{"id":5641,"date":"2018-11-04T14:53:49","date_gmt":"2018-11-04T17:53:49","guid":{"rendered":"http:\/\/www.searadecristo.com.br\/portal\/?p=5641"},"modified":"2020-12-23T13:20:08","modified_gmt":"2020-12-23T16:20:08","slug":"perseverando-na-fe-2","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.searadecristo.com.br\/portal\/perseverando-na-fe-2\/","title":{"rendered":"Perseverando na f\u00e9"},"content":{"rendered":"<p><strong>LI\u00c7\u00c3O \u2013 330 <\/strong>\u2013 28 de outubro de 2018<\/p>\n<p><strong>TEXTO \u00c1UREO\u00a0<\/strong>\u201cE Deus n\u00e3o far\u00e1 justi\u00e7a aos seus escolhidos, que clamam a ele de dia e de noite, ainda que tardio para com eles?\u201d <strong>(Lc 18.7).<\/strong><\/p>\n<p><strong>VERDADE PR\u00c1TICA<\/strong><\/p>\n<p>Quanto mais perseverarmos na f\u00e9, melhor entenderemos a vontade de Deus.<\/p>\n<p><strong>INTRODU\u00c7\u00c3O\u00a0<\/strong><\/p>\n<p>A perseveran\u00e7a na f\u00e9 \u00e9 uma das exorta\u00e7\u00f5es b\u00edblicas mais urgentes nos dias de hoje. Sobretudo, quando acompanhada da ora\u00e7\u00e3o, pois esta tamb\u00e9m \u00e9 de suma import\u00e2ncia, visto ser a forma de comunica\u00e7\u00e3o vital dos disc\u00edpulos com o Pai soberano nestes tempos perigosos at\u00e9 o estabelecimento final do Reino de Deus. Esta par\u00e1bola, tamb\u00e9m conhecida como a \u201cpar\u00e1bola da vi\u00fava persistente\u201d mostra que a ora\u00e7\u00e3o intermitente em tempos de crise \u00e9 o meio pelo qual os disc\u00edpulos do Reino se valem da justi\u00e7a do Pai a seu favor.<\/p>\n<p><strong>I. INTERPRETANDO A PAR\u00c1BOLA DO JUIZ IN\u00cdQUO<\/strong><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>Uma par\u00e1bola dif\u00edcil. <\/strong>Muitos estudiosos consideram essa par\u00e1bola uma das mais dif\u00edceis. De fato, o modo como algumas B\u00edblias a intitulam, ou seja, quando na ep\u00edgrafe editorial consta, por exemplo, \u201cA par\u00e1bola do juiz in\u00edquo\u201d, t\u00eam levado muitos a fazerem interpreta\u00e7\u00f5es equivocadas sobre a bondade, o amor e a justi\u00e7a de Deus. Contudo, devemos levar em conta o prop\u00f3sito que levou Jesus a contar essa par\u00e1bola. Trata-se de uma par\u00e1bola que, a exemplo de outras que estudamos ao longo desse trimestre, funciona como um contraste. Conforme veremos, ela possui at\u00e9 certo fundamento em seu estilo de acentuar a perseveran\u00e7a, e se faz acompanhar de um chamado ao discernimento (v.6), tr\u00eas afirma\u00e7\u00f5es da defesa graciosa que Deus faz dos seus e \u00e9 conclu\u00edda com um questionamento sobre a exist\u00eancia, ou n\u00e3o, da f\u00e9, quando chegar o tempo em que Deus defender\u00e1 os seus (v.8b).<\/p>\n<p><strong>O juiz. <\/strong>N\u00e3o \u00e9 preciso interpretar, ao p\u00e9 da letra, cada detalhe de todas as par\u00e1bolas. Entretanto, aqui vamos assim proceder com o fim exclusivo de mostrarmos o contexto que se passa na mente dos ouvintes. Tudo indica que na estrutura jur\u00eddica do juda\u00edsmo antigo existiam dois sistemas de tribunais: o judaico e o gent\u00edlico. Por isso, h\u00e1 estudiosos que entendem que o magistrado da par\u00e1bola era um juiz gentio. A Mishn\u00e1 declara que tr\u00eas ju\u00edzes deveriam definir a senten\u00e7a nos casos que envolvessem propriedade. Fl\u00e1vio Josefo fala de tribunais com at\u00e9 sete ju\u00edzes na Galileia. A par\u00e1bola pressup\u00f5e um tribunal com um juiz somente, pois, neste caso, pode tratar-se de um simples recurso para a simplifica\u00e7\u00e3o da narrativa. Na verdade, para entendermos melhor a par\u00e1bola, n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o importante o conhecimento do sistema jur\u00eddico daquele tempo, mas sim nos conscientizar da condi\u00e7\u00e3o desesperadora de muitas vi\u00favas da \u00e9poca que sofriam com ju\u00edzes corruptos ou desumanos.<\/p>\n<p><strong>A vi\u00fava. <\/strong>As vi\u00favas eram reconhecidas pelas suas roupas t\u00edpicas, as quais indicavam sua situa\u00e7\u00e3o (Gn 38.14,19). Naquele tempo as jovens casavam-se no in\u00edcio da adolesc\u00eancia, por isso, apesar de haver muitas vi\u00favas, elas n\u00e3o eram, necessariamente, mulheres de idade avan\u00e7ada. A maioria era deixada sem nenhuma forma de subsist\u00eancia. Se permanecessem na fam\u00edlia do falecido, acabavam numa condi\u00e7\u00e3o inferior, quase servil. Se retornassem para a sua fam\u00edlia de origem, o dinheiro do dote repassado nas negocia\u00e7\u00f5es do seu casamento teria que ser devolvido. Dessa forma, as vi\u00favas em geral ficavam em uma situa\u00e7\u00e3o bastante miser\u00e1vel. Geralmente elas eram vendidas como escravas para a quita\u00e7\u00e3o das d\u00edvidas. Portanto, uma mulher pobre, por causa da morte de seu marido, ficava privada do amparo social e, em caso de controv\u00e9rsias de ordem p\u00fablica, se n\u00e3o tinha dinheiro, precisava confiar na honestidade dos magistrados. Esse \u00e9 o contexto em que devemos ler essa par\u00e1bola.<\/p>\n<p><strong>O caso e a perseveran\u00e7a. <\/strong>A mulher tinha uma causa que deveria ser apresentada a um tribunal da cidade ou a um juiz que resolvesse exclusivamente a quest\u00e3o por via administrativa. Talvez se tratasse de pend\u00eancias judici\u00e1rias ou mesmo d\u00edvidas deixadas pelo seu marido, de hipotecas sobre a heran\u00e7a patrimonial. Apesar de o caso poder enquadrar-se nos in\u00fameros existentes \u00e0 \u00e9poca quando uma mulher tinha de defender seus direitos contra as maldades de um advers\u00e1rio poderoso que, sendo mais importante e influente, est\u00e1 seguro e tranquilo, ela toma uma decis\u00e3o in\u00e9dita, pois n\u00e3o escolhe advogados (talvez sua condi\u00e7\u00e3o nem o permitisse), nem defensores p\u00fablicos, mas contra o costume de seu ambiente, decide apresentar, pessoalmente, a inst\u00e2ncia ao juiz. Este, segundo o relato, \u00e9 um juiz in\u00edquo, isto \u00e9, n\u00e3o teme a Deus. Ela, por\u00e9m, demonstra um cora\u00e7\u00e3o decidido e uma disposi\u00e7\u00e3o muito grande. Tanto que o texto usa a express\u00e3o \u201cmolesta\u201d (v.5) para indicar a perseveran\u00e7a da vi\u00fava diante do juiz. Por isso, ao final, o juiz cede para n\u00e3o ser mais incomodado, isto \u00e9, \u201cmolestado\u201d pela mulher que o importuna.<\/p>\n<p><strong>II. A BONDADE DE UM DEUS JUSTO<\/strong><\/p>\n<p><strong>Deus \u00e9 bom. <\/strong>N\u00e3o \u00e9 novidade o fato de a B\u00edblia estar repleta de textos que demonstram a bondade de Deus. A par\u00e1bola, uma vez mais, refor\u00e7a tal verdade quando o Senhor, retoricamente, questiona: \u201cE Deus n\u00e3o far\u00e1 justi\u00e7a aos seus escolhidos, que clamam a ele de dia e de noite, ainda que tardio para com eles?\u201d (v.7). A bondade de Deus faz com que Ele ou\u00e7a aos seus servos. E n\u00e3o poderia ser diferente, pois Jesus ensinou que se, n\u00f3s, pois, sendo maus, sabemos dar boas coisas aos nossos filhos, \u201cquanto mais vosso Pai que est\u00e1 nos c\u00e9us, dar\u00e1 bens aos que lhe pedirem?\u201d (Mt 7.11). Antes disso o Mestre tamb\u00e9m ensinava sobre a ora\u00e7\u00e3o, dizendo: \u201cPedi, e dar-se-vos-\u00e1; buscai e encontrareis; batei, e abrir-se-vos-\u00e1\u201d (Mt 7.7). Na par\u00e1bola que estamos estudando, encontramos a vi\u00fava clamando, e este \u00e9 o recurso utilizado por Jesus para, mais uma vez, ensinar sobre a ora\u00e7\u00e3o e nos lembrar que Deus \u00e9 bom.<\/p>\n<p><strong>Deus \u00e9 justo. <\/strong>Al\u00e9m da bondade do Pai, o crente sabe que Ele \u00e9 justo. Uma vez mais \u00e9 necess\u00e1rio recordar que a par\u00e1bola n\u00e3o deve ser tomada ao n\u00edvel dos detalhes, pois estes n\u00e3o s\u00e3o o mais importante. O juiz de nossa par\u00e1bola \u00e9 in\u00edquo, injusto; Deus, a quem servimos, por outro lado, \u00e9 justo. Nisto consiste o elemento de contraste dessa par\u00e1bola. Este conhecimento j\u00e1 tinha Abra\u00e3o ao chamar o Senhor de \u201cJuiz de toda a Terra\u201d (Gn 18.25). A justi\u00e7a de Deus \u00e9 t\u00e3o elevada que, assim como a paz de Cristo, excede a todo nosso entendimento (Is 56.1).<\/p>\n<p><strong>Deus assume a nossa causa. <\/strong>Na par\u00e1bola, encontramos uma pobre vi\u00fava pedindo justi\u00e7a, mas o que Jesus est\u00e1 ensinando \u00e9 sobre o dever de orar sempre e nunca desfalecer, isto \u00e9, a perseverar. Assim, ao mesmo tempo em que ensina sobre a ora\u00e7\u00e3o e a perseveran\u00e7a, o Mestre lembra um preceito da Lei, mostrando que Deus assume a nossa causa: \u201cPois o Senhor, vosso Deus, \u00e9 o Deus dos deuses e o Senhor dos senhores, o Deus grande, poderoso e terr\u00edvel, que n\u00e3o faz acep\u00e7\u00e3o de pessoas, nem aceita recompensas; que faz justi\u00e7a ao \u00f3rf\u00e3o e \u00e0 vi\u00fava e ama o estrangeiro, dando-lhe p\u00e3o e veste\u201d (Dt 10.17,18).<\/p>\n<p><strong>III. A PERSEVERAN\u00c7A DA VI\u00daVA \u00c9 UMA IMAGEM PARA N\u00d3S<\/strong><\/p>\n<p><strong>Ora\u00e7\u00e3o. <\/strong>At\u00e9 que nosso Senhor retorne, infelizmente, viveremos em constante luta contra o pecado (Hb 12.1). Por esse motivo, n\u00e3o devemos desistir de perseverar na ora\u00e7\u00e3o e na s\u00faplica at\u00e9 que alcancemos o alvo (Fp 3.12-14). Ainda durante seu minist\u00e9rio Jesus exortava aos seus disc\u00edpulos a que estivessem de \u201csobreaviso\u201d e que tamb\u00e9m vigiassem e orassem (Mc 13.33 \u2014 ARA). Uma das caracter\u00edsticas distintivas do Evangelho de Lucas \u00e9 a ora\u00e7\u00e3o (3.21; 5.16; 6.12; 9.18,28,29; 10.21,22; 11.1; 22.41-46; 23.46). Ao ensinar a respeito do Esp\u00edrito Santo, Lucas nos mostra que Deus cumpre o seu prop\u00f3sito. No entanto, exige a atitude certa por parte do povo de Deus que, de acordo com este Evangelho, \u00e9 a ora\u00e7\u00e3o. Vemos Jesus orando antes de cada grande crise da sua vida, ou seja, chegando a orar pelos seus agressores (Lc 23.34). Por ser um homem de ora\u00e7\u00e3o, Jesus exortou seus disc\u00edpulos a fazerem o mesmo (Lc 11.2; 22.40,46). \u00c9 importante lembrar que Jesus advertiu contra o tipo err\u00f4neo de ora\u00e7\u00e3o (Lc 20.47).<\/p>\n<p><strong>Perseveran\u00e7a. <\/strong>Al\u00e9m de orar, \u00e9 necess\u00e1rio compreender que a ora\u00e7\u00e3o deve vir acompanhada de perseveran\u00e7a. A exorta\u00e7\u00e3o \u00e0 ora\u00e7\u00e3o persistente est\u00e1 estreitamente ligada \u00e0 expectativa da volta do Senhor. O texto de Lucas 17.22 nos alerta de maneira bastante clara a respeito do tipo de ora\u00e7\u00e3o e do perigo de esmorecimento na pr\u00e1tica de orar a qual se tem em mira aqui. Deus quer ser buscado de forma incessante e persistente pelos seus, pois a perseveran\u00e7a levar\u00e1 em conta o tempo de espera como um meio para aclarar e purificar a nossa vida no aprendizado das coisas de Deus.<\/p>\n<p><strong>F\u00e9. Somos, da mesma forma, exortados a perseverar na f\u00e9. <\/strong>A par\u00e1bola conclui com uma pergunta: \u201cQuando, por\u00e9m, vier o Filho do Homem, porventura, achar\u00e1 f\u00e9 na terra?\u201d (v.8b). Jesus refere-se aqui \u00e0 f\u00e9 da s\u00faplica incessante, que n\u00e3o esmorece, ou seja, \u00e0 f\u00e9 perseverante. A pr\u00f3pria interroga\u00e7\u00e3o traz uma conex\u00e3o direta com a par\u00e1bola, pois questiona se o Filho ir\u00e1 encontrar uma f\u00e9 persistente como a da vi\u00fava. Esta f\u00e9 \u00e9 aquela que, em meio \u00e0s dificuldades e \u00e0s persegui\u00e7\u00f5es, transforma-se em fidelidade e coragem para testemunhar diante dos homens (Lc 9.26; 12.9). A fim de preservarmos este tipo de f\u00e9, precisamos cultivar uma vida de ora\u00e7\u00e3o constante e persistente.<\/p>\n<p><strong>CONCLUS\u00c3O\u00a0<\/strong><\/p>\n<p>A interpreta\u00e7\u00e3o dessa par\u00e1bola como um ensino sobre a ora\u00e7\u00e3o persistente tem sido a melhor interpreta\u00e7\u00e3o ao longo da hist\u00f3ria da igreja. A vi\u00fava que, com sua insist\u00eancia, constrange o juiz \u00e0 interven\u00e7\u00e3o, \u00e9 um modelo de perseveran\u00e7a na f\u00e9 e na ora\u00e7\u00e3o confiante. Esperar com firmeza e fidelidade a vinda do Filho do Homem, ou seja, a consuma\u00e7\u00e3o da nossa salva\u00e7\u00e3o \u00e9 o melhor incentivo para a ora\u00e7\u00e3o corajosa. No \u201cmundo tereis afli\u00e7\u00f5es\u201d, disse Jesus (Jo 16.33), mas somos convocados a permanentemente invocar a Deus por socorro, pois sempre far\u00e1 justi\u00e7a aos que clamam a Ele. Deus sempre estar\u00e1 junto daqueles que perseveram na f\u00e9 e na ora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Postado por: <\/strong>Pr. Ademilson Braga<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>LI\u00c7\u00c3O \u2013 330 \u2013 28 de outubro de 2018 TEXTO \u00c1UREO\u00a0\u201cE Deus n\u00e3o far\u00e1 justi\u00e7a aos seus escolhidos, que clamam a ele de dia e de noite, ainda que tardio para com eles?\u201d (Lc 18.7). VERDADE PR\u00c1TICA Quanto mais perseverarmos na f\u00e9, melhor entenderemos a vontade de Deus. 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