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O caráter da pregação de Paulo

EBD – Jovens – EDIÇÃO: 18– 2º Trimestre – Ano: 2021 – Editora: CPAD

LIÇÃO – 05– 02 de maio de 2021

TEXTO DO DIA

“A minha palavra e a m minha pregação não consistiram em palavras persuasivas de sabedoria humana, mas em demonstração do Espírito e de poder” (I Co 2.4)

AGENDA DE LEITURA

Segunda-feira – I Co 2.4

A pregação de Paulo

Terça-feira – I Co 2.5

Nossa fé não deve se apoiar em sabedoria dos homens

Quarta-feira – I Co 2.9,10

O que Deus preparou para aqueles que amam

Quinta-feira – I Co 2.14

O que homem natural não compreende

Sexta-feira – I Co 2.15

O homem espiritual tem discernimento

Sábado – I Co 2.16

Nós temos a mente de Cristo

SINTESE

O poder da pregação não está no conhecimento secular ou no desempenho da oratória, mas na fidelidade à mensagem do Evangelho, que pode transformar a vida de todo aquele que crê.

TEXTO BÍBLICO

I Coríntios 2.1-13

1 E eu, irmãos, quando fui ter convosco, anunciando-vos o testemunho de Deus, não fui com sublimidade de palavras ou de sabedoria.

2 Porque nada me propus saber entre vós, senão a Jesus Cristo e este crucificado.

3 E eu estive convosco em fraqueza, e em temor, e em grande tremor.

4 A minha palavra e a minha pregação não consistiram em palavras persuasivas de sabedoria humana, mas em demonstração do Espírito e de poder.

5 Para que a vossa fé não se apoiasse na sabedoria dos homens, mas no poder de Deus.

6 Todavia, falamos sabedoria entre os perfeitos; não, porém, a sabedoria deste mundo, nem dos príncipes deste mundo, que se aniquilam.

7 Mas falamos da sabedoria de Deus, oculta em mistério, a qual Deus ordenou antes dos séculos para nossa glória.

8 A qual nenhum dos príncipes deste mundo conheceu; porque, se a conhecessem, nunca crucificariam ao Senhor da glória.

9 Mas, como está escrito: As coisas que o olho não viu, e o ouvido não ouviu, e não subiram ao coração do homem são as que Deus preparou para os que o amam.

10 Mas Deus nos revelou pelo seu Espírito; porque o Espírito penetra todas as coisas, ainda as profundezas de Deus,

11 Porque qual dos homens sabe as coisas do homem, senão o espírito do homem, que nele está? Assim também ninguém sabe as coisas de Deus, senão o Espírito de Deus.

12 Mas nós não recebemos o espírito do mundo, mas o Espírito que provém de Deus, para que pudéssemos conhecer o que nos é dado gratuitamente por Deus.

13 As quais também falamos, não com palavras de sabedoria humana, mas com as que o Espírito Santo ensina, comparando as coisas espirituais com as espirituais.

INTRODUÇÃO

Nesta lição, veremos que, embora o apóstolo Paulo tenha tido uma boa formação educacional e religiosa, seu compromisso com o apóstolo de Cristo era com a mensagem do Evangelho. Ele não usava de sublimidade de palavras ou de sabedoria humana (v.1). Seu objetivo não era impressionar as pessoas com a sua oratória, mas levar os crentes e seus ouvintes a um conhecimento mais profundo de Jesus Cristo. Constataremos que, mesmo caluniado e ofendido pelos “sábios” da igreja de Corinto , ele não usou suas habilidades humanas para se defender ou vangloriar, mas se ocupou em apresentar a mensagem simples e genuína do Evangelho de Cristo.

I – PAULO ERA CAPACITADO E CHAMADO POR DEUS

1. A formação religiosa de Paulo no judaísmo. Como todo judeu, ele recebeu uma educação familiar e também na sinagoga, estudando algumas disciplinas seculares, além do Pentateuco. Aprendeu o hebraico e certamente o aramaico, Provavelmente entre o final de sua adolescência e o início da juventude, Paulo foi de Tarso a Jerusalém para ser instruído pelo mestre fariseu mais reconhecido da época, Gamaliel (At 22.3). Gamaliel foi membro do sinédrio e um dos rabinos mais respeitados em Jerusalém.
A religiosidade e o rigor ao cumprimento da lei o transformaram em perseguidor dos seguidores de Cristo, entendendo estar fazendo a vontade de Deus (I Co 15.9; Gl 1.13,14; Fp 3,6). Com todo o seu conhecimento intelectual e religioso, o apóstolo teve a experiência mais profunda com Deus no caminho para Damasco (At 9). Ali teve um encontro com Jesus Cristo e conheceu verdadeiramente o Deus que ele pensava conhecer.

2. A formação educacional e ministerial de Paulo. Como judeu da diáspora, também recebeu a educação helenista em uma escola grega. Tarso era uma cidade importante e tinha uma das três maiores universidades do mundo na época. Dela saíram vários filósofos da escola estoica e manteve a tradição retórica até o século II d. C. Quanto à sua formação ministerial, após sua conversão no caminho para Damasco, ele se dirigiu à Arábia (Gl 1.17). Em seguida retornou para Damasco e ficou nessa cidade por três anos (Gl 1.17,18).
Depois subiu para Jerusalém e ficou ali por um período de quinze dias na companhia dos apóstolos Pedro e Tiago (Gl 1.18-20). Depois ele viajou para Síria e Cilícia (Gl 1.21) e, após esse período de preparação, foi enviado pela igreja de Jerusalém , juntamente com Barnabé, para Antioquia. O apóstolo não era um aventureiro; ele teve um longo processo de capacitação antes de assumir maiores responsabilidades no ministério.

3. A autoridade do apostolado. Quando escreveu aos Gálatas, Paulo afirmou que o seu chamado, a exemplo de outros profetas do Antigo Testamento, se deu quando ele ainda estava no ventre de sua mãe. Isso não quer dizer que o apóstolo sabia desde o início que seu chamado seria com os gentios, mas que Deus, na sua presciência, já o sabia. Paulo assevera que entendeu o seu chamado quando o Senhor revelou a ele o seu próprio Filho, Jesus. Dessa forma, ele argumenta que não fora chamado pelos apóstolos, mas pessoalmente, pelo Jesus ressurreto, defendendo assim a legitimidade de seu apostolado. Esse relato é relevante quando se avalia a autoridade do seu apostolado e de seus escritos, inspirados pelo Todo-Poderoso. Ele defendia a legitimidade de seu apostolado devido aos questionamentos dos falsos mestres. Estes queriam denegrir sua imagem e sua mensagem.

II – A CONFIANÇA DE PAULO NÃO ESTAVA EM SEU INTELECTO

1. Paulo reconhecia que a sua capacidade vinha de Deus. O apóstolo adquiriu uma grande experiência de vida e ministério ao longo de décadas de serviço ao Evangelho. Ele também aprendeu muito por intermédio dos sofrimentos e das decepções. Paulo passou por uma transformação de vida, de caráter e de pensamento depois do encontro com Jesus na estrada de Damasco. Ele não se envergonhava do Evangelho e não se deixava abater diante das perseguições e sofrimentos.
Apesar das dificuldades e sofrimentos por amor ao Evangelho, ele mantinha a firmeza de sua fé, pois tinha convicção de sua comunhão com Deus, chamado e esperança da vida eterna com o Pai Celeste após a morte. Com toda sua experiência intelectual e ministerial, o apóstolo dos gentios reconhecia sua dependência de Deus. Ele buscava com humildade glorificar o nome do Senhor em todas as áreas de sua vida.

2. Paulo não usava nenhum tipo de ostentação humana (vv.1-5). No capítulo 2, Paulo continua no mesmo tom fraterno com seus leitores e mais uma vez os chama de irmãos. Ele faz seus destinatários lembrarem, juntamente com ele, da última vez que esteve presente com os irmãos. O apóstolo relembra que não estava preocupado em demonstrar que era forte ou dono de si; pelo contrário, com fraqueza, temor e grande tremor ele estava buscando a edificação da Igreja do Senhor.
Fazendo questão de não ser venerado pela sua sabedoria, mas apontando para o poder de Deus. A fé de seus ouvintes não deveria ser construída sobre o alicerce da sabedoria ou poder de homem, mas sobre a sabedoria e o poder de Deus. O apóstolo Paulo certamente agiria de maneira contrária a muitos pregadores dos dias atuais, que se parecem mais com os adversários dele em Corinto. Estes gostam de chamar atenção para si e demonstrar um conhecimento que não tem.

3. Paulo confiava na revelação do mistério da sabedoria de Deus (vv. 6-9). A cultura grega era influente na igreja de Corinto. Para os gregos, a busca pela sabedoria somente era possível com muita investigação, averiguação e questionamentos a respeito da verdade. Algo que não era para qualquer um, mas sim para a elite da sociedade helênica. Paulo conhecia bem a cultura grega, mas depois de sua conversão a Jesus Cristo ele descobriu onde está a fonte da verdadeira sabedoria, que tem em Cristo sua maior revelação.
O autor da Carta aos Hebreus afirma que Cristo é o esplendor da expressa imagem da glória do Pai (Hb 1.3). Como um sábio grego poderia aceitar isso, um homem que foi condenado como criminoso, teve a morte mais humilhante e, agora, ser a expressão exata de Deus?

III – TUDO QUE PRECISAMOS SABER PARA RECEBERMOS A SALVAÇÃO 

1. A revelação do Espírito Santo a respeito da mensagem da cruz (vv. 10,11). O poder de Deus para a salvação da humanidade não é uma mensagem secreta. Todos podem ter acesso a essa mensagem. Trata -se do plano divino para a redenção da humanidade por meio do sacrifício de Cristo, que se revela pela pregação do Evangelho. No entanto, nem todas as pessoas conseguem compreender o processo da encarnação e ressurreição de Jesus, que garante a nossa salvação e justificação.
Essa era a situação dos sábios gregos. Para o homem natural, especialmente os gregos, crer na vitória da cruz era uma vergonha e maldição. Isso é o que o apóstolo Paulo chamava de loucura da pregação para esse homem. Assim, só oEspírito Santo pode regenerar o coração do homem natural e fazê-lo compreender e aceitar a mensagem da cruz. 

2. Disposição para receber o Espírito de Deus (vv. 12,13). O apóstolo Paulo coloca de um lado os que receberam o espírito do mundo; do outro, os que receberam o Espírito Santo que vem de Deus. O espírito do mundo é o sistema organizado com base na injustiça e na corrupção. Esse era o modelo do império romano com suas ramificações no patronato e na elite da sociedade grega.
Quem recebe esse espírito não se submete a ser conduzido pelo Espírito Santo de Deus, pois teria que abdicar de muitos dos prazeres desfrutados sem medida e ter uma disciplina ética e moral. A paixão e a concupiscência do ser humano o impedem de receber o Espírito de Deus. Por isso, Paulo diz que os que receberam o Espírito de Deus são ensinados por Ele e, assim, vivem as realidades espirituais e podem discernir a vida sob a sabedoria de Deus. Mas para aprender é preciso ter disposição e vontade para se submeter ao mestre que ensina.

3. O salvo tem a mente de Cristo (vv. 14-16). Na igreja de Corinto existia um grupo de pessoas que se consideravam espirituais com base na sabedoria humana e consideravam os demais como crianças espirituais. O apóstolo rebate esses membros dizendo que se eles questionavam a mensagem da cruz de Cristo e a consideravam loucura, então na realidade eram homens naturais e, por isso, não compreendiam “as coisas do Espírito de Deus” (v. 14).
Desse modo, eles não poderiam compreender o ensinamento do apóstolo, porque eles não eram espirituais. Paulo conclui o seu diálogo citando o profeta Isaías (Is 40.13,14): “Quem guiou o Espírito do Senhor? E que conselheiro o ensinou? Com quem tomou conselho, para que lhes desse entendimento Assim, quem é um cristão maduro vive na unidade do Espírito e tem a mente de Cristo (v.16).

CONCLUSÃO

O apóstolo teve sua formação educacional e religiosa em duas das principais cidades de sua época (Társis e Jerusalém) e os melhores mestres, incluindo sua formação religiosa aos pés do principal rabino do judaísmo, o Gamaliel. Ele não se vangloriava disso, mas de sua experiência de conversão, de sua disposição para receber o espírito de Deus e ter a mente de Cristo. Essa experiência com a sabedoria de Deus, o Evangelho de Cristo, que ele anunciava.

Postado por: Pr. Ademilson Braga

Fonte: Editora CPAD

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