{"id":3964,"date":"2013-10-03T09:10:14","date_gmt":"2013-10-03T12:10:14","guid":{"rendered":"http:\/\/www.searadecristo.com.br\/portal\/?p=3964"},"modified":"2013-10-02T12:21:35","modified_gmt":"2013-10-02T15:21:35","slug":"as-consequencias-das-drogas","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.searadecristo.com.br\/portal\/as-consequencias-das-drogas\/","title":{"rendered":"As consequ\u00eancias das drogas"},"content":{"rendered":"<p>Meu nome \u00e9 Patr\u00edcia, tenho 17 anos, e encontro-me no momento quase sem for\u00e7as, mas pedi para a enfermeira Dane minha amiga, para escrever esta carta que ser\u00e1 endere\u00e7ada aos jovens de todo o Brasil, antes que seja tarde demais. Eu era uma jovem &#8220;sarada&#8221;, criada em uma excelente fam\u00edlia de classe m\u00e9dia alta de Florian\u00f3polis. Meu pai \u00e9 Engenheiro Eletr\u00f4nico de uma grande estatal, e procurou sempre para mim e para meus dois irm\u00e3os dar tudo de bom e o que tem de melhor, inclusive liberdade que eu nunca soube aproveitar. Aos 13 anos participei e ganhei um concurso para modelo e manequim para a Ag\u00eancia Kasting e fui at\u00e9 o final do concurso que selecionou as novas Paquitas do programa da Xuxa. Fui tamb\u00e9m selecionada para fazer um Book na Ag\u00eancia Elite em S\u00e3o Paulo. Sempre me destaquei pela minha beleza f\u00edsica, chamava a aten\u00e7\u00e3o por onde passava. Estudava no melhor col\u00e9gio de &#8220;Floripa&#8221;, Cora\u00e7\u00e3o de Jesus. Tinha todos os garotos do col\u00e9gio aos meus p\u00e9s. Nos finais de semana freq\u00fcentava shopping, praias, cinema, curtia com minhas amigas tudo o que a vida tinha de melhor a oferecer \u00e0s pessoas saradas, f\u00edsica e mentalmente.<\/p>\n<p>Por\u00e9m, como a vida nos prega algumas pe\u00e7as, o meu destino come\u00e7ou a mudar em outubro de 1994. Fui com uma turma de amigos para a OCTOBERFEST em Blumenau. Os meus pais confiavam em mim e me liberaram sem mais apego. Em Blumenau, achei tudo legal, fizemos um esquenta no &#8220;Bude&#8221;, famoso barzinho da Rua XV. \u00c0 noite fomos ao &#8220;PROEB&#8221; e no &#8220;Pavilh\u00e3o Galego&#8221; tinha um show maneiro da Banda Cavalinho Branco. Aquela movimenta\u00e7\u00e3o de gente era trimaneira&#8221;. Eu j\u00e1 tinha experimentado algumas bebidas, tomava escondido da minha m\u00e3e o Licor Amarula, mas nunca tinha ficado b\u00eabada. Na quinta feira, primeiro dia de OCTOBER, tomei o meu primeiro porre de CHOPP. Que sensa\u00e7\u00e3o legal curti a noite inteira &#8220;doidona&#8221;, beijei uns 10 carinhas, inclusive minhas amigas colocavam o CHOPP numa mamadeira misturado com guaran\u00e1 para enganar os &#8220;meganha&#8221;, porque menor n\u00e3o podia beber; mas a gente bebeu a noite inteira e os &#8220;ot\u00e1rios&#8221; n\u00e3o percebiam. L\u00e1 pelas 4h da manh\u00e3, fui levada ao Posto M\u00e9dico, quase em coma alco\u00f3lico, numa maca dos Bombeiros. Deram-me umas inje\u00e7\u00f5es de glicose para melhorar. Quando fui ao apartamento quase &#8220;vomitei as tripas&#8221;, mas o meu grito de liberdade estava dado.<br \/>\nNo dia seguinte aquela dor de cabe\u00e7a horr\u00edvel, um mal estar daqueles como tens\u00e3o pr\u00e9- menstrual. No s\u00e1bado conhecemos uma galera de S.Paulo, que alugaram um &#8220;ap&#8221; no mesmo pr\u00e9dio. Nem imaginava que naquele dia eu estava sendo apresentada ao meu futuro assassino. Bebi um pouco no s\u00e1bado, a festa n\u00e3o estava legal, mas l\u00e1 pelas 5:30h da manh\u00e3 fomos ao &#8220;ap&#8221; dos garotos para curtir o restante da noite. Rolou de tudo e fui apresentada ao famoso baseado &#8220;Cigarro de Maconha&#8221;, que me ofereceram. No come\u00e7o resisti, mas chamaram a gente de &#8220;Catarina careta&#8221;, mexeram com nossos brios e acabamos experimentando. Fiquei com uma sensa\u00e7\u00e3o esquisita, de baixo astral, mas no dia seguinte antes de ir embora experimentei novamente. O garoto mais velho da turma o &#8220;Marcos&#8221;, fazia carreirinho e cheirava um p\u00f3 branco que descobri ser coca\u00edna. Ofereceram-me, mas n\u00e3o tive coragem aquele dia.<br \/>\nRetornamos a &#8220;Floripa&#8221; mas percebi que alguma coisa tinha mudado, eu sentia a necessidade de buscar novas experi\u00eancias, e n\u00e3o demorou muito para eu novamente deparar-me com meu assassino &#8220;DRUGS&#8221;. Aos poucos meus melhores amigos foram se afastando quando comecei a me envolver com uma galera da pesada, e sem perceber eu j\u00e1 era uma dependente qu\u00edmica, a partir do momento que a droga come\u00e7ou a fazer parte do meu cotidiano. Fiz viagens alucinantes, fumei maconha misturada com esterco de cavalo, experimentei coca\u00edna misturada com um monte de porcaria. Eu e a galera descobrimos que misturando coca\u00edna com sangue o efeito dela ficava mais forte, e aos poucos n\u00e3o compartilh\u00e1vamos a seringa e sim o sangue que cada um cedia para diluir o p\u00f3. No in\u00edcio a minha mesada cobria os meus custos com as malditas, porque a galera repartia e o pre\u00e7o era acess\u00edvel. Comecei a comprar a &#8220;branca&#8221; a R$ 7,00 o grama, mas n\u00e3o demorou muito para conseguir somente a R$ 15,00 a boa, e eu precisava no m\u00ednimo 5 doses di\u00e1rias. Sa\u00eda na sexta-feira e retornava aos domingos com meus &#8220;novos amigos&#8221;. \u00c0s vezes a gente conseguia o &#8220;extasy&#8221;, dan\u00e7\u00e1vamos nos &#8220;Points&#8221; a noite inteira e depois farra.<\/p>\n<p>O meu comportamento tinha mudado em casa, meus pais perceberam, mas no in\u00edcio eu disfar\u00e7ava e dizia que eles n\u00e3o tinham nada a ver com a minha vida. Comecei a roubar em casa pequenas coisas para vender ou trocar por drogas. Aos poucos o dinheiro foi faltando e para conseguir grana fazia programas com uns velhos que pagavam bem. Sentia nojo de vender o meu corpo, mas era necess\u00e1rio para conseguir dinheiro. Aos poucos toda a minha fam\u00edlia foi se desestruturando. Fui internada diversas vezes em Cl\u00ednicas de Recupera\u00e7\u00e3o. Meus pais sempre com muito amor gastavam fortunas para tentar reverter o quadro. Quando eu sa\u00eda da Cl\u00ednica ag\u00fcentava alguns dias, mas logo estava me picando novamente. Abandonei tudo: escola, bons amigos e fam\u00edlia.<\/p>\n<p>Em dezembro de 1997 a minha senten\u00e7a de morte foi decretada; descobri que havia contra\u00eddo o v\u00edrus da AIDS, n\u00e3o sei se me picando, ou atrav\u00e9s de rela\u00e7\u00f5es sexuais muitas vezes sem camisinha. Devo ter passado o v\u00edrus a um mont\u00e3o de gente, porque os homens pagavam mais para transar sem camisinha. Aos poucos os meus valores, que s\u00f3 agora reconhe\u00e7o, foram acabando, fam\u00edlia, amigos, pais, religi\u00e3o, Deus, at\u00e9 Deus, tudo me parecia rid\u00edculo. Meu pai e minha m\u00e3e fizeram tudo, por isso nunca vou deixar de am\u00e1-los.<\/p>\n<p>Eles me deram o bem mais precioso que \u00e9 a vida e eu a joguei pelo ralo. Estou internada, com 24kg, horr\u00edvel, n\u00e3o quero receber visitas porque n\u00e3o podem me ver assim, n\u00e3o sei at\u00e9 quando sobrevivo, mas do fundo do cora\u00e7\u00e3o pe\u00e7o aos jovens que n\u00e3o entrem nessa viagem maluca&#8230; Voc\u00ea com certeza vai se arrepender assim como eu, mas percebo que \u00e9 tarde demais pra mim.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>OBS.: Patr\u00edcia encontrava-se internada no Hospital Universit\u00e1rio de Florian\u00f3polis e descreve a enfermeira Danelise, que Patr\u00edcia veio a falecer 14 horas mais tarde que escreveram essa carta, de parada card\u00edaca respirat\u00f3ria em consequ\u00eancia da AIDS.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>Postado por: <\/b>Pb. Ademilson Braga<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Meu nome \u00e9 Patr\u00edcia, tenho 17 anos, e encontro-me no momento quase sem for\u00e7as, mas pedi para a enfermeira Dane minha amiga, para escrever esta carta que ser\u00e1 endere\u00e7ada aos jovens de todo o Brasil, antes que seja tarde demais. 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