{"id":5660,"date":"2018-12-06T14:27:54","date_gmt":"2018-12-06T17:27:54","guid":{"rendered":"http:\/\/www.searadecristo.com.br\/portal\/?p=5660"},"modified":"2020-12-23T13:20:08","modified_gmt":"2020-12-23T16:20:08","slug":"o-perigo-da-indiferenca-espiritual","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.searadecristo.com.br\/portal\/o-perigo-da-indiferenca-espiritual\/","title":{"rendered":"O perigo da indiferen\u00e7a espiritual"},"content":{"rendered":"<p><strong>LI\u00c7\u00c3O \u2013 335 <\/strong>\u2013 02 de dezembro de 2018<\/p>\n<p><strong>TEXTO \u00c1UREO<\/strong><\/p>\n<p>\u201cV\u00f3s sereis meus amigos, se fizerdes o que eu vos mando\u201d<strong> (Jo 15.14).<\/strong><\/p>\n<p><strong>VERDADE PR\u00c1TICA<\/strong><\/p>\n<p>As palavras dos filhos de Deus devem condizer com aquilo que eles praticam.<\/p>\n<p><strong>INTRODU\u00c7\u00c3O<br \/>\n<\/strong><br \/>\nNa li\u00e7\u00e3o de hoje estudaremos uma par\u00e1bola conhecida como a \u201cpar\u00e1bola dos dois filhos\u201d (Mt 21.28-32). Uma das curiosidades desta par\u00e1bola \u00e9 que ela ocorre apenas em Mateus. Ela ensina grandes li\u00e7\u00f5es e retrata o perigo da indiferen\u00e7a espiritual e a necessidade de obedecer a vontade de Deus a fim de que possamos ser participantes do Reino. Conforme aprenderemos, quando se fala de obedi\u00eancia ao Senhor, n\u00e3o bastam apenas palavras, pois o que realmente conta \u00e9 se realmente praticamos aquilo que professamos.<\/p>\n<p><strong>I. INTERPRETANDO A PAR\u00c1BOLA DOS DOIS FILHOS<\/strong><\/p>\n<p><strong>O contexto da par\u00e1bola. <\/strong>A par\u00e1bola traz \u00e0 cena um propriet\u00e1rio em busca de trabalhadores para a sua vinha que, desta vez, na narrativa, s\u00e3o seus pr\u00f3prios filhos (v.28). Essa pequena por\u00e7\u00e3o b\u00edblica que cabe em poucos vers\u00edculos, se n\u00e3o for devidamente estudada, pode passar despercebida das pessoas \u201cescondendo\u201d o quanto h\u00e1 de trabalho a ser realizado, sua dura\u00e7\u00e3o ou sua retribui\u00e7\u00e3o, concentrando-se na rea\u00e7\u00e3o contrastante dos dois filhos ao pedido do pai. O primeiro filho diz que n\u00e3o vai obedecer, mas, ao final, arrepende-se e o faz, ao passo que o segundo diz que vai obedecer e n\u00e3o o faz (vv.29,30). O filho que diz que ser\u00e1 obediente \u00e0 vontade do pai, nessa par\u00e1bola, representa Israel, que n\u00e3o fez a vontade de Deus (Rm 10.21). Enquanto isso, o filho que diz que n\u00e3o vai obedecer, representa os publicanos e os pecadores, que, por se arrependerem de seus pecados, t\u00eam o direito de entrar no Reino de Deus antes dos judeus (v.31).<\/p>\n<p><strong>O assentimento puramente verbal. <\/strong>Em algumas vers\u00f5es do texto grego, a ordem do pedido do pai aos filhos aparece diferente, iniciando de forma invertida, isto \u00e9, primeiramente o que disse que aceitaria, mas n\u00e3o foi e, posteriormente, o que n\u00e3o aceitou, mas arrependeu-se e foi. Assim, no vers\u00edculo 30, a resposta \u2014 \u201cEu vou, senhor\u201d \u2014, que n\u00e3o passa de um assentimento puramente verbal, e est\u00e1 aqui em contraste com a recusa indelicada do primeiro filho. Por\u00e9m, como j\u00e1 sabemos, apesar desta concord\u00e2ncia imediata do segundo filho em ir, na pr\u00e1tica, transforma-se em nada, pois ele n\u00e3o obedece, de fato, \u00e0 ordem do pai.<\/p>\n<p><strong>A nega\u00e7\u00e3o verbal. <\/strong>Apesar de o primeiro filho oferecer ao pai uma resposta negativa \u2014 \u201cN\u00e3o quero\u201d \u2014, e de ter se recusado a obedecer \u00e0 ordem num primeiro momento, o texto esclarece com uma adversativa, \u201cmas\u201d seguida do verbo grego metamelomai (que ocorre apenas cinco vezes em o Novo Testamento), cujo significado refere-se a \u201carrepender-se\u201d, \u201cestar arrependido mais tarde\u201d, demonstrando que essa nega\u00e7\u00e3o verbal n\u00e3o representa a verdade, pois o filho, arrependido, foi trabalhar.<\/p>\n<p><strong>Uma ades\u00e3o operativa. <\/strong>Vimos que a mesma ordem do pai obteve respostas diferentes. De fato, os dois filhos representam, de forma emblem\u00e1tica, dois tipos de atitudes. O primeiro deles representa a ades\u00e3o operativa precedida por uma nega\u00e7\u00e3o que \u00e9 apenas verbal. De forma inversa, o segundo tipo de resposta trata-se de um assentimento puramente verbal que n\u00e3o passa \u00e0 a\u00e7\u00e3o. Por isso, logo ap\u00f3s contar essa par\u00e1bola, Jesus pergunta aos l\u00edderes judeus qual dos dois filhos atendeu \u00e0 vontade do pai (v.31a). Eles respondem de forma correta, e o Mestre ent\u00e3o lhes diz que os publicanos e as meretrizes entrariam adiante deles no Reino de Deus (v.31). O Senhor disse isso porque, da mesma forma que no caso dos filhos, ao longo do minist\u00e9rio de Jesus, muitos publicanos, meretrizes e pecadores de toda esp\u00e9cie tomaram a atitude da ades\u00e3o operativa. Passaram boa parte de suas vidas negando verbalmente a fazer a vontade de Deus, mas quando tiveram a oportunidade de arrepender-se, acabaram obedecendo, de fato, ao Senhor. Mais que um assentimento verbal, mais que votos ou promessas, as Escrituras Sagradas nos exortam a aderirmos, na pr\u00e1tica, a vontade do Pai e a sermos obedientes a Ele. S\u00f3 assim seremos participantes do Reino de Deus.<\/p>\n<p><strong>II. QUANDO AS PALAVRAS N\u00c3O SE COADUNAM COM A PR\u00c1TICA<\/strong><\/p>\n<p><strong>Palavras est\u00e9reis. <\/strong>A obedi\u00eancia ao Senhor n\u00e3o consiste em proferir palavras est\u00e9reis e religiosas, mas em praticar a verdade revelada na Palavra de Deus de forma concreta e precisa (Mt 7.21). Os representantes da antiga e longa tradi\u00e7\u00e3o judaica estavam ali diante do Mestre para demonstrar de maneira bem clara o que a par\u00e1bola retratava, pois n\u00e3o tiveram dificuldade alguma para responder a indaga\u00e7\u00e3o de Jesus: \u201cQual dos dois fez a vontade do pai?\u201d (v.31a). O Senhor coloca-os frente a frente com a verdade de modo que, ao responderem corretamente, eles pronunciaram um ju\u00edzo de condena\u00e7\u00e3o contra si pr\u00f3prios, pois o tipo de resposta que eles d\u00e3o a Deus os identificam com o filho que contradisse com um n\u00e3o de fato e um sim apenas dos l\u00e1bios. Eles est\u00e3o no grupo dos religiosos que nada fazem al\u00e9m de pronunciar palavras bonitas, por\u00e9m, descompromissadas.<\/p>\n<p><strong>O arrependimento conduz \u00e0 pr\u00e1tica. <\/strong>Muitas pessoas dizem-se arrependidas, por isso, precisamos compreender o verdadeiro sentido da express\u00e3o \u201carrepender-se\u201d. Em II Cor\u00edntios 7.9 o ap\u00f3stolo Paulo diferencia categoricamente a mera tristeza, estar \u201ccontristado\u201d, do arrependimento ativo, isto \u00e9, estar \u201ccontristado segundo Deus\u201d. O caso de Judas, por exemplo, pelo visto n\u00e3o passara de mero remorso (Mt 27.3-5). Na par\u00e1bola contada por Jesus, o primeiro filho se arrependeu tanto por ter se recusado obstinadamente a obedecer ao seu pai que, imediatamente, foi e obedeceu. A tristeza segundo Deus opera o arrependimento, e o arrependimento produz mudan\u00e7a de atitude, ou seja, conduz \u00e0 pr\u00e1tica.<\/p>\n<p><strong>Palavras e a\u00e7\u00f5es devem se coadunar. <\/strong>Os disc\u00edpulos de Cristo s\u00e3o chamados a manifestarem um estilo de vida, na qual as palavras e as a\u00e7\u00f5es se coadunam, isto \u00e9, n\u00e3o se contradizem, pois expressam uma coisa s\u00f3. No Serm\u00e3o do Monte, Jesus ensina aos seus disc\u00edpulos que o falar destes deve ser: \u201cSim, sim; n\u00e3o, n\u00e3o\u201d (Mt 5.37b). Infelizmente, a pr\u00e1tica de falar e n\u00e3o agir em conformidade \u00e9 um triste reflexo do deca\u00eddo e mau car\u00e1ter humano. Jesus, por\u00e9m, exige honestidade o tempo todo. Como disc\u00edpulos dEle e cidad\u00e3os do Reino, Ele requer uma equival\u00eancia entre aquilo que dizemos e aquilo que vivemos (Sl 15.1-5). N\u00e3o pode haver um padr\u00e3o duplo na vida dos disc\u00edpulos do Mestre, ou seja, dizer uma coisa e fazer outra e vice-versa (Tg 1.25; 2.12).<\/p>\n<p><strong>III. UM CHAMADO A FAZER A VONTADE DE DEUS<\/strong><\/p>\n<p><strong>A impossibilidade da obedi\u00eancia \u00e0 Lei. <\/strong>As pessoas a quem Jesus dirige essa par\u00e1bola estavam de fato muito interessadas em obedecer \u00e0 Lei, j\u00e1 que apenas ouvi-la de nada adiantava (Rm 2.13). Contudo, elas n\u00e3o estavam igualmente preparadas nem para receber Aquele a quem o pr\u00f3prio Deus enviara e muito menos para aceitar que a Lei j\u00e1 havia cumprido o seu papel e um novo concerto estava sendo institu\u00eddo (Jo 1.11; Mt 26.28; Gl 3.23-25; Hb 8.13). Talvez as pessoas desconhecessem que n\u00e3o se pode praticar apenas uma parte da vontade de Deus (Tg 2.10). Assim, a obedi\u00eancia a uma parte da Lei, acrescida da rejei\u00e7\u00e3o a Cristo, terminavam descambando para o legalismo e, na par\u00e1bola que estamos estudando, tais atitudes equivalem a um \u201csim\u201d meramente verbal, contrariando os fatos e, por conseguinte, a vontade de Deus (Jo 5.39-47).<\/p>\n<p><strong>A f\u00e9 desobediente. <\/strong>Certamente que entre os que ouviam a par\u00e1bola, encontravam-se tamb\u00e9m muitos publicanos, meretrizes e pecadores que, ao contr\u00e1rio dos outros, alinhavam-se aos religiosos que n\u00e3o se arrependeram de seus pecados de forma leg\u00edtima e aut\u00eantica. Eles estavam dispostos a receber algo de Jesus, mas n\u00e3o estavam interessados em obedecer a vontade de Deus. Se os religiosos s\u00e3o legalistas, estes segundos s\u00e3o os participantes do que poder\u00edamos chamar de \u201cgra\u00e7a barata\u201d. Por\u00e9m, como vimos anteriormente, o verdadeiro arrependimento conduz \u00e0 mudan\u00e7a de atitude. Quem possui uma f\u00e9 genu\u00edna, sem d\u00favida, desejar\u00e1 cumprir a vontade de Deus, ou seja, \u201cescutar\u00e1\u201d suas palavras (Jo 8.47).<\/p>\n<p><strong>O disc\u00edpulo faz a vontade de Deus. <\/strong>Em Jo\u00e3o 15.14, Jesus \u00e9 enf\u00e1tico ao ensinar que n\u00f3s seremos seus amigos se fizermos o que Ele manda. Fazer a vontade de Deus era o eixo sobre o qual, supostamente, girava toda a religi\u00e3o de Israel. A Lei, ensinada pelos l\u00edderes religiosos da na\u00e7\u00e3o, era a express\u00e3o clara e escrita dessa vontade. Contudo, agora chegamos a uma revela\u00e7\u00e3o plena e perfeita da vontade de Deus atrav\u00e9s de Jesus Cristo (Hb 1.1-4). Ele anuncia a vinda do Reino e chama \u00e0 convers\u00e3o (Mt 4.17). Por isso, a vontade de Deus passa, afinal, atrav\u00e9s da Pessoa de Cristo Jesus. O Pai quer que os homens recebam aquEle que Ele enviou, pois quem receb\u00ea-lo receber\u00e1 o pr\u00f3prio Pai (Mt 10.40; Rm 10.9). N\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel obedecer \u00e0 Lei sem receber a Cristo, pois Ele \u00e9 o cumprimento da Lei (Rm 10.4). Tamb\u00e9m n\u00e3o se trata de desejar a Cristo, mas n\u00e3o querer obedecer a seus ensinos, pois os que realmente desejam a Ele e querem ser seus amigos, obedecem ao que Ele manda (Jo 15.14).<\/p>\n<p><strong>CONCLUS\u00c3O\u00a0<\/strong><br \/>\nPor interm\u00e9dio da par\u00e1bola que estudamos hoje precisamos compreender o perigo da indiferen\u00e7a espiritual. Alguns pensam que podem confessar que amam a Deus com seus l\u00e1bios e, ao mesmo tempo, viverem com o cora\u00e7\u00e3o distante dEle. Pensam poder encontrar a Deus prescindindo de Cristo. Outros h\u00e1 que supostamente vivem na austeridade da Lei, mas n\u00e3o querem receber a Jesus. A obedi\u00eancia deve estar ligada \u00e0 vontade de Deus. Para sair da indiferen\u00e7a espiritual, o ser humano precisa receber aquEle que Deus enviou ao mundo. A Pessoa de Cristo separa de forma bastante clara a humanidade perdida, composta at\u00e9 mesmo por religiosos que dizem fazer a vontade de Deus, mas n\u00e3o a fazem, daqueles que ser\u00e3o admitidos no Reino. O caminho \u00e9 arrepender-se demonstrando isso com a consequente mudan\u00e7a de atitude, em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 obedi\u00eancia a Deus.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Postado por: <\/strong>Pr. Ademilson Braga<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>LI\u00c7\u00c3O \u2013 335 \u2013 02 de dezembro de 2018 TEXTO \u00c1UREO \u201cV\u00f3s sereis meus amigos, se fizerdes o que eu vos mando\u201d (Jo 15.14). VERDADE PR\u00c1TICA As palavras dos filhos de Deus devem condizer com aquilo que eles praticam. 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