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Naum: Até onde vai a paciência de Deus

EBD – Jovens – EDIÇÃO: 33– 3º Trimestre – Ano: 2021 – Editora: CPAD

LIÇÃO – 08 – 22 de agosto de 2021

TEXTO DO DIA

O SENHOR é tardio em irar-se, mas grande em força e ao culpado não tem por inocente [..] (Na 1.3)

AGENDA DE LEITURA

Segunda-feira – Sl 18.25,26
A justiça de Deus é benigna para o justo e indomável para o perverso

Terça-feira – Rm 24-6
Não devemos abusar da misericórdia divina

Quarta-feira – Lv 26.27,28
A desobediência ascende a ira de Deus

Quinta-feira – Sf 3.5
A justiça de Deus não comete iniquidade

Sexta-feira – Rm 12.19
A retribuição pertence a Deus

Sábado – Is 59.17,18
A retribuição divina será conforme os nossos atos

SINTESE

A misericórdia de Deus nos oferece novas oportunidades, porém, há um momento em que a paciência de Deus cede lugar a sua justiça, pois o culpado jamais será tratado como inocente na hora do juízo.

TEXTO BÍBLICO

Naum 1

1- Peso de Nínive. Livro da visão de Naum, o elcosita.

2- O SENHOR é um Deus zeloso e que toma vingança o Senhor toma vingança o é cheio de furor SENHOR toma vingança contra os seus adversários guarda a ira contra os seus inimigos

3- O SENHOR é tardio em irar-se, mas grande em força e ao culpado não tem por inocente: o SENHOR tem o seu caminho na tormenta e a tempestade e as nuvens são o pó dos seus pés.

INTRODUÇÃO

Até onde vai a paciência de Deus? Deus concede aos seres humanos tempo e oportunidades para o arrependimento. Infelizmente há aqueles que abusam da paciência divina tratando com leviandade a graça recebida. Pensam que sempre terão oportunidades, mas uma hora o juízo chega. Naum nos ensina que em sua infinita sabedoria Deus estipula um tempo específico para o julgamento. Nínive havia provado da graça de Deus na pregação de Jonas. Com o arrependimento dos ninivitas, o Senhor suspendeu o juízo. O tempo passou e após um pouco mais de um século uma nova geração preferiu a iniquidade ao invés da retidão. Suas obras foram cruéis, perversas e infectadas de malignidade. Tal comportamento acendeu a ira de Deus Não podemos esquecer que o amor de Deus caminha ao lado de sua justiça. Naum anunciou a Nínive o juízo divino. Deus estava cheio de furor e não trataria o culpado como inocente

I – NAUM

1. O consolador. Naum significa “consolador”: Seu nome é mencionado na Bíblia uma única vez justamente na introdução de seu livro (Na 1.1). Sua profecia não apresentou julgamento para Israel, apenas transmitiu consolação. Ele consolou seus compatriotas ao profetizar o fim da Assíria, o grande inimigo oriental do povo de Deus em sua época. Com isto, aprendemos que a justiça de Deus apresenta uma duplicidade no seu efeito, pois é uma ferramenta de consolo para o justo e um instrumento de terror para o ímpio (II Sm 22.27; Sl 18.25-28). Enquanto Jonas testemunhou a suspensão do juízo para os ninivitas, Naum previu a destruição deles. Ele viu e antecipou o que Jonas gostaria de ter visto.

O livro de Naum tem um único tema: O juízo divino contra a Assíria. Naum anunciou a soberania de Deus sobre todas as nações e ensinou a Juda que a nação que os aterrorizava em breve receberia o juízo divino por suas obras más e seus atos de barbarismos entre os povos diferente de Jonas, ele não agiu motivado pelo nacionalismo exacerbado, mas profetizou impulsionado pela defesa humanitária. Ele se posicionou contra a tirania e o militarismo da Assíria. Não devemos agir motivados por valores ideológicos. Não é a filosofia do mundo que deve nos guiar, mas sim os valores bíblicos.

2. Data da profecia. As informações históricas de que dispomos sobre Naum são insuficientes, portanto, não são conclusivas em relação a datas. O livro não menciona reis. O foco da mensagem não era Juda mas a Assíria uma potência estrangeira que durante longos anos oprimiu o povo de Deus. O texto bíblico se refere à Nínive como uma grande cidade (Jn 1.2:3.2). Tratava-se de uma cidade pós-diluviana fundada por Ninrode (Gn 10.8-11) que nos tempos de Senaqueribe, rei da Assíria, (705 a 681 a.C) foi fortificada e atingiu o seu período de maior glória e poder.

O livro foi escrito provavelmente um pouco antes da destruição da cidade de Nínive em 612 aC. O profeta chegou a citar o cativeiro de Tebas (Nô-Amom), a capital do Egito superior (Na 3.8). Estudiosos acreditam que Naum estivesse se referindo a tomada da cidade pelos assírios em 663 a.C. comandados por Assurbanipal. Assim sendo o livro poderia ter sido escrito de 663 a.C. a 612 a.C em um espaço de aproximadamente meio século.

3. Estrutura e mensagem do livro. O livro possui três capítulos. O primeiro capítulo é composto de apresentação da profecia (Na 1.1), salmo de louvor sobre a natureza de Deus (Na 1.2-8) e anúncio – em forma poética – do juízo divino sobre os ninivitas (Na 1.9-15). O segundo capítulo minudência a queda de Nínive (Na 2.1). pois descreve o invasor (Na 2.3 a forma do ataque (Na 2.4-5), e a queda da cidade (Na 2.6-8). Os tesouros seriam saqueados (Na 2.9) provocando uma grande desolação (Na 2.10-13). O terceiro capítulo do livro informa os motivos que determinaram a queda de Nínive (Na 3.1-19).

O tom do livro é severa. A mensagem constitui um peso, ou seja uma sentença judicial austera da parte de Deus (Na 1.2). É possível vermos que não há mais misericórdia sobre os assírios. Eles aboliram o arrependimento original na época do profeta Jonas e se voltaram para a iniquidade por isto, o tempo da retribuição divina havia chegado Eles já conheciam a misericórdia divina agora provariam da ira de um Deus vingador (Na 1.2). Precisamos entender que o juízo divino sobre o pecador não é uma vingança arbitrária, mas o devido processo da providência moral e da lei da semeadura.

II – A NATUREZA DE DEUS

1. A longanimidade de Deus. Naum louva a Deus por sua natureza divina (Na 1.2-8) Ele é ‘zeloso’ ‘toma a vingança”, e cheio de furor guarda a ira contra os inimigos” e “tardio em irar-se” “grande em força” é “bom’ e ‘conhece os que confiam nele’. Na natureza divina, bondade e ira, longanimidade e vingança não são atributos excludentes, mas inter-relacionáveis. Deus é tão perfeito que tem a medida certa e o tempo preciso para cada ação. Ele está no controle de todas as coisas. É infinito em poder e sabedoria. As nuvens são os pó dos seus pés (Na 1.3) e a terra se levanta na sua presença (Na 1.5).

É soberano. Quando a Bíblia diz que é tardio em irar-se está afirmando que Ele se ira mas antes, por ser compassivo concede chances para o arrependimento (Rm 2.4-6; II Pe 3.9). Todavia a longanimidade de Deus não pode ser vista como impunidade, pois uma hora o fluxo da misericórdia é interrompido e os reservatórios da ira são abertos (Rm 1.18). A aplicação da ira divina não é precipitada. Deus não comete injustiças Sua ira é derramada sobre o culpado e jamais penalizará o ‘inocente” (Êx 23.7. Na 1.3).

2. Deus amoroso e vingador. O livro de Naum nos ensina que Deus além de ser amoroso também é vingador (Jr 50.15; Mq 5.15; Na 1.2). Sua graça não pode ser utilizada de forma leviana. A despeito de ser misericordioso, Deus não poupa o ímpio, antes confere à injustiça o devido tratamento (Rm 3.5). Os assírios pensavam que poderiam afligir novamente o povo de Deus, todavia o Senhor dos Exércitos não permitia que isso acontecesse de novo (Na 1.3). Deus prometeu destruir a Assíria e consolar Juda (Na 1.12). O povo de Deus não seria afligido novamente. O consolo de Judá não se fundamentava no sofrimento alheio (da Assíria), mas em perceber que Deus executa sua justiça no mundo.

Muitos concebem erroneamente, o amor de Deus como uma bondade natural permissiva, porém, o amor de Deus é rigidamente justiça e foi por esse motivo que Cristo morreu (Jo 3.16). Judá estava sempre debaixo de constantes ameaças da parte dos assírios lendo a obrigação de pagar altas somas de dinheiro, todavia essa opressão findaria e o povo ficaria livre deste jugo que seria quebrado por Deus (Na 1.13) O que representa vingança para uns simboliza justiça para outros. Na cátedra do julgamento está o Senhor, o Justo Juiz de toda a terra (Gn 18.25; Rm 9.14).

3. O Senhor é bom. O retrato pintado por Naum do temor que a natureza nutre de Deus, poderia a princípio apresentar uma ideia errada sobre o Criador (Na 1.4-6). por isso, o profeta tratou de atestar que O Senhor é bom e não pode ser associado ao atributo oposto (Na 1.7). A bondade, nesse caso, não está apenas em contraste com o mal, mas também contra o mal. Se não fosse assim a bondade resultaria em omissão e seria falha A benevolência divina não deixa Deus vulnerável ou fragilizado na hora de executar os seus juízos, pelo contrário, quando necessário persegue os seus inimigos.com trovas (Is 42.1; 66.15).

O Juízo sobre Nínive foi comparado à metáfora da inundação transbordante que a tudo destrói (Na 1.8). No livro de Naum temos o braço da vingança judicial de Deus em favor do seu povo estendido contra uma nação implacável e aterrorizante. As ações horríveis da Assíria não ficariam impunes diante da justiça divina (Sl 97.2). Como sabemos a hora em que a misericórdia será trocada pela ira divina na aplicação da justiça? Não sabemos por isto, devemos sempre andar em retidão.

III – OS PECADOS DA ASSÍRIA: ATÉ ONDE VAI A PACIÊNCIA DE DEUS

1. Ganância e injustiça. A palavra de Naum era muito dura, mas operava em conformidade com os pecados daquele povo Nínive era uma cidade cheia de mentiras e roubos. Os acordos e tréguas com as nações próximas foram quebrados e as palavras descumpridas. A cidade foi comparada a figura de uma meretriz que engoda suas vítimas na ruína mediante exibições de poder e argumentos persuasivos (Na 3.4). Todavia, os gracejos ‘aparentemente vantajosos’ na verdade eram ardilosos e, quando as nações respondiam favoravelmente aos seus encantos, eram destruídas por este Império, A Assíria praticava o mal pela força e pela persuasão.

A mentira servia à injustiça na consecução da maldade. A nação também estava sendo condenada pelos pecados da idolatria e feitiçaria (Na 3.4;2 Rs 16.10; Is 47.9,12; Ez 23.5,7,11). Na busca pela ganância, muitas pessoas se apostaram da fé atraindo maldições sobre si. Quando se cultua o materialismo, os princípios espirituais e os valores morais são ignorados. É a ganância que dá luz a injustiça agenciando a exploração e a tirania em nosso mundo

2. A violência e a soberba. Nínive era uma cidade sanguinária que massacrou diversos povos, derramando sangue em inúmeras guerras (Na 3.1) Ela despojou muitas nações de suas riquezas e saqueou muitas cidades em sua busca pelo poder. Na profecia de Naum. Nínive (a cidade) é usada como símbolo da Assíria (o país). Os assírios eram mestres do terror. Essa reputação foi conquistada por todas as crueldades cometidas ao longo dos anos eles deceparam as mãos os pés orelhas e narizes, como também esfolavam os cativos vivos, além de muitos outros atos abjetos de tortura. Seus deuses eram retratados como guerreiros. O comportamento cruel daquele povo era temido por todas as nações da época. Ai daquele que trata com violência o próximo! Na Bíblia. Deus se contrapõe a violência combatendo-a com a justiça e protegendo dela, o justo que nEle confiam (II Sm 22.3.49; Sl 7.14; Jl 3.19). Além da violência, a Assíria tornou-se altiva por causa de sua elevação diante das nações. A queda desta nação foi resultado de sua soberba (II Rs 18.28; 19.23; Is 8.7,36.4).

3. Egoísmo. O profeta anunciou que Nínive não era melhor que Nô-Amom (Tebas), uma cidade de grande influência no Egito, capital do Egito Superior. Essa cidade ficava localizada sobre as duas margens do Rio Nilo e era cercada pelas águas (Na 3.8. Mesmo com tanto prestígio e glória, Tebas foi tomada pelos assírios em 663 a.C, e muitas atrocidades foram cometidas ali. Ao contrário de Nínive, Tebas possuía alianças políticas com vários povos e mesmo assim foi levada cativa (Na 3.9.10). O que diríamos de Nínive que se alienou e se encastelou com seu próprio egoísmo?

Naum apresenta um evento histórico que era de conhecimento dos assírios para que eles entendessem a mensagem de juízo. O egoísmo daquele povo o destruiu Naum descreveu a destruição como um ataque de gafanhotos (Na 3.15.16) e terminou sua profecia dizendo que não havia mais cura para a ferida de Nínive (Na 3:19). A sentença judicial divina já tinha sido expedida. A mensagem se cumpriu Nínive foi destruída em 612 a.C: e o exército assírio foi aniquilado em 605 aC., na batalha de Carquemis. A destruição da cidade foi tão completa-conforme profetizado por Naum- que a cidade só foi redescoberta pela arqueologia em 1842 estando completamente em ruínas.

CONCLUSÃO

O livro de Naum traz uma séria advertência para todos nós, pois devemos aproveitar as oportunidades que Deus nos dá. A misericórdia divina deve gerar em nós quebrantamento e piedade. Não devemos abusar da paciência de Deus tentando testar o limite de sua longanimidade. Brincar.com a misericórdia é o mesmo que rejeitá-la, optando pelo pecado. No tempo estabelecido por Deus todos aqueles que perseveraram na prática do mal experimentarão a sua ira.

Postado por: Pr. Ademilson Braga

Fonte: Editora CPAD

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