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O evangelho supera preconceitos

Texto: Atos 10.1-6,9-24,34-48

Por terem uma má interpretação da vontade de Deus ensinada no Antigo Testamento, os judeus crentes achavam que o evangelho visava apenas a sua nação. Seus preconceitos e sua teimosia foram grandes barreiras suplantadas pelo evangelho.

Visão judaica distorcida (vv.1,2)

Os judeus por não compreenderem o plano de Deus para com a humanidade sempre consideraram-se exclusivos de Jeová. De fato o Senhor chamou Abraão e prometeu-lhe: “E far-te-ei uma grande nação e abençoar-te-ei e engrandecerei o teu nome” (Gn 12.2), mas disse-lhe também: “em ti serão benditas todas as famílias da terra” (v.3). Isaías ao se referir ao servo sofredor, o Messias, nascido de Israel, declara que Ele seria dado “como testemunho aos povos”.  Até hoje há essa tendência ao exclusivismo, coisa que Jesus rejeitava.

Resistência preconceituosa

A Igreja, fundada após o Pentecostes, era composta quase exclusivamente de membro judeus. Alguns anos haviam se passado e, a despeito da instrução de Jesus (At 1.8), nenhuma tentativa tinha sido feita para a evangelização dos gentios. Eram gentios todos aqueles nascidos fora da comunidade de Israel e estranhos às alianças que o Senhor Deus estabelecera com o seu povo. Havia grandes dificuldades em se remover da mentalidade judaica alguns seculares preconceitos. Os gentios não eram circuncidados, comiam comida imunda, não guardavam o sábado e tinham outros costumes diferentes.

Um gentio na mira

Cornélio (v.1)

Era um oficial do exército romano. Comandava cem soldados, daí seu cargo centurião. Morava em Cesaréia, capital romana da Palestina, onde vivia o governador, distando de Jerusalém 80 quilômetros. Lucas o classifica como “piedoso e temente a Deus com toda sua casa, o qual fazia muitas esmolas ao povo e, de contínuo, orava a Deus” (v.2). Ele era um convertido ao Judaísmo sem, contudo, ter assumido todas as obrigações da Lei de Moisés. A vida de Cornélio é um exemplo de esforço e dedicação na busca de resultados para nossa vida.

Sua preocupação (v.2)

Era um homem humilde preocupado em agradar a Deus e em alcançar a sua salvação plena e a de sua família (At 11.14). Por isso mesmo orava a Deus segundo os valores judaicos (vv.2 e 30), mas algo que a sinagoga não lhe podia oferecer o inquietava.

A resposta recebida (vv.3-6)

Cornélio estava jejuando e orando, à hora nona, quando apresentou-se diante dele um anjo declarando que Deus havia contemplado suas orações e esmolas e que mandasse chamar a Pedro que estava em Jope e ele lhe falaria sobre o que fazer. Isto é uma evidência de que o trabalho evangelístico é tarefa dos crentes e não dos anjos. Cornélio não vacilou, seguiu a instrução do anjo.

Deus trata com Pedro

O Espírito Santo inspirou Pedro a fazer uma viagem evangelística na Judéia, quando alguns milagres aconteceram indo parar em Jope onde decidiu ficar muitos dias. Ali Pedro teria oportunidade especial de crescer mais, com a verdadeira compreensão do interesse de Deus em alcançar a humanidade com a salvação de Cristo.

Sua estada com o curtidor (9.43)

Ele já “trabalhava” a vida de Pedro no sentido de, tanto lembrar-lhe os ensinos de Jesus “a toda criatura”, “a todas as nações”, “até os confins da terra”, como no sentido do desapego à supervalorização dos costumes judaicos nos quais fora criado. A prova disso é o fato de ter se hospedado na casa de Simão, o curtidor. Isto já era uma quebra de paradigma resultante do entendimento do papel do evangelho em alcançar todas as gentes da terra. Mas Pedro precisava aprender mais.

Nova lição aprendida (v.11)

Os três enviados de Cornélio já estavam a caminho quando Pedro, na casa de Simão teve um “arrebatamento de sentido”.
Ele havia subido ao terraço para orar, enquanto lhe preparavam uma comida, naturalmente à moda mosaica. Viu descer do céu um grande vaso, em forma de lençol atado pelas quatro pontas, cheio de animais de diversas espécies. Uma voz lhe disse: “levanta-te Pedro, mata e come” (v.13). Pedro recebeu sinalização do céu que a antiga Aliança chegara ao fim. Ele relutou chamando aquilo de coisa imunda (v.14). O Senhor retrucou dizendo: “não faças tu comum ao que Deus purificou” (v.15). Pedro estava arraigado ainda em seus preconceitos. Foi necessário que aquela visão acontecesse por três vezes. Chegaram os mensageiros de Cornélio e o Espírito lhe mostrou que deveria atender o seu convite. Deveríamos ser mais sensíveis à vontade de Deus na consideração daquilo que é realmente necessário, desejável e indispensável em nossa vida.

A visita a Cornélio

Reconhecimento expresso

“Deus mostrou-me que a nenhum homem chame comum ou imundo” (v.28). Com a visão especial recebida da parte do Senhor Pedro jogou por terra seu exclusivismo religioso. Já na casa de Cornélio, após perguntar a razão do chamado e ouvir o relato de Cornélio, declarou: “Reconheço por verdade, que Deus não faz acepção de pessoas; mas que lhe é agradável aquele que, em qualquer nação, o teme e faz o que é justo” (10.34,35). O texto mostra que para Deus existe absoluta igualdade entre judeus e gentios. “Em Cristo não há judeu nem grego; não há servo ou livre; não há macho nem fêmea” (Gl 3.28a).

Sua pregação e efeito

Pedro falou sobre a unção de Jesus por Deus para o trabalho de cura e libertação dos oprimidos pelo Diabo. Tratou da morte de Cristo, sua ressurreição e de sua constituição como juiz dos vivos e dos mortos. Disse que “todos os que nEle crêem receberão o perdão dos pecados pelo seu nome” (v.43). Pedro ainda estava falando quando foram batizados no Espírito Santo. “Porque os ouviam falar em línguas e magnificavam a Deus” (v.46). Os irmãos a quem Pedro havia trazido com ele ficaram maravilhados de verem os gentios também recebendo o dom do Espírito Santo. Deus mostrou os apóstolos e aos outros irmãos que Ele não faz diferença entre as pessoas (15.9). Agora eles podiam até ser batizados nas águas (v.47) e foram (v.48). Cornélio foi o primeiro gentio a ser alcançado com a mensagem do evangelho salvador.

Reação imediata

Contra Pedro (vv.44-46)

“Os que eram da circuncisão” (11.2), reagiram imediatamente contra a ação acertada e obediente de Pedro. Com certeza aqui vemos um caso de tradição sendo confundida com a verdade. De forma alguma a Lei de Moisés obrigava o povo judeu a observar como regulamento “o não comer em companhia de gentios” ou o de “não entrar em suas casas”. Diante da notícia que deveria ser alvissareira, fizeram uma reunião de protesto contra Pedro (11.3).

Pedro se defende

Os crentes judeus não haviam se familiarizado com o princípio da fé, que determina que o relacionamento com Deus é através de Cristo e somente por Ele. Pedro começou sua defesa contando tudo, desde a visão na casa do Simão até quando, na pregação, os crentes foram batizados no Espírito Santo. E conclui: “Se Deus Ihes deu o mesmo dom que a nós… quem era, então, eu, para resistir a Deus?” (v.17).

Conclusão

Em Apocalipse 5.9b, Cristo foi achado digno de abrir os selos do livro, por ter comprado com seu sangue “homens de toda tribo, e língua, e povo, e nação”. Para Deus não há nacionalidade, raça, cor, sexo, status social, etc. Ele quer salvar a todos. Os que tratam as pessoas pela aparência e discriminam, cometem pecado e são condenados pela lei como transgressores (Tg 2.9). Que o Senhor nos guarde.

 

Postado por: Pb. Ademilson Braga

 

 

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