{"id":385,"date":"2012-06-05T17:20:35","date_gmt":"2012-06-05T20:20:35","guid":{"rendered":"http:\/\/www.searadecristo.com.br\/portal\/?p=385"},"modified":"2012-06-05T22:53:09","modified_gmt":"2012-06-06T01:53:09","slug":"o-perigo-da-omissao","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.searadecristo.com.br\/portal\/o-perigo-da-omissao\/","title":{"rendered":"O perigo da omiss\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p>\u201cO que tapa seu ouvido ao clamor do pobre tamb\u00e9m clamar\u00e1 e n\u00e3o ser\u00e1 ouvido&#8221;, Pv 21.13.<\/p>\n<p>Aparentemente, o homem mais pobre que a B\u00edblia menciona \u00e9 o leproso L\u00e1zaro, cuja condi\u00e7\u00e3o \u00e9 descrita em Lucas 16.20,\u00ad21: &#8220;Havia tamb\u00e9m certo mendigo, cha\u00admado L\u00e1zaro, coberto de chagas, que jazia \u00e0 porta daquele, e desejava alimentar-\u00adse das migalhas que ca\u00edam da mesa do rico, e at\u00e9 os c\u00e3es vinham lamber-lhe as \u00falceras&#8221;.<\/p>\n<p>Analisemos a situa\u00e7\u00e3o deste homem.<\/p>\n<p>Em primeiro lugar, era mendigo, ou seja, dependia inteiramente, para a sua sobreviv\u00eancia, da esmola de alguma alma caridosa. Em segundo lugar, era leproso. Ora, naquele tempo, ser lepro\u00adso era a pior desgra\u00e7a que algu\u00e9m poderia sofrer. O leproso era banido da sua fam\u00edlia, do conv\u00edvio de seus amigos, enfim, de toda a conviv\u00eancia social. O leproso deveria cobrir seu bigode, ter seus cabelos desgrenhados e gritar &#8220;Imundo! Imundo!&#8221;, Lv 13.45. Hoje, os esquel\u00e9\u00adticos sobreviventes nos campos de refugiados ainda s\u00e3o alcan\u00e7ados por m\u00e3os caridosas ou demag\u00f3gicas. Mas o leproso n\u00e3o tinha sequer um consolo. Era repugnado e temido por todos. Jamais veria qualquer m\u00e3o estendida em sua dire\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Se isso n\u00e3o bastasse, em terceiro lugar, fora tomado por um estado de desnutri\u00e7\u00e3o tal que, prostrado \u00e0 porta de um homem rico, n\u00e3o conseguia levantar-se. A B\u00edblia diz que \u201cJazia \u00e0 porta daquele&#8221;, ou seja, estava deitado, estendido \u00e0 porta do rico.<\/p>\n<p>Em quarto lugar, a sua desesperan\u00e7a era tanta que o anelo de sua alma j\u00e1 n\u00e3o era mais tomar uma refei\u00e7\u00e3o. Seu sonho era simplesmente algumas migalhas. Uma migalha, e j\u00e1 estaria satisfeito. A B\u00edblia diz que o seu desejo era &#8220;alimentar-se das migalhas&#8221;. Todos n\u00f3s sonhamos com alguma coisa que, no momento, \u00e9 inacess\u00edvel. Mas a mis\u00e9ria de L\u00e1zaro era tanta que o seu sonho n\u00e3o passava de sa\u00adciar um pouco de sua fome brutal com alguma migalha da mesa do rico.<\/p>\n<p>Em quinto lugar, o relato b\u00edblico da condi\u00e7\u00e3o daquele pobre aponta para um estado de degrada\u00e7\u00e3o t\u00e3o terr\u00edvel que s\u00f3 os c\u00e3es, animais tidos como imundos pelos judeus, aceitavam com ele manter algum tipo de relacionamento. Sua mis\u00e9ria era enorme ao ponto de s\u00f3 os cachorros da rua virem procur\u00e1-Io, e para lamber-lhe suas feridas.<\/p>\n<p>\u00c9 comum vermos mendigos pelas ruas andando em bandos ou de dois em dois. Nos campos de refugiados, vemos solidariedade na mis\u00e9ria: centenas morrendo \u00e0 m\u00edngua lado a lado. Mas L\u00e1zaro nem mesmo desfrutava da solidariedade entre miser\u00e1veis. Nem mesmo o ser humano mais degradado, miser\u00e1vel ou repugnante p\u00f4de assisti-Io naquela hora, somente os c\u00e3es.<\/p>\n<p>Em sexto e \u00faltimo lugar, Je\u00adsus conta-nos que o estado da doen\u00e7a era t\u00e3o avan\u00e7ado que L\u00e1zaro estava coberto de chagas. Isto \u00e9, n\u00e3o havia um lugar de seu corpo onde n\u00e3o houvesse uma ferida. L\u00e1zaro era um &#8220;monstro disforme&#8221;. Sua apar\u00eancia era horr\u00edvel e grotesca. Era dif\u00edcil ver naquela criatura um ser humano. Nenhuma nesga de pele, nenhum tra\u00e7o agrad\u00e1vel. Tudo era feridas purulentas, pegajosas, infeccionadas, malcheirosas. E os c\u00e3es a lamber toda aquela podrid\u00e3o f\u00e9tida. Ser\u00e1 que poder\u00edamos encontrar na literatura universal um quadro de pobreza mais horripilante do que este? Ser\u00e1 que algu\u00e9m desafiaria dizendo que conhece algu\u00e9m mais pobre do que L\u00e1zaro?<\/p>\n<p>Ao prosseguir em sua pr\u00e9dica, Jesus revela que o mendigo morreu e foi levado pelos anjos ao para\u00edso. O rico, por sua vez, tamb\u00e9m morreu, teve o seu corpo sepultado e sua alma foi conduzida ao inferno, ficando em tormentos. De l\u00e1, contempla L\u00e1zaro no para\u00edso e clama por miseric\u00f3rdia, mas era tarde demais.<\/p>\n<p>Este texto b\u00edblico nos ensina muitas li\u00e7\u00f5es espirituais. Quero, por\u00e9m, me deter em dois aspectos que se relacionam com o texto de Prov\u00e9rbios 21.13.<\/p>\n<p>Em primeiro plano, extra\u00edmos do texto sagrado um conceito divino de pobreza. Aprendemos com Jesus sobre crit\u00e9rios divinos de mensura\u00e7\u00e3o da pobreza humana. Ap\u00f3s tra\u00e7ar, na pessoa de L\u00e1zaro, o quadro de pobreza mais vivo que algu\u00e9m poderia vivenciar, Jesus pinta outro cen\u00e1rio mais horripilante que a lepra, a fome, a destrui\u00e7\u00e3o, um corpo coberto de chagas e a companhia dos c\u00e3es. Este quadro tenebroso pintado por Jesus foi a situa\u00e7\u00e3o de um ser humano em tormentos, no inferno, sem esperan\u00e7a, preso em seus remorsos, impotente para mudar sua sorte, com uma senten\u00e7a eterna lavrada por seus pr\u00f3prios atos no tempo em que viveu no mundo dos viventes. Surge, ent\u00e3o, a indaga\u00e7\u00e3o: &#8220;Qual dos dois \u00e9 mais pobre? L\u00e1zaro ou o rico?&#8221; Paradoxalmente, somos obrigados a concluir que o mais pobre \u00e9 o &#8220;rico&#8221;. Da\u00ed a li\u00e7\u00e3o a ser por n\u00f3s tomada.<\/p>\n<p><strong>Os clamores<\/strong><\/p>\n<p>H\u00e1 bilh\u00f5es de pessoas mais pobres que o L\u00e1zaro da hist\u00f3ria b\u00edblica. Manchadas pela lepra do pecado, cobertas por feridas espirituais, no mais vil estado de degrada\u00e7\u00e3o moral e espiritual, na companhia de dem\u00f4nios \u00e1vidos pelo mal. E eles jazem \u00e0 nossa porta. Nesse sentido, somos o rico da par\u00e1bola de Jesus. Temos abund\u00e2ncia do p\u00e3o vivo que desceu dos c\u00e9us. Alguns, talvez, est\u00e3o enfarados de tanto comer da Palavra de Deus. Todos os dias nos banqueteamos em nossas humildes capelas ou grandes catedrais.<\/p>\n<p>Mas os &#8220;L\u00e1zaros&#8221; das selvas, das montanhas, dos Andes bolivianos e peruanos, das tribos amaz\u00f4nicas ou africanas, da \u00c1sia ou do Leste Europeu est\u00e3o clamando por uma migalha de p\u00e3o espiritual. Enquanto os nossos crentes j\u00e1 ouviram milhares de vezes que Cristo salva e alguns brasileiros se incomodam com o crescimento dos evang\u00e9licos, h\u00e1 milhares que pedem uma migalha; uma mensagem, uma prega\u00e7\u00e3o, um vers\u00edculo, uma ora\u00e7\u00e3o, um hino etc.<\/p>\n<p>o clamor do pobre n\u00e3o \u00e9 apenas pelo p\u00e3o terreno, mas, acima de tudo, tamb\u00e9m pelo p\u00e3o da vida. Muitos povos nunca tiveram a oportunidade que n\u00f3s um dia tivemos, nunca ouviram as palavras que ouvimos quase todos os dias, n\u00e3o conhecem o Amigo que conhecemos, n\u00e3o sabem do Sangue que nos purifica, do c\u00e9u que nos aguarda, da Gl\u00f3ria que nos espera. O clamor do pobre n\u00e3o est\u00e1 sendo ouvido. Por qu\u00ea? Porque muitos na Igreja de Cristo tem tapado seus ouvidos a tal clamor.<\/p>\n<p>Quantos t\u00eam preferido abrir seus ouvidos ao canto das multid\u00f5es lisonjeiras, \u00e0 honra falsa dos grandes destes mundo, \u00e0 doce m\u00fasica da fama que, tal qual o lend\u00e1rio canto da sereia, leva o incauto nauta a morrer afogado. Ou, ainda, o ouvido tem-se tapado ao clamor do pobre para estar atento ao tilintar das moedas, ou ao &#8220;bip&#8221; da caixa registradora, ou ao ru\u00eddo da az\u00e1fama das bolsas de valores. Mas a senten\u00e7a divina continua, como espada de D\u00e2mocles, sobre a cabe\u00e7a dos que est\u00e3o surdos para o clamor dos povos: &#8220;O que tapa o seu ouvido ao clamor do pobre tamb\u00e9m clamar\u00e1 e n\u00e3o ser\u00e1 ouvido&#8221;.<\/p>\n<p><strong>Ponto de vista<\/strong><\/p>\n<p>Talvez, como a rica igreja de Laodic\u00e9ia, algu\u00e9m diga: &#8220;N\u00e3o preciso clamar a ningu\u00e9m, sou auto-suficiente, tenho tudo, sou rico e abastado&#8221;. Mas a\u00ed vem o segundo aspecto que queremos salientar na hist\u00f3ria narrada por Jesus Cristo. O rico e prepotente dono da casa em cuja porta jazia L\u00e1zaro, a despeito de toda a sua riqueza, um dia precisou clamar. Contudo, nas suas lamenta\u00e7\u00f5es, n\u00e3o pode ser atendido. Por mais ricos e poderosos que sejamos, haver\u00e1 momentos em que nossas for\u00e7as n\u00e3o ser\u00e3o suficientes e teremos de clamar a Deus.<\/p>\n<p>Enfim, fica uma reflex\u00e3o para todos n\u00f3s. A senten\u00e7a de Deus, nessa hora, estar\u00e1 a nosso favor ou contra n\u00f3s? Temos dado ouvidos ao clamor do pobre? Temos estendido nossas m\u00e3os \u00e0s suas necessidades? Temos distribu\u00eddo o p\u00e3o celestial ou temos negado at\u00e9 mesmo as migalhas que caem de nossas mesas? Ser\u00e1 que nesse momento teremos o nosso clamor ouvido? Ou ouviremos a senten\u00e7a &#8220;porque tapaste o ouvido ao clamor do pobre, tamb\u00e9m clamar\u00e1s e n\u00e3o ser\u00e1s ouvido&#8221;?<\/p>\n<p>N\u00e3o tenhamos o desprazer eterno do rico da par\u00e1bola de Jesus. Ou\u00e7amos o clamor que soa dos campos que j\u00e1 est\u00e3o brancos para a ceifa.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p align=\"right\"><strong>Extra\u00eddo<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Postado por: <\/strong>Pb. Ademilson Braga<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201cO que tapa seu ouvido ao clamor do pobre tamb\u00e9m clamar\u00e1 e n\u00e3o ser\u00e1 ouvido&#8221;, Pv 21.13. 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