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Corinto – Uma Igreja Fervorosa, mas não Espiritual

INTRODUÇÃO

Todo crente, inclusive obrei­ros, professores e alunos da Escola Dominical que quiserem entender a dinâmica da vida de uma igreja deve ler na íntegra a Primeira Epís­tola de Paulo aos Coríntios. A diversidade de situações e fatos da igreja coríntia é o suficiente para uma ampla visão dos proble­mas e virtudes de uma congregação genuina­mente cristã. Não exis­te igreja local perfeita, entretanto, Corinto se destaca por um fator agravante no comportamento da­queles irmãos: o excesso em mui­tas áreas, como se vê em I Corín­tios 4.14-16; 5.6; 8.7,9; 10.21,32; 11.13-16, 20-22,30; 14.23,32-34, 40. Excetuando a pessoalidade da carta (saudações e lembranças), os ensinos doutrinários desta epístola são permanentes e, portanto, apli­cáveis à igreja atual.

I. O CONTEXTO DA ÉPOCA

Propósito da epístola. Ao ser informado dos muitos e graves problemas dos crentes de Corinto, Paulo escreveu-lhes uma carta, não para envergonhá-las, mas para admoestá-los como filhos amados (I Co 1.11). O propósito do apóstolo era tríplice: 1) Exortá-los a mudar sua conduta (desunião, imoralidade, processos judiciais, culto escan­daloso, etc.; 2) Doutriná-los sobre assuntos gerais e comuns da vida cristã (matrimônio, amor ao próximo, a consciência e a liberdade cristã); e 3) Explanar a doutrina fundamental da res­surreição de Cristo e corrigir os falsos ensinos. Também doutrinar sobre o arrebatamento da Igreja por Cristo, começando com a ressurreição em glória dos mortos salvos, e a transformação dos vivos e sua transladação para o céu.
Ser cristão em meio a um povo ímpio. Ser crente em Corinto, uma cidade afundada no pecado, era um grande desafio. Ali, ninguém sabia o que é ser um santo de Deus. Porém, ser ím­pio, fornicário, beberrão, ladrão, enganador, imoral, assassino, pervertido sexualmente, viciado, idólatra, era normal. Havia, inclu­sive, a “prostituição cultual” em que o templo dedicado a Afrodite reunia mil sacerdotisas prostitu­tas que ofereciam religiosamente seus corpos à luxúria e aos de­mônios.
Nestes últimos dias antes da volta de Cristo, o pecado sob todas as formas, avoluma-se por toda parte, como um rolo com­pressor. Esta é uma das causas de haver tantos crentes frios espiri­tualmente: “E, por se multiplicar a iniqüidade, o amor de muitos se esfriará” (Mt 24.12).

II. O FERVOR RELIGIOSO E A ESPIRITUALIDADE

Fervor e espiritualida­de. Os crentes de Corinto tinham dons espirituais (1.7), mas muitos eram imaturos, insubmissos, igno­rantes da doutrina reveladora dos dons, além de carnais. Em uma igreja é possível haver crentes fervorosos, que gostam de movi­mento e agitação sem, contudo, haver espiritualidade real, advinda do Espírito Santo. Às vezes o que parece fervor espiritual é mais emocionalismo, resultante de mo­tivações e mecanismos externos. Tal fervor é passageiro, ao passo que a verdadeira espiritualidade está intimamente relacionada ao exercício da piedade e da vida cristã consagrada (Ef 4.17-32). O crente experiente na fé pode ser “fervoroso no espírito” (Rm 12.1,2,11). Todavia, é preciso compreender que essa maturida­de cristã não vem primeiramente pelo exercício dos dons ou pelo tempo de conversão.
Dons espirituais sem o fruto do Espírito (Gl 5.22; Ef 5.9). Havia abundância de dons na igreja de Corinto (l Co 1.7), todavia não eram utilizados de forma equilibrada, visando o “progresso da obra do Senhor. Os crentes exerciam os dons para demonstrar níveis de maturidade e de santificação, tornando-se assim, carnais (I Co 3.1), igno­rantes (I Co 12.1) e meninos (I Co 14.20). Não são os atos miraculosos realizados e os diversos dons espi­rituais (ver Mt 7.22) exercidos que identificam os autênticos servos de Deus, mas os seus frutos. É o fruto que revela a natureza da árvore. O que atesta a autenticidade de um cristão não é primeiramente o que ele faz, mas o que ele é ante a Palavra de Deus (Mt 5.13-16). Os dons têm a ver com o que fazemos para Deus. O caráter cristão com o que somos para Ele.
O culto e a utilização dos dons na igreja. Os dons não se destinam a realização individual ou manipulação seja do que for, mas servem para o desenvolvimento, crescimento, amadurecimento e edificação do corpo de Cristo (I Co 14.3-5,12,26). Os principais elementos de um culto espiritual encontram­-se em 1 Coríntios 14.26.

III. A MISSÃO DISCIPULADORA DA IGREJA

Discipular é fazer de cada novo crente um autêntico e fiel seguidor de Jesus Cristo (Mt 28.19).
Quantidade e qualidade na igreja. Enquanto o crescimento quantitativo da igreja vem pelo novo nascimento (At 2.41-47), o qualitativo se dá pelo discipulado. Paulo, por causa da perseguição, não pôde passar tanto tempo em Corinto (At 18.11) quanto em Éfeso (At 19.8, 10; 20.31). Daí, a razão das grandes diferenças no tocante à conduta cristã dessas duas igre­jas. O apóstolo foi um incansável discipulador, fortalecendo a fé dos novos crentes e edificando-os na doutrina do Senhor. Ver At 14.22; 15.36; 18.23; I Ts 5.14.
Falsos crentes na igre­ja. Havia crentes na igreja de Corinto que não eram convertidos ao Senhor (1 Co 15.34). O mesmo ocorreu com o povo de Israel quando Deus o tirou do Egito. As pessoas saíram, mas o “Egito” não saiu da vida de muitas delas. É que o “Egito” para sair do coração dos israelitas, dependia também deles e não só de Deus. É o caso do cren­te e o mundo com seus enganos, seduções e pecados (Tg 4.4; 1 Jo 2.15-17). O problema de Israel foi pior, porque um povo estranho que não conhecia o Senhor saiu com eles do Egito (Êx 12.38). O mesmo aconteceu após a morte de Josué quando o povo de Deus se desviou (Jz 2.10). Toda igreja tem na sua con­gregação muitos que não são nas­cidos de novo, inclusive na Escola Dominical (I Jo 2.19). O professor deve sempre em oração, cautela e sabedoria, verificar quais alu­nos de sua classe ainda não são salvos e conduzi-los a Cristo, o Salvador.
Ostentação – uma fra­queza entre os coríntios. Isto está muito claro no capítulo 4, versículos 8,15 e 16 da epístola em estudo. Eles poderiam ter até dez mil professores na igreja (“em Cristo”, v.15), mas não tinham pais espirituais. Precisamos, sim, dos mestres, instrutores e guias, mas a partir de pais espirituais, que pelo Espírito Santo gerem filhos na fé para Deus. Dez vezes na Primeira Epísto­la aos Coríntios aparece a pergun­ta “não sabeis?”, referente a ensi­nos básicos da fé cristã, a começar pelo capítulo 3, versículo 16. Os crentes de Corinto se envaideciam de tanto saber, mas desconheciam as coisas básicas da fé. Na Segun­da Epístola, não ocorre a referida pergunta. Ao contrário, há no seu contexto várias declarações revelando que agora eles sabiam segundo Deus.
Coisas boas na igreja de Corinto. Fatos bons em Co­rinto, relatados logo no início da epístola:
a) Em Corinto, por ocasião da epístola, havia muitos crentes “santificados em Cristo” (1.2).
b) Paulo dava “graças ao meu Deus” pelos crentes de Corinto, apesar de seus problemas (1.4).
c) Paulo chama os crentes coríntios de “irmãos”, apesar de muitos deles, na Segunda Epísto­la, falarem mal da pessoa de Paulo e do seu ministério (1.10.11).
d) Os crentes de Corinto, de um modo geral, com suas fraque­zas, defeitos, falhas e pecados, pertenciam a Cristo, porque foram salvos por Ele (1.30).
e) Os crentes de Corinto melho­raram à medida que o apóstolo e pai na fé, Paulo, os admoestava biblica­mente (11.2). Paulo lhes escreveu outros tratados (II Co 10.9).

CONCLUSÃO

Fervor religioso sem maturida­de espiritual pode gerar divisões, tal como ocorria entre os “profetas” da igreja de Corinto (I Co 14.26-­40). Inversamente, o Senhor Jesus disse que os cristãos devem ser conhecidos pelo amor demonstrado entre si (Jo 13.35). Essa é a principal característica e marca de uma igreja espiritualmente madura e sadia (At 17.11). O segredo deste maravilho­so amor sempre derramado em nós é a livre e desimpedida ação do Espí­rito Santo em nosso ser (Rm 5.5).

 

Postado por: Pb. Ademilson Braga

 

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