Adultos - CPAD
O Pai enviou o Filho
EBD – Adultos – EDIÇÃO: 718 – 1º Trimestre – Ano: 2026 – Editora: CPAD
LIÇÃO – 03 – 18 de janeiro de 2026
TEXTO ÁUREO
“Nisto se manifestou o amor de Deus para conosco: que Deus enviou seu Filho unigênito ao mundo, para que por ele vivamos.” (I Jo 4.9).
VERDADE PRÁTICA
O envio do Filho revela o amor do Pai e a perfeita unidade da Trindade no plano da salvação, garantindo a redenção e a adoção dos crentes.
LEITURA DIÁRIA
Segunda-feira – Jo 3.16
O amor de Deus revelado no envio do Filho
Terça-feira – Jo 6.38
O Filho veio ao mundo para cumprir a vontade do Pai
Quarta-feira – I Jo 4.10
Deus nos amou primeiro, enviando seu Filho
Quinta-feira – Jo 14.6
Cristo como único caminho ao Pai
Sexta-feira – Ef 1.3-6
O plano eterno de adoção como filhos em Cristo
Sábado – Jo 16.13,14
O Espírito glorifica a Cristo e guia em toda a verdade
LEITURA BÍBLICA
João 3
16 — Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna.
17 — Porque Deus enviou o seu Filho ao mundo não para que condenasse o mundo, mas para que o mundo fosse salvo por ele.
I João 4
9 — Nisto se manifestou o amor de Deus para conosco: que Deus enviou seu Filho unigênito ao mundo, para que por ele vivamos.
10 — Nisto está o amor: não em que nós tenhamos amado a Deus, mas em que ele nos amou e enviou seu Filho para propiciação pelos nossos pecados.
Gálatas 4
4 — mas, vindo a plenitude dos tempos, Deus enviou seu Filho, nascido de mulher, nascido sob a lei,
5 — para remir os que estavam debaixo da lei, a fim de recebermos a adoção de filhos.
6 — E, porque sois filhos, Deus enviou aos nossos corações o Espírito de seu Filho, que clama: Aba, Pai.
INTRODUÇÃO
No plano eterno da redenção, o Pai é quem envia o Filho para salvar o mundo. Esta verdade, revelada nas Escrituras, manifesta o amor do Pai e reafirma a unidade e a missão da Santíssima Trindade. Nesta lição, veremos como o envio do Filho Unigênito de Deus — a Segunda Pessoa da Trindade, revela em profundidade: a suprema expressão do amor de Deus, a plenitude do tempo para a redenção e a obra perfeita da Trindade na salvação.
I – O ENVIO DO FILHO E O AMOR DO PAI
- O amor incondicional do Pai. O envio de Jesus Cristo — o Filho Unigênito do Pai, é a maior demonstração do amor de Deus ao mundo (Jo 3.16). O verbo grego para este amor é “aqapáō”e o substantivo é “agápē”. Expressam a natureza essencial de Deus (I Jo 4.8) e a busca pelo bem-estar de todos (Rm 15.2). Conforme usado, acerca de Deus, manifesta interesse profundo e constante de um Ser perfeito para seres completamente indignos (Vine, 2002, p.395). Ensina que o amor de Deus não foi motivado por mérito humano. Ele amou “o mundo” rebelde e perdido — e enviou seu Filho “não para que condenasse o mundo, mas para que o mundo fosse salvo por ele” (Jo 3.17). Este amor alcança toda a humanidade, é incondicional, plenamente gracioso, sacrificial e absoluto! (Ef 2.4,5).
- A iniciativa soberana de Deus. Desde a eternidade, antes da Queda no Éden, Deus traçou um plano de redenção em Cristo (Ef 1.4,5). Até mesmo anterior a fundação do mundo, o Filho já estava destinado para nossa salvação (I Pe 1.18-20). Deus, em sua soberania e seu imensurável amor, tomou a iniciativa de enviar o Salvador, cumprindo seu eterno propósito de redenção (Ef 1.9). A Escritura ratifica que o amor divino antecede qualquer atitude humana: “não em que nós tenhamos amado a Deus, mas em que ele nos amou e enviou seu Filho para propiciação pelos nossos pecados” (I Jo 4.10). Portanto, a iniciativa da salvação não parte do ser humano, mas de Deus. Em sua soberania, misericórdia e compaixão, Deus decidiu agir em favor da humanidade caída (Rm 3.24-26; 5.8).
- O envio do Filho e a Trindade. Embora a missão do Filho seja descrita por meio do verbo “enviar” (Jo 3.17,18,34), a ideia aqui é de um presente gracioso de Deus (I Jo 4.10). Em seu amor soberano, o Pai ofereceu sua dádiva mais preciosa — o seu Filho Unigênito: “para que por Ele vivamos” (I Jo 4.9). Essa doação, não implica hierarquia na Trindade. O Pai, o Filho e o Espírito Santo possuem a mesma natureza divina (Jo 1.1; 10.30; 14.26). A distinção observada é funcional, relacionada ao plano da salvação: o Filho é enviado para realizar a redenção (Jo 6.38-40). Essa dinâmica revela harmonia e unidade da Trindade: uma única vontade e um único propósito. O envio do Filho é, portanto, uma expressão do amor do Deus Triúno, que resplandece em toda a história da salvação (Ef 1.3-14).
II – O FILHO E A PLENITUDE DOS TEMPOS
- A preparação histórica e religiosa. O envio de Cristo não foi um plano improvisado, mas um desígnio eterno, cumprido “na plenitude dos tempos” (Gl 4.4). Indica que a vinda do Messias se deu no tempo determinado pelo Deus Pai (Rm 5.6). A Trindade, em perfeita sabedoria e unidade, determinou o momento exato para a execução do plano redentor (Ef 1.10,11). Historicamente, o domínio romano construiu estradas e rotas comerciais que contribuíram para a disseminação do Evangelho. A cultura grega unificou o mundo por meio do grego koiné, tornando possível a escrita do Novo Testamento em uma língua conhecida e popular. No judaísmo, apesar da rejeição dos líderes entre o povo, a expectativa messiânica estava elevada (Lc 2.25-38). Isso sinaliza que Deus preparou o cenário para a chegada do Salvador (At 17.26).
- O Filho nascido sob a Lei. A Escritura afirma que o Filho veio “nascido de mulher, nascido sob a lei” (Gl 4.4b). A expressão “nascido de mulher”, reafirma que Cristo assumiu nossa natureza humana (Hb 2.14; Fp 2.7,8). Ele encarnou e experimentou as fraquezas humanas, exceto o pecado (Hb 4.15). Cumpriu-se assim a profecia: “Eis que a virgem conceberá e dará à luz um filho” (Is 7.14; Mt 1.23), mostrando que sua vinda foi obra soberana de Deus. A declaração “nascido sob a lei” significa que Jesus cumpriu todas as exigências da Lei mosaica (Mt 5.17). Ele foi o único homem a cumprir plenamente a Lei de Deus, sem a transgredir em momento algum (I Pe 2.22). Sua vida de obediência foi necessária para que pudesse oferecer um sacrifício perfeito em favor dos pecadores (Hb 7.26,27).
- A adoção de filhos. A obra do Filho não apenas trouxe perdão, mas também nos concedeu a posição de filhos adotivos (Gl 4.5). Cristo é o único Filho de Deus por natureza (Jo 1.18); e os crentes tornam-se filhos por adoção (Jo 1.12,13). A prática da adoção não fazia parte do sistema legal judaico, mas era comum e bem conhecida entre os gentios. Paulo enfatiza que foi do agrado de Deus inserir no plano da salvação, que os salvos fossem adotados como filhos (Ef 1.5). O “espírito de adoção” habilita os salvos a clamarem “Aba, Pai” (Gl 4.6). Esse termo aramaico (“Aba”, “papai”) empregado na interação entre o Filho e o Pai, indica respeito e confiança (Mc 14.36). Essa adoção e intimidade é aplicada pelo Espírito Santo (Rm 8.15,16), demonstrando novamente a atuação inseparável da Trindade na salvação.
III – A TRINDADE NO PLANO DA SALVAÇÃO
- A vontade do Pai realizada pelo Filho. O Filho veio ao mundo para cumprir a vontade do Pai: “eu desci do céu não para fazer a minha vontade, mas a vontade daquele que me enviou” (Jo 6.38). Essa vontade, segundo Cristo, é que nenhum daqueles que o Pai lhe deu se perca, mas tenham a vida eterna (Jo 6.39,40). A obediência de Jesus é perfeita, revelando plena submissão ao Pai. Ele mesmo testifica: “porque eu faço sempre o que lhe agrada” (Jo 8.29). Essa obediência alcançou o clímax na entrega voluntária de sua vida por amor: “sendo obediente até a morte e morte de cruz” (Fp 2.8). Por meio de sua vida sem pecado e morte sacrificial, a justiça de Deus foi plenamente satisfeita (Rm 3.24-26). Em Cristo, vemos a expressão sublime da obediência, do amor e da unidade perfeita na Trindade.
- A mediação exclusiva do Filho. O Filho é o único caminho de acesso ao Pai: “Eu sou o caminho, e a verdade, e a vida. Ninguém vem ao Pai senão por mim” (Jo 14.6). Esse acesso é exclusivo porque Ele é a revelação plena do Pai (Jo 1.18), e o único que pode satisfazer a justiça divina mediante o seu sacrifício no Calvário (Hb 9.15). A exclusividade da mediação de Cristo está enraizada na estrutura trinitária. O Pai enviou o Filho (Jo 3.16), e o Espírito Santo testifica do Filho (Jo 15.26). Assim, o caminho para o Pai passa necessariamente pela aceitação do Filho, conforme ensina as Escrituras: “Porque há um só Deus e um só mediador entre Deus e os homens, Jesus Cristo, homem” (I Tm 2.5). Desse modo, a salvação ocorre unicamente por meio da fé em Cristo (At 4.12).
- A aplicação da salvação pelo Espírito. O Espírito Santo, chamado de Consolador e Espírito da verdade, foi enviado pelo Pai e pelo Filho. Jesus disse que o Espírito viria para convencer o mundo “do pecado, e da justiça, e do juízo” (Jo 16.8-11). É o Espírito que ilumina a mente para o conhecimento de Deus (II Co 4.6), ensina a verdade (Jo 14.26), regenera os pecadores (Tt 3.5), sela os que creem (Ef 1.13), opera a santificação progressiva (II Ts 2.13), e assegura a perseverança dos crentes (Fp 1.6). Além disso, o Espírito glorifica o Filho, pois foi enviado para testificar de Cristo (Jo 15.26), revelando sua Pessoa e obra ao coração humano. O Espírito nunca age independentemente do Filho ou do Pai. Sua missão é, intrinsecamente, a de exaltar a glória do Deus Triúno (Jo 16.13,14).
CONCLUSÃO
O envio do Filho pelo Pai revela o amor eterno e soberano de Deus e destaca a perfeita unidade da Trindade na obra da salvação. Deus não apenas amou o mundo, mas agiu em favor dele, enviando seu Filho no tempo certo, para redimir os pecadores. O Filho, em obediência plena, realizou a redenção; e o Espírito Santo, em sua atuação eficaz, aplica a salvação ao coração dos crentes. Conhecer essa verdade fortalece nossa fé e nos convida a adorar com gratidão o Deus Triúno que nos salvou.
Postado por: Pr. Ademilson Braga
Fonte: Revista CPAD
