministerial de um profeta. Em tempos de injustiça social, corrupção sacerdotal, impiedade da realeza e paganismo religioso, quando a decadência moral e espiritual prevalecia, Deus se manifestava entre o povo, vocacionando seus profetas. No Antigo Testamento é possível percebermos que a religião judaica se tornou demasiadamente ritualística (Mq 6.6-8). Os profetas denunciavam a hipocrisia e a religiosidade aparente.

Pregavam um arrependimento sincero, marcado por demonstrações autênticas de um profundo quebrantamento pessoal (Os 6.1; Jl 2.12,13; Zc 1.3,4). Eles eram o recurso emergencial de Deus. Precisamos ter a certeza em nossos corações que nas crises da vida jamais seremos abandonados por Deus. O nosso socorro vem dEle (Sl 121). Ele está constantemente trabalhando em favor do seu povo, até mesmo quando estamos dormindo, Deus está agindo (Sl 127.2).

3. A difícil missão do profeta. Como “um homem entre os homens” poderia carregar para si a responsabilidade de ser porta-voz de Deus? É por isso que os profetas relutavam diante desta chamada (Êx 3.11; Is 6.5-8; Jr 1.6). O encargo era demasiadamente pesado, entretanto, a glória da revelação atraía-os de tal modo que não conseguiam se esquivar deste ministério. Eles eram homens profundamente piedosos.

A devoção se permutava com a coragem na consecução do propósito de denunciar, exortar, condenar e consolar suas gerações. Deus, em sua Onisciência, escolhia os “valentes” certos para combater o bom combate (Am 7.14; Os 12.10; I Co 1.27). Os profetas do Antigo Testamento não se calavam diante das adversidades. Foram perseguidos e sofreram retaliações, mas continuaram defendendo a verdade de Deus. Não se impressionaram com o poder dos reis e nem se fascinaram com a riqueza dos homens.

II. QUEM ERAM OS PROFETAS

1. Chamados por Deus.Um ministério profético começava com a experiência da vocação divina (Am 7.14,15). Não existia “autocandidatura”, mas “candidatura do alto”. Era Deus quem levantava e escolhia seus profetas (Os 1.1; Jl 1.1; Jn 1.1). Enquanto o homem baseava-se na aparência para fazer suas escolhas, Deus se valia de questões interiores, não observáveis e não palpáveis (I Sm 16.7).

Os profetas foram chamados por Deus e inspirados pelo Espírito Santo para registrarem suas profecias (Zc 7.7; II Tm 3.16; II Pd 1.19-21). Esse ministério de caráter urgente fazia parte da atuação dinâmica de Deus entre o seu povo. Enquanto apenas alguns poderiam chegar à realeza e ao sacerdócio, todos poderiam profetizar independente da profissão, do gênero ou da idade, se fossem chamados por Deus.

O ministério profético era mais dinâmico que os demais. A impiedade de vida era o único fator excludente deste ministério. Há pessoas que desejam ser usadas por Deus, mas não conseguem abrir mão da impiedade. Para servir a Deus é preciso negar a si mesmo (Lc 9.23,24). A questão principal não é o quanto queremos ser usados, mas o quanto estamos dispostos a renunciar. Somente assim, seremos separados por Deus para uma função especial.

2. Os intérpretes da religião judaica. Embora não fossem regulamentados pela Lei, isto não quer dizer que os profetas fossem contrários à ela, o instrumento judaico normatizador.  Pelo contrário, é possível percebermos que a mensagem deles possuía um alinhamento profundo com a Torá (Os 14.1,2). Os profetas atuavam para resgatar os princípios da Aliança de Deus com seu povo, mandamentos que estavam sendo esquecidos e negligenciados no decurso da história (Sf 3.3,4; Zc 7.12). Eles conseguiam enxergar a essência da revelação divina.

Enquanto os homens facilmente se prendiam às regras, os profetas enxergavam o âmago dos princípios que sustentavam as leis. No Novo Testamento, Cristo agiu assim. Os profetas foram os intérpretes da religião judaica. Desenvolveram ideias teológicas com maturidade crescente e demonstraram percepções profundas pelo poder do Espírito de Deus.

3. Os profetas menores. São divididos em dois grandes grupos: Profetas pré-exílicos (Oseias, Joel, Amós, Obadias, Jonas, Miqueias, Naum, Habacuque e Sofonias) e profetas pós-exílicos (Ageu, Zacarias e Malaquias). Os profetas que viveram após a experiência do cativeiro babilônico entregaram suas profecias para Judá, pois o Reino do Norte já havia sido destruído pelos Assírios em 722 a.C. Os profetas pré-exílicos são subdivididos entre aqueles que profetizaram para Judá (Joel, Miqueias, Habacuque e Sofonias), para Israel (Amós e Oseias) e para outras nações (Jonas e Naum: Assíria; Obadias: Edom).

Os profetas menores profetizaram do oitavo ao quinto século antes de Cristo. Podemos dizer que eles eram homens piedosos e corajosos, com profunda visão espiritual e zelo religioso. Eles possuíam uma posição independente, sem qualquer tipo de relação com os poderes políticos e religiosos vigentes, em alguns momentos, entravam em rota de colisão com estes poderes instituídos, denunciando à corrupção, a hipocrisia, a injustiça e o descaso para com a Lei por parte dos reis e sacerdotes, bem como de toda a nação. Por causa dessa independência pessoal, falavam com liberdade e autoridade.

III. A MENSAGEM DOS PROFETAS MENORES

1. Eles suplementavam o ensino. Os sacerdotes e os levitas eram os responsáveis oficiais pela parte do ensino (Lv 10.11; Dt 33.10; Ez 22.26), todavia, essa função comumente era ignorada pelos seus representantes legais que estavam demasiadamente ocupados com as tarefas recorrentes e diárias da religiosidade judaica. É neste contexto que Deus levantou os profetas com o propósito de suplementar a instrução que tinha sido relaxada pelos sacerdotes. Enquanto o sacerdote era um professor habitual, os profetas agiam como “pregadores avivalistas”.

Eles não possuíam “postos” institucionais. Eram homens de Deus que atuavam paralelamente as lideranças legalizadas. Quando estas se mostravam mortas espiritualmente, surgiam os profetas, como verdadeiros defensores da justiça e da santidade. Às vezes, eram reprimidos pelos sacerdotes (Am 7.10-15), mas os profetas não se abalavam com as reprimendas, pelo contrário, continuavam resolutos em sua missão.

2. Denunciavam as injustiças e anunciavam o juízo. A profecia dos profetas menores foi o instrumento empregado por Deus para denunciar os absurdos sociais, as irregularidades do culto e dos tribunais da justiça (Mq 3.8). Questões religiosas e civis faziam parte da pauta destes profetas. Eles possuíam uma liberdade proporcionada pelo Espírito, visto que não estavam envolvidos com nenhum tipo de “esquema político ou religioso”. Por causa disto, falavam com autoridade. Os profetas denunciaram os magistrados civis e os líderes políticos que tinham pervertido o juízo (Mq 3.1-3), reprovaram a ostentação conseguida à custa da opressão (Am 2.6-8;3.15;4; Os 4.1,2,11-13;6.8), exortaram os líderes religiosos (Sf 3.4, Ml 1.6) e condenaram a prostituição, a soberba e a vaidade (Os 5.4,5,11).

Todas as grandes sanções disciplinares de Deus para o seu povo foram anunciadas previamente pelos profetas, e Deus concedia a oportunidade de arrependimento para a remoção do juízo. Foi isto que aconteceu, por exemplo, com Jonas. Ao profetizar o juízo para a Assíria, foi surpreendido com o arrependimento súbito e total dos ninivitas. Diante de tal compunção, o juízo anunciado foi removido. Porém, a geração seguinte se voltou para a idolatria e para a prática de crueldade, provocando assim, o retorno do juízo, que logo foi anunciado pelo profeta Naum. Desta vez, a tragédia não seria evitada.

3. Consolavam. Embora a mensagem dos profetas menores fosse repleta de juízo, ela também possuía consolo divino (Os 14.5-9; Jl 3.18-21; Am 9.11-15; Ob 1.17-21; Sf 3.19,20). A esperança era o forte sentimento que consolava a alma israelita. Levar o povo a obedecer respaldado pelo entendimento e não pressionado pelas ameaças era o maior desafio destes profetas. O consolo era parte integrante da profecia deles, afinal de contas, Deus estava sempre buscando o melhor para o seu povo (Os 2.21-23; Jl 2.22; Zc 8.12). Ainda que a realidade dura e cruel da vida não se encaixasse com as promessas de Deus, o profeta deveria levar o povo a contemplar o porvir e encontrar paz na alma diante deste entendimento.

As mensagens dos profetas ecoavam além da severidade, pois falavam também do amor eterno de Deus por seu povo. O juízo causava despertamento instantâneo, mas era a compreensão nítida do amor de Deus que garantia a manutenção deste despertamento. Paulo declarou que o amor de Deus nos constrange (II Co 5.14). O amor de Deus nos desafia a agirmos de modo diferente. Esse amor nos salva e nos transforma (Rm 5.8).

CONCLUSÃO

O profeta convivia com a convicção interna provocada pelo Espírito ao lado da coerção externa procedente da pressão pública. Em sua volta havia um contexto de resistência e reprovação, de modo que o simples ato de entregar uma profecia constituía uma demonstração de compromisso com Deus. Os profetas menores anunciaram a mensagem divina em tempos difíceis. Eles foram corajosos e fiéis a missão que receberam. Também devemos ser zelosos e fiéis em nosso compromisso com Deus.

Postado por: Pr. Ademilson Braga

Fonte: Editora CPAD

Compartilhe!

Deixar um comentário

© Seara de Cristo - Todos os direitos reservados.

Scroll to top