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Miqueias: Deus quer obediência de coração

EBD – Jovens – EDIÇÃO: 32– 3º Trimestre – Ano: 2021 – Editora: CPAD

LIÇÃO – 07 – 15 de agosto de 2021

TEXTO DO DIA

Ele te declarou, ó homem, o que é bom; e que é o que o Senhor pede de ti, senão que pratiques a justiça, e ames a benignidade, e andes humildemente com o teu Deus? (Mq 6.8)

AGENDA DE LEITURA

Segunda-feira – Jr 7.22-23
O que Deus exige de nós é a obediência

Terça-feira – I Sm 15.22
O obedecer melhor do que sacrificar

Quarta-feira – Is 1.13-15
Deus rejeita a adoração desprovida de obediência

Quinta-feira – SI 51.16-17
Um coração contrito é que Deus espera de seu povo

Sexta-feira – Mt 9.13
Deus deseja misericórdia e não sacrifícios

Sábado – At 5.29
Devemos obedecer a Deus acima de tudo

SINTESE

Miquéias nos confronta em relação ao tipo de cristianismo que estamos vivendo. O que Deus deseja realmente de nós. é a obediência, a justiça e a Humildade.

TEXTO BÍBLICO

Miquéias 6

6- Com que me apresentarei ao Senhor, e me inclinarei diante do Deus altíssimo? Apresentar-me-ei diante dele com holocaustos, com bezerros de um ano?

7- Agradar-se-á o Senhor de milhares de carneiros, ou de dez mil ribeiros de azeite? Darei o meu primogênito pela minha transgressão, o fruto do meu ventre pelo pecado da minha alma?

8- Ele te declarou, ó homem, o que é bom; e que é o que o Senhor pede de ti, senão que pratiques a justiça, e ames a benignidade, e andes humildemente com o teu Deus?

INTRODUÇÃO

O livro de Miquéias tem sido considerado o evangelho da justiça social. Naquele tempo, os religiosos cumpriam eficazmente o ritual levítico, porém, os ritos eram feitos de forma mecânica, sem vida. Enquanto a liturgia era bem cumprida, a obediência, a justiça, a misericórdia e a humildade eram desprezadas pelo povo. Os pobres eram explorados Apesar de praticarem injustiças sociais, as pessoas se reuniam regularmente para adorar ao Senhor. Miquéias foi um homem corajoso que não teve receio de condenar tais pecados (Mq 3.8). Proveniente da zona rural e de uma família humilde, ele sentiu na pele as desgraças do povo pobre do interior que vivia sob fortes opressões. Como um verdadeiro arauto da verdade, expôs o erro e desafiou seus compatriotas a se arrependerem praticando uma religião honesta diante de Deus e justa diante dos homens.

I – MIQUÉIAS

1. Um camponês simples. O nome Miquéias significa “Quem é semelhante a Jeová?” (Mq 7.18). Ele era “nativo de Moresete uma comunidade rural localizada no limite de Judá bem distante do centro urbano, Jerusalém de onde se tomavam as principais decisões políticas da nação (Mq 1.1). Essa cidade ficava cerca de quarenta quilômetros a sudoeste de Jerusalém. Era um homem simples que representava os camponeses. Suas ilustrações foram quase todas tiradas da vida agrícola (Mq 3.12; 6.15;7.1). Miqueias conseguiu ouvir o grito dos oprimidos e foi para este público especial que devotou a sua vida na tentativa de defendê-los do sistema social exploratório que fincava suas raízes em Judá.

As muitas alusões contidas no livro sobre o trabalho pastoril indicam que provavelmente ele tenha sido pastor de ovelhas (Mq 2.2; 3.2-3; 4.6 e 7.14). Portanto era um homem simples. Não podemos esquecer que Deus se faz presente na simplicidade (Mt 11.25). Simplicidade não é sinónimo de pobreza, mas de pureza de coração (Mt 5.8; Sl 73.1; Pv 22.11). Há ricos que são simples e há pobres orgulhosos. Simplicidade não tem a ver com o que temos no bolso, mas sim com o que temos no coração.

2. Período em que profetizou. Sua profecia foi entregue nos reinados de Jotão (742-735 a.C), Acaz (735-715 a.C) e Ezequias (715-687 a.C), reis de Judá (Mq 1.1;Jr 26.18). Ele foi contemporâneo do Isaías. Considerando que o livro reflete uma condição de apostasia em Judá, em que a corrupção e a idolatria provocaram um baixo nível moral e religioso, não é errado supor que parte de sua mensagem tenha sido entregue no reinado do ímpio Acaz (Mq 2.1,2.7; 3.9,10; 6.10-12). Porém, a forte ênfase na justiça pessoal também se encaixam nos dias de Ezequias, pois de acordo com os estudiosos, as Reformas, nesse período tiveram implicações apenas na parte cerimonial e no culto, mas não trouxeram tanto Impacto sobre a vida pessoal dos habitantes de Judá (II Rs 18.1-4; II Cr 33.1-3).

“Avivamento” que empolga nossa liturgia, mas não transforma a nossa vida é fogo de palha. O fator essencial que caracteriza os verdadeiros avivamentos é a obediência de coração, A.W. Tozer dizia que se não pretendemos nos transformar, não devemos orar pedindo Avivamento. Não adianta termos cultos com uma liturgia animada se não andamos com retidão para com Deus e não somos justo para com o próximo.

3. Estrutura e mensagem do livro. Embora fosse oriundo do sul, Miquéias profetizou para os dois reinos; Israel e Judá, sendo sua mensagem destinada primariamente as respectivas capitais; Samaria e Jerusalém (Mq 1.1). Na Bíblia utilização das capitais muitas vezes representam as nações; desse modo em muitas ocasiões Damasco representa a Síria, Nínive a Assíria, Samaria a Israel e Jerusalém a Judá. As residências reais ficavam situadas nas capitais e nesses centros governamentais é em que se estabelecia a política e o tom moral que governava as nações.  Porém, grande parte de sua mensagem foi entregue a Judá. O livro é formado por uma coleção de profecias concisas.

São sete capítulos dispostos em três partes principais, que começam com a mesma fraseologia; “Ouvi” ( Mq 1.2; 3.1;6.1). O verbo no imperativo da mensagem. A expressão ‘ouvi’ envolve tanto a questão do ‘escutar com atenção’ quanto destacada a ‘importância de obedecer ao que está escutando’ (Mq 1.2). A justiça nacional de Judá tinha entrado em colapso. O juízo se aproximava. Sua mensagem era importante e deveria se escutar com atenção.

II – DENÚNCIAS E EXORTAÇÕES

1. Corrupção e materialismo. Os israelitas foram envenenados pela ambição pelo luxo e pelo materialismo a ponto de ignorarem os valores morais e espirituais (Is 5.18-20). A riqueza de Jerusalém e Samaria provocou um êxodo rural em grande escala. Os ruralistas mudavam para essas cidades em busca de melhores condições de vida. Ao chegarem, eram explorados por uma nova classe de ricos inescrupulosos. Com o tempo perdiam tudo. Quando não sobrava mais nada se vendiam como escravos. Existiam leis estabelecidas por Deus que protegiam os pobres. A terra era do Senhor (Lv 25.2,23). Se um pobre precisasse vender sua terra para saldar uma dívida, o acordo só era válido até o ano do jubileu, quando então todas as terras eram devolvidas aos seus donos em originais (Lv 25.13-17).

A possessão era vendida não a terra (I Rs 21). Chamava-se de ano do jubileu, aquele que vinha depois de sete anos sabáticos. No quinquagésimo ano, os pobres tinham o direito à herdade restaurada. Porém, essa lei estava sendo ignorada. Tudo era mancomunado com os juízes, sacerdotes e profetas. As decisões do judiciário promoviam a injustiça e os profetas não denunciavam o esquema de corrupção porque estavam envolvidos neste suborno cruel (Mq 39-11). A ambição e o materialismo podem nos conduzir a apostasia levando-nos à desobediência.

2. Injustiça social. Os homens planejavam o mal contra o próximo (Mq 2.1), cobiçando campos e praticando a violência (Mq 2.2: Am 6.1-3). Miqueias declarou que os exploradores sofreriam o juízo: em vez de andarem com a cabeça erguida, seriam levados para o cativeiro com o pescoço amarrado. A mesma violência que praticaram se voltariam contra eles (Mq 2.3). pois eles perderam tudo o que conquistaram desonestamente (Mq 2.4). Os magistrados civis e príncipes, responsáveis pela prerrogativa de manusearem o direito, encontravam prazer na exploração (Os 4.2 Mq 3.1-3. 9).

A cidade de Jerusalém estava sendo edificada com os tijolos da violência e o cimento da injustiça (Mq 3:10). Por causa dos pecados dos líderes e sacerdotes, a cidade seria destruída (Mq 3.12). Deus não tolera a injustiça, e o mesmo deve ser aplicado ao cristão. Um cristão que se omite diante das injustiças torna-se insosso e sem valor.

3. Obediência de coração. A despeito de tantos pecados e injustiças, os homens apresentavam-se como religiosos. Os cultos e sacrifícios permaneciam, respaldados pela lei (Lv 9.3). Os profetas e sacerdotes continuavam exercendo suas funções, porém, eram corruptos (Mq 2.11), A questão crucial não era a falta de culto ou de religiosidade, mas de uma verdadeira conversão a Deus (Mq 6:6-8). O que Deus exigia de seu povo era a obediência de coração. A evidência de uma religião sincera e a obediência de coração a Deus. A melhor medida de uma vida espiritual autêntica não são os sacrifícios, não são os discursos, não são os cultos empolgantes, não são as lágrimas, mas a obediência de coração. Miquéias nos mostra que é possível ser religioso sem ser convertido.

III – JUÍZOS E PROMESSAS

1. O juízo divino. Os pecados de Israel e Judá fizeram Deus sair do seu lugar Santíssimo para instaurar o tribunal e trazer o juízo sobre a terra (Mq 1.3). De acordo com Miqueias, a locomoção de Deus não era motivada por um passeio comum. Ele saia de sua augusta habitação para marchar em direção à guerra. A batalha era contra os pecados em Jerusalém e Samaria (Mq 1.1). A capital nortista se reduziria a um monte de pedras e os ídolos construídos seriam despedaçados (Mq 1.6.7).

O quadro apresentado era de completa destruição. Jerusalém sofreria o cativeiro babilônico como forma de purificação (Mq 4.10-13). O povo de Deus estava no banco dos réus e seria julgado pelo Criador (Mq 6.1.2) Nossos pecados jamais ficarão impunes diante de Deus. Prestaremos contas de nossos atos (Sl 96.13. Ec 12.14 Rm 2.5). Uma religiosidade aparente pode enganar e convencer pessoas, mas jamais satisfará o nosso Deus que tudo vê e tudo sabe Lembremo-nos que Ele esquadrinha nossos corações (Sl 139:1-6).

O Messias prometido. Miquéias não abordou apenas a questão do pecado e do juízo, mas também apresentou o futuro de glória preparado para o povo do Senhor (Mq 4.1). Ele tirou os seus olhos dos sórdidos abusos cometidos em seu tempo para contemplar não mais o julgamento, mas a restauração dos justos. Das cinzas da destruição, resultado da Injustiça social e pecado contra Deus, surgiria em Jerusalém um grande centro de adoração. Porém, antes da exaltação, Judá seria humilhada (Mq 4.10). Neste Versículo, a imagem que o profeta traz é de uma mulher que sofre com as dores de parto, mas fim da aflição saboreia as alegrias da maternidade (Mq 4.10).

O profeta anunciou a vinda do Senhor de Israel ao mundo, termo comumente empregado no antigo testamento para se referir a Deus. Ele surgiria em uma cidade de Judá Belém (Mq 5.2) Seria justo. Diferente dos magistrados de sua época, apascentará o povo na “força do Senhor” (Mq 5.4). Jerusalém seria como um orvalho que refrigerava o mundo (Mq 5:7). É impressionante como a despeito dos nossos erros, Deus está sempre planejando o melhor para nós. A vinda de Cristo iluminou o mundo com a verdadeira glória de Deus (Jo 114). Fomos alcançados pelo Cristo profetizado por Miqueias.

3. O verdadeiro cristianismo. Miquéias finalizou seu livro com um jogo de palavras, um trocadilho com o significado do seu próprio nome. “Quem o Deus, é semelhante a ti?” (Mq 7.18). Ele louva ao Senhor pelo Seu caráter. Ninguém pode ser comparado a Deus, que é Único e Soberano. A ira divina tem prazo de validade. O Senhor está sempre pronto a perdoar o transgressor, pois Seu prazer está na aplicação da benevolência (Mq 7.18). A exibição do poder do Senhor transforma pessoas. O perdão de Deus é para sempre e livra o ofensor da culpa (Mq 7.19). E libertador. E pleno. E completo Suas promessas serão cumpridas (Mq 7.20).

Esse Deus exige de nós apenas a sinceridade. Nossa adoração não pode ser meramente teatral ou ritual. Precisa ser em espírito e em verdade, respaldada pela obediência (Sl 51.17; Jo 4.23.24). Para Miqueias, o verdadeiro cristianismo manifesta-se na prática de três preceitos Praticar a justiça, amar a beneficência e andar humildemente perante Deus (Mq 6.8). Concluímos afirmando que o cristão deve estar atento aos perigos do egoísmo.

CONCLUSÃO

Os rituais religiosos tangíveis podem nos levar à acomodação. Com o tempo, isto se torna uma prática mecânica que desprovida da justiça da caridade não tem valor algum para Deus. O fato de irmos à igreja gera em nós a aparente sensação de que estamos “certos”. Isto pode ser perigoso. Cultuar ao Senhor é bom. É bíblico. Entretanto, para Deus que realmente importa não é o que fazemos exclusivamente na igreja, mas como vivemos no mundo e como tratamos as pessoas.

Postado por: Pr. Ademilson Braga

Fonte: Editora CPAD

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