Adultos - CPAD
Espírito Santo — O Regenerador
EBD – Adultos – EDIÇÃO: 724 – 1º Trimestre – Ano: 2026 – Editora: CPAD
LIÇÃO – 09 – 01 de março de 2026
TEXTO ÁUREO
“Jesus respondeu e disse-lhe: Na verdade, na verdade te digo que aquele que não nascer de novo não pode ver o Reino de Deus.” (Jo 3.3).
VERDADE PRÁTICA
A regeneração é a transformação operada pelo Espírito Santo, pela qual o pecador se torna uma nova criatura.
LEITURA DIÁRIA
Segunda-feira – Jo 3.1-8
O novo nascimento é essencial para entrar no Reino de Deus
Terça-feira – Tt 3.4-7
A regeneração é resultado da misericórdia e graça divinas
Quarta-feira – Ef 2.1-10
Pela graça, somos salvos em Cristo e criados para praticar as boas obras
Quinta-feira – I Pe 1.22,23
O novo nascimento ocorre pela Palavra viva e eterna de Deus.
Sexta-feira – II Co 5.17-21
Em Cristo, recebemos nova identidade e o ministério da reconciliação
Sábado – Gl 5.16-25
O fruto do Espírito é a evidência prática da nova vida
LEITURA BÍBLICA
João 3
1 — E havia entre os fariseus um homem chamado Nicodemos, príncipe dos judeus.
2 — Este foi ter de noite com Jesus e disse-lhe: Rabi, bem sabemos que és mestre vindo de Deus, porque ninguém pode fazer estes sinais que tu fazes, se Deus não for com ele.
3 — Jesus respondeu e disse-lhe: Na verdade, na verdade te digo que aquele que não nascer de novo não pode ver o Reino de Deus.
4 — Disse-lhe Nicodemos: Como pode um homem nascer, sendo velho? Porventura, pode tornar a entrar no ventre de sua mãe e nascer?
5 — Jesus respondeu: Na verdade, na verdade te digo que aquele que não nascer da água e do Espírito não pode entrar no Reino de Deus.
6 — O que é nascido da carne é carne, e o que é nascido do Espírito é espírito.
7 — Não te maravilhes de te ter dito: Necessário vos é nascer de novo.
8 — O vento assopra onde quer, e ouves a sua voz, mas não sabes donde vem, nem para onde vai; assim é todo aquele que é nascido do Espírito.
INTRODUÇÃO
O Novo Nascimento é uma obra indispensável à salvação. Jesus ensinou que para entrar no Reino é necessário nascer de novo. Não se trata de uma mera mudança exterior, mas de uma obra de transformação interior. Esta lição apresenta o Espírito Santo operando no plano trinitário da Salvação como o agente da Regeneração. Sua atuação revela o milagre divino que regenera a natureza humana decaída, concedendo nova vida em Cristo.
I – REGENERAÇÃO: UMA OBRA TRINITÁRIA
- A doutrina bíblica da Regeneração. A expressão “nascer de novo” (Jo 3.3) é tradução do verbo grego gennēthē— “ser gerado” ou “nascer”, e do advérbio anōthen — “do alto”, “de cima”, “de novo”. No diálogo com Nicodemos, Jesus explica que o “nascer de novo” não é físico, mas espiritual (Jo 3.5) — uma segunda origem, não humana —, um renascimento a partir do alto, isto é, de Deus. Por isso, certas versões bíblicas traduzem como “nascer do alto”.
Nesse sentido, Paulo ensina que somos salvos “pela lavagem da regeneração e da renovação do Espírito Santo” (Tt 3.5b). Aqui “regeneração” (gr. palingenesia) significa “novo nascimento” e está intimamente ligado à conversão. Trata-se da renovação interior realizada pelo Espírito, ocasião em que a pessoa se torna uma nova criatura (II Co 5.17). - A Regeneração como exigência de Jesus. Cristo declarou que: “Aquele que não nascer de novo não pode ver o reino de Deus” (Jo 3.3). Equivale dizer que a regeneração é absolutamente necessária (Mt 18.3). Ela é a porta de entrada no Reino, a obra inicial da graça que principia a transformação do pecador (I Co 6.9-11). No milagre do novo nascimento, há fé e arrependimento (Mt 4.17). Tornar-se uma nova criatura é uma exigência absoluta, uma condição essencial para a salvação (Gl 6.15). Portanto, o plano divino para a Regeneração deve ser pregado com prioridade (Mc 16.15).
- O Pai como o autor da salvação. A regeneração, ou novo nascimento, tem sua origem no plano eterno e soberano de Deus Pai (Ef 1.4,5). É Ele quem inicia a obra da redenção, movido por seu amor imensurável e por sua vontade de salvar os pecadores (Jo 3.16). Esse amor divino é a fonte primária da salvação — não condicionado aos méritos humanos, mas oferecido por graça divina, mediante a fé (Jo 1.13; Ef 2.8,9). Essa verdade gloriosa exalta o Pai como a fonte de toda boa dádiva e o autor da nova vida que recebemos (Tg 1.17,18).
- O Espírito como agente da Regeneração. A regeneração é um ato da misericórdia divina (Tt 3.5). É o Pai que a decreta (Ef 1.4), o Filho que a torna possível por sua morte e ressurreição (Ef 1.7), e o Espírito que a realiza no coração do pecador (Jo 16.8). Jesus explicou essa ação do Espírito ao dizer: “O que é nascido da carne é carne, e o que é nascido do Espírito é espírito” (Jo 3.6). Isso indica que onde o Espírito opera, ocorre transformação espiritual. Essa mudança se torna visível por meio do Fruto do Espírito na vida do regenerado (Gl 5.22).
II – A NATUREZA ESPIRITUAL DA REGENERAÇÃO
- Uma transformação interior. Nicodemos revelou incompreensão espiritual ao questionar Jesus: “Como pode um homem nascer, sendo velho?” (Jo 3.4). A pergunta reflete sua visão limitada ao plano natural (I Co 2.14). O principal entre os judeus interpretou o “nascer de novo” como se fosse algo físico (da carne). Esse fato evidencia que a mente religiosa, espiritualmente morta, e presa à lógica humana, é incapaz de compreender que a justiça de Deus não advém das obras (Rm 10.3). Ele estava apegado à ideia de mérito para entrar no Reino de Deus, mas Jesus exigiu algo totalmente novo: uma transformação interior operada pelo Espírito, não um mero aperfeiçoamento de conduta ou aprimoramento moral, mas um Novo Nascimento, operado de dentro para fora, como obra do Espírito Santo (Jo 3.5).
- Uma obra soberana do Espírito. Jesus ensina a Nicodemos que, para entrar no Reino de Deus, é necessário nascer “da água e do Espírito” (Jo 3.5). Isso significa uma transformação espiritual completa: ser purificado dos pecados e receber renovação interior pelo poder do Espírito (Ef 3.16; 5.26). Essa mudança não pode ser produzida pela carne, mas somente pelo Espírito. Cristo assegura que “o vento assopra onde quer” (Jo 3.8). Assim como o vento é livre, o Espírito opera de modo soberano na salvação, sem ser controlado por nenhum esquema humano (I Co 2.11,12). É somente por essa ação divina que o pecador nasce espiritualmente e passa a ter uma nova vida (II Co 5.17). Assim, um cristão regenerado é aquele que teve o coração transformado e passou a viver segundo essa nova natureza espiritual (Ez 36.26,27).
- Uma nova vida e nova conduta. Cristo deixou bem claro que “O que é nascido da carne é carne, e o que é nascido do Espírito é espírito” (Jo 3.6). Essa distinção mostra que nada da carne pode produzir vida espiritual. A carne gera concupiscência e aprisiona (Gl 5.19-21); somente o Espírito gera nova vida com fruto espiritual (Gl 5.22). O que é nascido da carne permanece dominado pela natureza pecaminosa (Rm 8.5). Mas, ao nascer do Espírito, o crente passa a viver sob uma nova condição espiritual: tornando-se um novo homem, com uma nova mentalidade: “e vos renoveis no espírito do vosso sentido” (Ef 4.23). Essa nova vida se evidencia na prática da justiça, no amor fraternal, no desejo pela Palavra e na obediência a Cristo — marcas da regeneração genuína (Rm 6.4; I Jo 3.9).
III – SINAIS DO NOVO NASCIMENTO EM CRISTO
- A Justificação pela Fé. Pela fé em Cristo, o pecador é justificado, recebendo uma nova posição diante de Deus, não por mérito pessoal, mas pela obra redentora do Calvário (Rm 3.24,28). O crente não é apenas perdoado, mas é declarado justo diante de Deus, isto é, absolvido da culpa, da punição e da condenação do pecado (Rm 4.7,8). Essa dádiva é recebida somente por meio da fé, como resposta à graça de Deus revelada em Cristo (Rm 3.22). A justificação, portanto, não acontece à parte da fé, mas após a pessoa crer em Cristo como Salvador (Gl 2.16). Esse é o resultado da ação do Espírito Santo que leva o pecador à fé e, consequentemente, à justificação (Jo 16.8). Os efeitos da justificação pela fé incluem a paz com Deus (Rm 5.1) e a adoção como filhos amados do Pai (Jo 1.12).
- A vida de Santificação. Na obra da Redenção, o pecador é imediata e simultaneamente salvo, regenerado, justificado e adotado como filho de Deus (At 13.39; Jo 5.24; Rm 8.15). A partir daí, inicia-se o processo contínuo de santificação, ou seja, uma vida separada do pecado e consagrada à obediência, até a sua glorificação final no dia de Cristo (II Co 3.18). O crente passa a viver segundo o Espírito e não mais como escravo da carne (I Ts 4.3,4). Conforme abordado na lição anterior, a santificação apresenta aspectos posicionais e progressivos, à medida que o crente avança em maturidade espiritual e se torna mais semelhante a Cristo (I Pe 1.15,16). Essa nova vida recebida na regeneração se manifesta pela renúncia ao pecado e pela prática contínua da justiça e santidade (Rm 6.11; Ef 4.24).
- O Fruto do Espírito. Um importante efeito visível da regeneração é o fruto do Espírito: “amor, alegria, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fé, mansidão, temperança” (Gl 5.22,23). Não se trata de dons espirituais, mas de virtudes que o Espírito Santo produz no caráter do regenerado como expressão de sua nova vida (Ef 2.10). Antes, era dominado pelas paixões carnais, mas agora manifesta a presença do Espírito em suas atitudes diárias (Rm 8.5). Portanto, o Fruto do Espírito é a evidência prática da Regeneração (Mt 7.16). Quem nasceu de novo passa a refletir, ainda que imperfeitamente, o caráter de Cristo em suas palavras, ações e reações (Lc 6.40). Tal postura não pode ser esporádica, mas uma marca contínua da nova vida recebida em Cristo (Mt 5.16).
CONCLUSÃO
A regeneração é uma obra trinitária operada pelo Espírito Santo. Não é um esforço humano, mas uma transformação espiritual profunda. Como regenerador, o Espírito concede nova vida, uma nova natureza e uma nova direção ao ser humano. É necessário nascer do alto para ver e entrar no Reino. Que cada crente se deixe conduzir pelo Espírito e reflita, dia a dia, a natureza divina recebida no Novo Nascimento.
Postado por: Pr. Ademilson Braga
Fonte: Revista CPAD
