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Jovem não é criança

O que a igreja tem oferecido aos jovens é suficiente?

Como anda o ambiente que a igreja oferece aos nossos jovens? Como se sente o jovem hoje na sua igreja? Parece que a juventude evangélica anda meio flutuante e com acentuada dose de uma automática inoperância. Que tipo de procedimento deve tomar a igreja diante deste fato?
É claro que cada um de nós, independente do ponto de vista, queremos o melhor para o Reino de Deus. Queremos igrejas cheias, mocidade atuante, satisfeita e feliz. Mas para conseguir isto devemos buscar a orientação do Espirito Santo e, mais ainda, devemos ser sensíveis o suficiente para aceitar o que Ele vai nos orientar, concordar em abrir mão de mecanismos ultrapassados, relíquias do museu da conformidade, e, sempre com o Espirito Santo, lançar mão do útil, do santo, do dinâmico e espiritual. Assim, faremos decolar a nave da juventude que irá conquistar o espaço vazio, não como simples aventura, mas como uma missão da mais alta responsabilidade. E por falar em responsabilidade, é neste ponto que os jovens querem ser notados. O “protecionismo inibidor” já não surte efeito neles.
Nossa discussão não é feita sob o tradicional prisma conservadores versus liberais. Não. O que colocamos aqui está livre do problema. Se de um lado o desencontro nos mostra jovens inoperantes e tímidos, por outro lado temos jovens indiferentes e frios. O diagnóstico tem vários fatores que contribuem para a atual situação, mas o principal é o desencontro.
Ao refletirem, os jovens não encontram consistência no que estão ouvindo e percebem que que são tratados como bebês, tendo assim seu potencial inibido. Enquanto isso, os movimentos novos oferecem espaço, ambiente e trabalho. Isto sem falar do mundo e do pecado que tão de perto os rodeiam (Hb 12.1).
E a igreja, o que tem oferecido aos jovens? Sabemos que periodicamente se realizam as tradicionais confraternizações. Estas, pelo modo como vêm sendo programadas e praticadas, já não causam o efeito que deveriam. Louvo ao Senhor pelas exceções, mas a maioria destes trabalhos têm invertido as prioridades. Não passam de ajuntamento de pessoas para ouvir o preletor discorrer, a seu próprio gosto, temas que lhe vêm à mente e que quase nunca vão ao encontro das necessidades da juventude. Outro detalhe a ser observado é que estas “festas” são relacionados com épocas de reavivamento, de buscar “fogo do céu” etc. Ora, a igreja não é o tanque de Betesda (Jo 5.2-4). a prática da plenitude dos dons espirituais e do batismo no Espírito Santo deve ser uma constante na igreja e não uma vez ao ano.
Não seria melhor, entre outras atividades, abordar temas sobre situações do cotidiano dos jovens? Podemos citar como exemplos: relacionamento familiar e social, o jovem e a vida estudantil, sexo, drogas, a responsabilidade missionária do jovem, consciência social, missão de ser sal e luz, relacionamento com o Espírito Santo nas atividades do dia-a-dia, as seitas, as filosofias e a importância da leitura. E isto com trabalhos em grupos, ouvindo o que tem o jovem a falar. Sim! O jovem na escola tem oportunidade de falar, de expressar o que pensa. A construção de caminhos através do diálogo, da discussão, é uma prática comum. Se o jovem discute e exprime seu ponto de vista nas diversas atividades seculares, mas na igreja ele não é ouvido, então ele pode sentir dificuldades de conciliar suas convicções com a dinâmica de sua congregação. O nivel de conhecimento dos jovens aumentou significativamente. Eles agora pesquisam a Palavra e não aceitam preceitos sem base bíblica. Não se deve mais apelar para o místico-emocional, como autoridade, para compensar a falta de preparo bíblico.
O apóstolo João foi claro ao enfatizar a importância da responsabilidade dos jovens na obra do Senhor: “Eu vos escrevi, jovens, porque sois fortes, e a Palavra de Deus está em vós, e já vencestes o maligno”, 1 Jo 2.14. A expressão ‘sois fortes’ não se refere ao aspecto físico ou capacidade de suportar incompreensões, mas à evidencia da Palavra em suas vidas. João aplicava a Palavra, o alimento sólido, e tinha o retorno por parte dos jovens. Por isso via neles a competência, a responsabilidade. É interessante como o apóstolo se preocupava com a situação dos jovens, vendo-os como pessoas que faziam parte de todas as atividades da igreja, chegando ao ponto de escrever uma carta para expressar que eles eram fortes. O que estamos escrevendo para os nossos jovens? O apóstolo Paulo entendia também a importância da responsabilidade dos jovens, a ponto de dizer para Timóteo: “Ninguém despreze a tua mocidade, mas sê o exemplo dos fiéis na palavra, no trato, na caridade, no espírito, na fé, na pureza”, 1 Tm 4.12.
A igreja tem obrigação de criar um ambiente agradável para seus jovens porque nesta fase de descobertas, tendo inúmeras opções, eles resolveram abandonar o mundo. E se não se sentem bem na igreja, não poderão se sentir em nenhum outro lugar. Se não houver esta provisão por parte da liderança, teremos jovens atrofiados, amargos e desmotivados. Neste caso, o único motivo que os prende à igreja é o medo do inferno, formando a imagem de um Deus severo e punitivo, e não o desejo de ser feliz adorando a Jesus e influenciando o mundo à sua volta.
Percebemos então que para suprir o que está faltando aos nossos jovens, a igreja deve ouvi-los, respondê-los e comissioná-los. Assim, a atenção eliminará o desencontro.

 

Extraído: Revista Seara

Postado por: Pb. Ademilson Braga

 

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