{"id":5647,"date":"2018-11-10T22:15:10","date_gmt":"2018-11-11T01:15:10","guid":{"rendered":"http:\/\/www.searadecristo.com.br\/portal\/?p=5647"},"modified":"2020-12-23T13:20:08","modified_gmt":"2020-12-23T16:20:08","slug":"sinceridade-e-arrependimento-diante-de-deus","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.searadecristo.com.br\/portal\/sinceridade-e-arrependimento-diante-de-deus\/","title":{"rendered":"Sinceridade e arrependimento diante de Deus"},"content":{"rendered":"<p><strong>LI\u00c7\u00c3O \u2013 332 <\/strong>\u2013 11 de novembro de 2018<\/p>\n<p><strong>TEXTO \u00c1UREO<\/strong><\/p>\n<p>\u201cE o que a si mesmo se exaltar ser\u00e1 humilhado; e o que a si mesmo se humilhar ser\u00e1 exaltado\u201d<strong> (Mt 23.12).\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>VERDADE PR\u00c1TICA\u00a0<\/strong><\/p>\n<p>Cuidado com o orgulho e a arrog\u00e2ncia espiritual, pois ambos s\u00e3o pecados perante Deus e devem ser confessados e abandonados.<\/p>\n<p><strong>INTRODU\u00c7\u00c3O\u00a0<\/strong><\/p>\n<p>Talvez a par\u00e1bola do fariseu e do publicano seja uma das mais conhecidas. Ela mostra que a depend\u00eancia humilde diante de Deus, em vez de justi\u00e7a pr\u00f3pria, \u00e9 a base para a resposta de ora\u00e7\u00e3o. Muitas pessoas acreditam que Deus deve responder suas ora\u00e7\u00f5es com base naquilo que elas fazem para Ele. Contudo, na contram\u00e3o da meritocracia religiosa, e dentro da gloriosa gra\u00e7a de Deus, que faz cair chuva sobre justos e injustos (Mt 5.45), a li\u00e7\u00e3o de hoje nos ensina que o que Deus quer \u00e9 que nossas ora\u00e7\u00f5es sejam permeadas de sinceridade e arrependimento. Quando oramos a Deus, devemos confiar em quem Ele \u00e9, e n\u00e3o em quem n\u00f3s somos. Jesus ensina que s\u00e3o felizes os humildes de esp\u00edrito (Mt 5.3), aqueles que reconhecem a sua real condi\u00e7\u00e3o diante de Deus. Por isso, hoje vamos falar sobre a sinceridade e o arrependimento para com o Senhor.<\/p>\n<p><strong>I. INTERPRETA\u00c7\u00c3O DA PAR\u00c1BOLA DO FARISEU E DO PUBLICANO<\/strong><\/p>\n<p>Estamos diante de uma par\u00e1bola narrativa indireta simples, ou seja, uma compara\u00e7\u00e3o entre dois personagens opostos \u2014 o fariseu e o publicano \u2014, colocando-os lado a lado. Depois de haver ensinado a respeito da necessidade e do poder da ora\u00e7\u00e3o por meio da par\u00e1bola do \u201cjuiz in\u00edquo\u201d, Jesus conta essa par\u00e1bola com o objetivo de ensinar a atitude correta na hora da ora\u00e7\u00e3o. Agora somos ensinados que, al\u00e9m de perseverarmos na ora\u00e7\u00e3o, \u00e9 preciso uma atitude correta.<\/p>\n<p><strong>O fariseu. <\/strong>Pertencente a uma das principais seitas dos judeus, muito mais numerosa do que a dos saduceus, e de mais influ\u00eancia entre o povo, os fariseus insistiam no cumprimento rigoroso da Lei e das tradi\u00e7\u00f5es dos anci\u00e3os (Mt 15.1,2). Fariseu significa \u201cseparado\u201d. Esta classe de pessoas assim era identificada porque n\u00e3o somente se separava dos outros povos, mas tamb\u00e9m dos outros judeus. Eles observavam as pr\u00e1ticas de forma minuciosa, contudo, esqueciam do esp\u00edrito da Lei, como se nota na forma como se lavavam antes de fazer as refei\u00e7\u00f5es, no lavar dos copos, jarros, os vasos de metal e as roupas de cama (Mc 7.3,4), em pagar cuidadosamente o d\u00edzimo (Mt 23.23), na observ\u00e2ncia do s\u00e1bado, etc.<\/p>\n<p><strong>O publicano. <\/strong>Os publicanos, geralmente judeus, eram cobradores de impostos que trabalhavam para os romanos. Os judeus consideravam os publicanos traidores e ap\u00f3statas, porque cobravam os impostos para a na\u00e7\u00e3o que os oprimia. Eles eram julgados como pessoas de vil car\u00e1ter, porque alguns tamb\u00e9m acabavam extorquindo grandes quantias de dinheiro do seu pr\u00f3prio povo (Lc 3.12,13; 19.8). Os publicanos sempre eram classificados entre os pecadores (Mt 9.10,11), os pag\u00e3os e as meretrizes (Mt 21.31). O povo murmurava pelo fato de Jesus comer com eles (Mt 9.11; 11.19; Lc 5.29; 15.1,2). Chama a aten\u00e7\u00e3o o fato de Jesus ter escolhido um publicano, Mateus, para segui-lo, tornando-se ap\u00f3stolo (Mt 9.9).<\/p>\n<p><strong>A ora\u00e7\u00e3o. <\/strong>Os judeus da cidade de Jerusal\u00e9m tinham o costume de fazer ora\u00e7\u00f5es nas horas costumeiras (9 da manh\u00e3 e 15 da tarde). Entretanto, mesmo fora dos hor\u00e1rios regulares havia pessoas orando no Templo (Lc 2.37; At 22.17). Um fariseu e um publicano subiram ao Templo com o fim de orar \u00e0 mesma hora. Como j\u00e1 foi dito, nos aspectos religioso e moral reinava no juda\u00edsmo daquela \u00e9poca uma grande dist\u00e2ncia entre essas duas classes do povo. O fariseu, como vimos, era tido como um homem que cumpria a Lei com rigor exemplar. O outro, publicano, era considerado uma pessoa que vivia em grandes pecados e v\u00edcios, sendo mesmo equiparado aos gentios. Essas duas figuras est\u00e3o orando juntas \u00e0 mesma hora no Templo. \u00c9 o que informa a par\u00e1bola.<\/p>\n<p><strong>II. A HIPOCRISIA DO FARISEU\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><strong>A postura do fariseu no momento da ora\u00e7\u00e3o. <\/strong>Inicialmente a par\u00e1bola contada por Jesus se det\u00e9m no fariseu, com o objetivo de dizer como este formulava a sua ora\u00e7\u00e3o. De acordo com uma das interpreta\u00e7\u00f5es, o fariseu postou-se em local isolado e ali orou (Lc 18.11). O texto enfatiza a posi\u00e7\u00e3o distinta, separada, do fariseu. Ele postou-se de maneira que chamava a aten\u00e7\u00e3o e atra\u00eda sobre si todos os olhares dos presentes (Mt 6.5). Ele ora como todos os devotos judeus: de p\u00e9, com os bra\u00e7os erguidos e a cabe\u00e7a levantada. Ele agradece a Deus. Esta \u00e9 a forma cl\u00e1ssica da ora\u00e7\u00e3o b\u00edblica judaica: o louvor e o agradecimento a Deus. O fariseu, antes de tudo, agradece a Deus por estar isento dos v\u00edcios dos outros homens, e em seguida porque \u00e9 rico em obras merit\u00f3rias.<\/p>\n<p><strong>Uma \u201cora\u00e7\u00e3o comum\u201d. <\/strong>Tudo indica que o tipo de ora\u00e7\u00e3o que encontramos no texto, apesar de transparecer arrogante, n\u00e3o era completamente desconhecido, pois h\u00e1 relatos na literatura rab\u00ednica do juda\u00edsmo de que tal comportamento era comum. Alguns autores mostram exemplos de ora\u00e7\u00f5es cujo teor \u00e9 similar \u00e0 do fariseu da par\u00e1bola. Isso, por\u00e9m, n\u00e3o justifica a atitude e nem a torna aceit\u00e1vel.<\/p>\n<p><strong>A ora\u00e7\u00e3o arrogante. <\/strong>O fariseu diz a respeito de si mesmo o que era rigorosamente verdadeiro, mas o que o motivava a orar era completamente errado. N\u00e3o existe nenhuma consci\u00eancia do pecado, nem da necessidade, nem da humilde depend\u00eancia de Deus. O fariseu quase que comete a loucura de \u201cparabenizar\u201d a Deus por ter um servo t\u00e3o excelente como ele! Depois de suas primeiras palavras, n\u00e3o se lembra mais de Deus, mas apenas de si mesmo. O centro de sua ora\u00e7\u00e3o \u00e9 o que ele faz. A ora\u00e7\u00e3o do fariseu inicialmente mostra quem ele \u00e9. Em seguida, ele passa a destacar as obras excedentes, ou seja, \u201ca mais\u201d que ele realiza. Excedia o jejum prescrito na Lei, o \u201cDia da Expia\u00e7\u00e3o\u201d, acrescentando \u00e0 pr\u00e1tica anual (Lv 16.29,31; 23.27), mais dois jejuns semanais. Excedia o d\u00edzimo normatizado pela Lei (Lv 27.30,32; Nm 18.21,24), chegando a separar o d\u00edzimo dos \u201ctemperos\u201d ou condimentos (Mt 23.23). Ele realmente \u201cagradece\u201d por ser quem \u00e9, mas, n\u00e3o contente com isso, \u201cagradece\u201d tamb\u00e9m pelo que supostamente faz para Deus.<\/p>\n<p><strong>III. A SINCERIDADE DO PUBLICANO<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><strong>A ora\u00e7\u00e3o do publicano. <\/strong>O cobrador de impostos parece n\u00e3o estar \u00e0 vontade no local de culto. Ele n\u00e3o est\u00e1 apto nem mesmo para assumir o comportamento normal de quem ora. Bate no peito como aquele que est\u00e1 numa situa\u00e7\u00e3o de desespero, suplica com a f\u00f3rmula do pecador que n\u00e3o sabe fazer o elenco de seus pecados (Sl 51.3). \u00c9 a ora\u00e7\u00e3o do pobre que confia totalmente em Deus. Com profunda dor ele exclama: \u201cDeus, tem miseric\u00f3rdia de mim, pecador!\u201d. Nessa breve, por\u00e9m, sincera e humilde ora\u00e7\u00e3o, a \u00eanfase recai sobre a palavra \u201cpecador\u201d.<\/p>\n<p><strong>Sinceridade e arrependimento. <\/strong>Al\u00e9m de golpear o pr\u00f3prio peito, o publicano nem conseguia levantar os olhos. O termo grego utilizado \u00e9 uma express\u00e3o forte e definida para uma contri\u00e7\u00e3o dolorosa e arrependida, tal como aparece em Lucas 23.48. O publicano sequer consegue formular muitas palavras. Nem mesmo fazendo promessas ele conseguiria obter quaisquer direitos. Ele tem consci\u00eancia de sua condi\u00e7\u00e3o, por isso, prostra-se em sinal de sinceridade e arrependimento. A sua condi\u00e7\u00e3o o permite apenas render-se inteiramente \u00e0s m\u00e3os de Deus. \u00c9 poss\u00edvel notar, pelas palavras do fariseu, que todos os seres humanos eram pecadores e \u201capenas\u201d ele era justo. De forma contr\u00e1ria, na confiss\u00e3o do publicano, por\u00e9m, todos eram justos, \u201csomente\u201d ele era o pecador. Nisto tamb\u00e9m vemos a compara\u00e7\u00e3o entre ambos. Na verdade, estamos diante de uma ora\u00e7\u00e3o que sa\u00eda das profundezas de um cora\u00e7\u00e3o completamente dilacerado pela dor.<\/p>\n<p><strong>A ora\u00e7\u00e3o aceita. <\/strong>As pessoas que ouvem atentamente a narra\u00e7\u00e3o de Jesus talvez tivessem esbo\u00e7ado sinais de aprova\u00e7\u00e3o inclinando-se para a atitude do fariseu. Por\u00e9m, num dado momento, o Mestre desconcerta a todos os ouvintes com uma conclus\u00e3o inesperada. O publicano, que era odiado por todos, isto \u00e9, o pecador, recebe o dom de Deus, a justi\u00e7a, ou seja, o perd\u00e3o e a miseric\u00f3rdia divina. J\u00e1 o fariseu, que ostentava a justi\u00e7a perante Deus como conquista pessoal, n\u00e3o obteve o mesmo favor. O publicano recebeu o favor divino como dom misericordioso de Deus. Esta \u00e9 a verdadeira justi\u00e7a, posto ser proveniente de Deus (Rm 1.17). Assim, a ora\u00e7\u00e3o aceita \u00e9 a do publicano. Ela vem permeada de sinceridade e arrependimento diante de Deus. Por isso, ele voltou para casa \u201cjustificado\u201d, ou seja, perdoado e \u201cinocentado\u201d dos seus pecados. O princ\u00edpio por tr\u00e1s de toda a par\u00e1bola est\u00e1 muito claro: aquele que se exalta, ser\u00e1 humilhado. Ningu\u00e9m possui algo de que possa se orgulhar diante de Deus. Quem se humilha, ser\u00e1 exaltado (Lc 14.11). O pecador arrependido que humildemente busca a miseric\u00f3rdia de Deus, certamente, a encontrar\u00e1.<\/p>\n<p><strong>CONCLUS\u00c3O<br \/>\n<\/strong><\/p>\n<p>Na par\u00e1bola que aprendemos na li\u00e7\u00e3o de hoje, o fariseu representa aquele tipo de pessoa que ora bastante, mas n\u00e3o tem uma atitude sincera. O publicano, apesar da classe a que pertence, no momento da ora\u00e7\u00e3o representa aquele tipo de pessoa que, com sinceridade e arrependimento, se prostra diante do Pai e, por isso, encontra favor. Ser\u00e1 que o nosso cora\u00e7\u00e3o, naturalmente, n\u00e3o \u00e9 sempre semelhante ao do fariseu? V\u00ea severamente os pecados de outras pessoas, mas esquece dos pr\u00f3prios. O fariseu deixou o Templo da mesma maneira que entrou nele. Devemos orar como publicanos, pois todos somos pecadores. Devemos orar com sinceridade e arrependimento diante de Deus. Quem se humilhando, curva-se at\u00e9 ao p\u00f3, ser\u00e1 amorosamente conduzido ao cora\u00e7\u00e3o do Pai (Sl 51.17).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Postado por: <\/strong>Pr. Ademilson Braga<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>LI\u00c7\u00c3O \u2013 332 \u2013 11 de novembro de 2018 TEXTO \u00c1UREO \u201cE o que a si mesmo se exaltar ser\u00e1 humilhado; e o que a si mesmo se humilhar ser\u00e1 exaltado\u201d (Mt 23.12).\u00a0 VERDADE PR\u00c1TICA\u00a0 Cuidado com o orgulho e a arrog\u00e2ncia espiritual, pois ambos s\u00e3o pecados perante Deus e devem ser confessados e abandonados. 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