{"id":5564,"date":"2018-06-16T12:48:00","date_gmt":"2018-06-16T15:48:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.searadecristo.com.br\/portal\/?p=5564"},"modified":"2020-12-23T13:20:27","modified_gmt":"2020-12-23T16:20:27","slug":"etica-crista-e-politica","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.searadecristo.com.br\/portal\/etica-crista-e-politica\/","title":{"rendered":"\u00c9tica crist\u00e3 e pol\u00edtica"},"content":{"rendered":"<p><strong>LI\u00c7\u00c3O \u2013 311 <\/strong>\u2013 17 de junho de 2018<\/p>\n<p><strong>TEXTO \u00c1UREO<\/strong><\/p>\n<p>\u201cPortanto, dai a cada um o que deveis: quem tributo, tributo; a quem imposto, imposto; a quem temor, temor; o quem honra, honra\u201d<strong> (Rm 13.7).<\/strong><\/p>\n<p><strong>VERDADE PR\u00c1TICA<\/strong><\/p>\n<p>A pol\u00edtica faz parte da vida em sociedade. Como o crist\u00e3o n\u00e3o vive isolado, ele deve ter consci\u00eancia pol\u00edtica, sendo sal e luz neste mundo.<\/p>\n<p><strong>INTRODU\u00c7\u00c3O<\/strong><\/p>\n<p>As Escrituras registram a lideran\u00e7a pol\u00edtica de grandes personagens b\u00edblicos, entre eles, Jos\u00e9, o governador do Egito (At 7.9,10); e Ester, a rainha da P\u00e9rsia e da M\u00e9dia (Et 5.2). Contudo, apesar desses exemplos, por muitas d\u00e9cadas a pol\u00edtica foi satanizada no meio evang\u00e9lico. Como resultado, e com sua omiss\u00e3o, a igreja permitiu que o Poder P\u00fablico fosse exercido muitas vezes por ateus, \u00edmpios e imorais. Esse comportamento contribuiu com a elei\u00e7\u00e3o, por exemplo, de governos contr\u00e1rios \u00e0 cultura judaico-crist\u00e3. Para mudar esse quadro faz-se necess\u00e1rio que a igreja amadure\u00e7a e aprofunde sua \u201cconsci\u00eancia pol\u00edtica\u201d.<\/p>\n<p><strong>I. UMA PERSPECTIVA B\u00cdBLICA DA POL\u00cdTICA<\/strong><\/p>\n<p><strong>Deus governa todos os aspectos da vida humana, inclusive o pol\u00edtico. <\/strong>As Escrituras mostram que Deus se relaciona diretamente conosco em todos os aspectos da vida (Mt 6.33). Isso significa que Ele interv\u00e9m em nossa jornada di\u00e1ria, pois o Pai Celeste \u201ctrabalha para aquele que nele espera\u201d (Is 64.4). Nesse aspecto, a B\u00edblia mostra que o Alt\u00edssimo \u201cremove os reis e estabelece os reis\u201d (Dn 2.21), \u201cporque n\u00e3o h\u00e1 autoridade que n\u00e3o venha de Deus; e as autoridades que h\u00e1 foram ordenadas por Deus\u201d (Rm 13.1). Sim, o Deus Alt\u00edssimo governa o aspecto pol\u00edtico da vida no mundo.<\/p>\n<p><strong>Deus levanta homens que o glorifiquem na pol\u00edtica. <\/strong>Os exemplos da B\u00edblia s\u00e3o abundantes. Mas destacamos tr\u00eas deles: Jos\u00e9, filho de Jac\u00f3 (Gn 41.37-57); Ester, a rainha (Et 2.12-20); Daniel, o jovem (Dn 2.46-49). Essas tr\u00eas pessoas se colocaram \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o do Senhor, e por interm\u00e9dio dEle, providenciaram o escape para o povo de Deus (Gn 42.46-49; Et 7.1-10; Dn 2.1-45). A hist\u00f3ria da Igreja tamb\u00e9m mostra um homem chamado William Wilberforce (1759 \u2014 1833), que por influ\u00eancia do Evangelho, e impactado pelo minist\u00e9rio de John Wesley, foi quem liderou o fim do tr\u00e1fico de escravos no reino brit\u00e2nico. Sim, Deus usa pessoas para glorificar o seu nome na pol\u00edtica.<\/p>\n<p><strong>O Estado e a Pol\u00edtica. <\/strong>O Estado tem como fun\u00e7\u00e3o garantir, por meio de pol\u00edticas p\u00fablicas, as condi\u00e7\u00f5es necess\u00e1rias para a vida digna da sociedade. A Palavra de Deus diz que as autoridades institu\u00eddas s\u00e3o para disciplinar as obras m\u00e1s e enaltecer quem faz o bem (Rm 13.3,4). Assim, como vivemos num estado democr\u00e1tico de direito, onde tanto cidad\u00e3os quanto autoridades institu\u00eddas t\u00eam direitos e deveres mediante a carta constitucional do pa\u00eds, isto \u00e9, vivemos no imp\u00e9rio das leis, e por isso, devemos exercer o mesmo princ\u00edpio de submiss\u00e3o ao Estado esposado pelo ap\u00f3stolo Paulo em Romanos 13.1,2.<\/p>\n<p><strong>O Estado e a B\u00edblia. <\/strong>O Novo Testamento retrata o Estado como instrumento ordenado por Deus (Rm 13.1), assim, os que resistem ao Estado afrontam a Deus (Rm 13.2). Nesse contexto, o Estado \u00e9 servo do Alt\u00edssimo para aplicar a justi\u00e7a (Rm 13.4), logo, ele n\u00e3o \u00e9 problema para os que fazem o bem, mas para os que praticam o mal (Rm 13.4; IPe 2.14). Assim, \u00e9 l\u00edcito pagar tributos e impostos ao Estado (Rm 13.6,7), bem como temos a recomenda\u00e7\u00e3o de orar pelas autoridades p\u00fablicas (ITm 2.1,2).<\/p>\n<p><strong>II. A SEPARA\u00c7\u00c3O DO ESTADO DA IGREJA: UMA HERAN\u00c7A PROTESTANTE<\/strong><\/p>\n<p>O conceito de Estado Laico \u00e9 compreendido como a separa\u00e7\u00e3o entre o Estado e a Igreja. Significa que um n\u00e3o pode interferir nas atividades do outro e vice-versa.<\/p>\n<p><strong>A uni\u00e3o entre a Igreja e o Estado. <\/strong>No ano 313, Constantino e Lic\u00ednio, Imperadores romanos do Ocidente e do Oriente respectivamente, promulgaram o \u00c9dito de Mil\u00e3o. O decreto outorgou liberdade e toler\u00e2ncia religiosa aos crist\u00e3os no Imp\u00e9rio Romano. O imperador Teod\u00f3sio decretou tm 380 d.C. o \u00c9dito de Tessal\u00f4nica, estabelecendo o Cristianismo como religi\u00e3o oficial do Imp\u00e9rio. O \u00c9dito prometia vingan\u00e7a divina e castigo do estado aos que n\u00e3o aderissem \u00e0 lei. A partir de ent\u00e3o a uni\u00e3o entre a Igreja e o Estado passou a ser indiscut\u00edvel. \u00c0 exemplo da deforma\u00e7\u00e3o da na\u00e7\u00e3o de Israel, o in\u00edcio dessa uni\u00e3o trouxe at\u00e9 benef\u00edcios, mas em seguida, essa mistura foi tr\u00e1gica (ISm 10.1; cf. 8.10-19).<\/p>\n<p><strong>A separa\u00e7\u00e3o entre a Igreja e o Estado. <\/strong>Ao fim da Idade M\u00e9dia, os ideais humanistas valorizavam os direitos individuais do cidad\u00e3o e isso despertou nos crist\u00e3os a necessidade de reformar a Igreja, especialmente, o Clero (sacerdotes). Os abusos de Roma e a venda das indulg\u00eancias deflagraram a Reforma em 1517, na Alemanha. O Monge Martinho Lutero rompeu com o catolicismo romano. Foi a partir da Reforma que, paulatinamente, os conceitos de liberdade, de toler\u00e2ncia religiosa, de democracia e de separa\u00e7\u00e3o entre Igreja e Estado foram al\u00e7ados ao status de direitos fundamentais. A Palavra de Deus mostra que a ideia de Estado e Igreja n\u00e3o dar\u00e1 bons resultados (At 4.1-7). Por isso, o Estado n\u00e3o deve interferir na Igreja nem a Igreja no Estado. Todavia, o povo de Deus jamais deve faltar com a sua voz prof\u00e9tica diante das injusti\u00e7as e pecados sociais.<\/p>\n<p><strong>O Modelo de Estado Laico Brasileiro. <\/strong>A Constitui\u00e7\u00e3o do Brasil outorga ao cidad\u00e3o plena liberdade de cren\u00e7a e garante o livre exerc\u00edcio dos cultos e liturgias, al\u00e9m da prote\u00e7\u00e3o aos locais de adora\u00e7\u00e3o (Art. 5\u00b0). No artigo 19 est\u00e1 definida a separa\u00e7\u00e3o entre o Estado e a igreja, mas ressalva na forma da lei, a colabora\u00e7\u00e3o de interesse p\u00fablico. Assim, embora o Estado brasileiro seja laico, ele n\u00e3o \u00e9 ateu. Desde os prim\u00f3rdios, o ser humano tem a necessidade de cultuar a Deus (Sl 42.1), portanto, o Estado n\u00e3o pode negar a natureza religiosa do indiv\u00edduo.<\/p>\n<p><strong>III. COMO O CRIST\u00c3O DEVE LIDAR COM A POL\u00cdTICA<\/strong><\/p>\n<p>O crist\u00e3o precisa tomar cuidado com a \u201cpoliticagem\u201d e definir com temor a Deus a sua atua\u00e7\u00e3o pol\u00edtica.<\/p>\n<p><strong>O perigo da politicagem. <\/strong>Os dicion\u00e1rios em geral conceituam politicagem como \u201cpol\u00edtica reles e mesquinha de interesses pessoais\u201d. O perigo dos atos politiqueiros envolvendo os crist\u00e3os \u00e9 colocar em descr\u00e9dito o Evangelho e a Igreja. Assim, os pol\u00edticos contr\u00e1rios \u00e0s convic\u00e7\u00f5es crist\u00e3s n\u00e3o podem receber o apoio nem o voto da igreja. No cristianismo primitivo, a igreja em Corinto foi advertida a observar o seguinte princ\u00edpio: \u201cN\u00e3o vos prendais a um jugo desigual com os infi\u00e9is; porque que sociedade tem a justi\u00e7a com a injusti\u00e7a? E que comunh\u00e3o tem a luz com as trevas? E que conc\u00f3rdia h\u00e1 entre Cristo e Belial? Ou que parte tem o fiel com o infiel?\u201d (IICo 6.14,15).<\/p>\n<p><strong>Como delimitar a atua\u00e7\u00e3o da igreja. <\/strong>Os princ\u00edpios \u00e9ticos devem ser estritamente observados. O p\u00falpito da igreja n\u00e3o pode dar lugar ao \u201cpalanque eleitoreiro\u201d. \u00c9 verdade que a igreja precisa de conscientiza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, mas isso n\u00e3o significa ocupar o espa\u00e7o de adora\u00e7\u00e3o e prega\u00e7\u00e3o da Palavra com campanhas pol\u00edticas. Conscientiza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica \u00e9 uma coisa, campanha pol\u00edtica \u00e9 outra. Esta n\u00e3o cabe no espa\u00e7o de culto do Corpo de Cristo. Nesse sentido, a conscientiza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica da igreja deve ser fundamentada em princ\u00edpios crist\u00e3os. Isso significa que o crist\u00e3o deve analisar as propostas e as ideologias dos partidos pol\u00edticos sob a \u00e9tica crist\u00e3 (Is 5.20).<\/p>\n<p><strong>Ajustando o foco da igreja. <\/strong>O povo de Deus n\u00e3o pode limitar-se a fazer oposi\u00e7\u00e3o e oferecer resist\u00eancia \u00e0 iniquidade no poder temporal. N\u00e3o pode depositar sua confian\u00e7a e esperan\u00e7a nas decis\u00f5es pol\u00edticas. As lideran\u00e7as devem incentivar o avivamento espiritual. O avivamento liderado por John Wesley (1703 \u2014 1791) trouxe mudan\u00e7as sociais significativas na Inglaterra, pois o mal realmente a ser combatido pela igreja \u00e9 o pecado. N\u00e3o podemos jamais perder a nossa consci\u00eancia e natureza espiritual. Quando a mensagem de arrependimento for pregada ao mundo, ent\u00e3o, vidas ser\u00e3o transformadas. O Esp\u00edrito Santo ter\u00e1 liberdade para convencer os ouvintes do pecado, da justi\u00e7a e do ju\u00edzo (Jo 16.8). A medida que verdadeiras convers\u00f5es a Cristo ocorrem, na mesma propor\u00e7\u00e3o, a nossa na\u00e7\u00e3o sofre transforma\u00e7\u00f5es espirituais e sociais.<\/p>\n<p><strong>CONCLUS\u00c3O<\/strong><\/p>\n<p>Diante do cerceamento de algumas liberdades, a igreja come\u00e7ou a despertar para a realidade pol\u00edtica. As mudan\u00e7as e as transforma\u00e7\u00f5es sociais passam pelo processo pol\u00edtico. Por que ent\u00e3o n\u00e3o eleger candidatos verdadeiramente vocacionados para a vida p\u00fablica e que reproduzam a moral crist\u00e3? Por que n\u00e3o apoiar pol\u00edticos que rejeitam as leis contr\u00e1rias aos princ\u00edpios crist\u00e3os? Para tanto, a Igreja precisa ocupar o seu espa\u00e7o e influenciar positivamente a sociedade (Mt 5.13-16).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Postado por: <\/strong>Pr. Ademilson Braga<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><u>\u00a0<\/u><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>LI\u00c7\u00c3O \u2013 311 \u2013 17 de junho de 2018 TEXTO \u00c1UREO \u201cPortanto, dai a cada um o que deveis: quem tributo, tributo; a quem imposto, imposto; a quem temor, temor; o quem honra, honra\u201d (Rm 13.7). VERDADE PR\u00c1TICA A pol\u00edtica faz parte da vida em sociedade. 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