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Oseias: O casamento como um reflexo da comunhão com Deus

EBD – Jovens – EDIÇÃO: 27– 3º Trimestre – Ano: 2021 – Editora: CPAD

LIÇÃO – 02– 11 de julho de 2021

TEXTO DO DIA

“Contendei com vossa mãe, contendei, porque ela não é minha mulher, e eu não sou seu marido […].” (Os 2.2)

AGENDA DE LEITURA

Segunda-feira – Os 1.2-9
A difícil missão de representar o amor de Deus

Terça-feira – I Rs 12.26-33
O paganismo religioso e a traição de Israel

Quarta-feira – Os 9.1
A nação comparada a uma meretriz

Quinta-feira – Os 11.4,5
O inexplicável amor de Deus por seu povo

Sexta-feira – Ap 19.7
O casamento ilustra o encontro final de Cristo com a Igreja

Sábado – Os 14.1,2
O chamado ao arrependimento

SINTESE

Oseias recebeu a missão de profetizar para Israel, um povo ingrato e obstinado. Na consecução deste propósito, vivenciou um drama particular ao ser traído por sua mulher.

TEXTO BÍBLICO

Oseias 2.1,2; 14-17

1 Dizei a vossos irmãos: Ami; e a vossas irmãs: Ruama.

2 Contendei com vossa mãe, contendei, porque ela não é minha mulher, e eu não sou seu marido; e desvie ela as suas prostituições da sua face e os seus adultérios de entre os seus peitos.

14 Portanto, eis que eu a atrairei, e a levarei para o deserto, e lhe falarei ao coração.

15 E lhe darei as suas vinhas dali e o vale de Acor, por porta de esperança; e ali cantará, como nos dias da sua mocidade e como no dia em que subiu da terra do Egito.

16 E acontecerá naquele dia, diz o Senhor, que me chamarás: Meu marido e não me chamarás mais: Meu Baal.

17 E da sua boca tirarei os nomes de baalins, e os seus nomes não virão mais em memória.

INTRODUÇÃO

Oseias inaugura a seção dos “Profetas Menores”. Como Isaías, ele teve filhos que serviram como sinal para sua geração; como Jeremias, foi um homem quebrantado. É considerado o “Jeremias do Reino do Norte”.

Ambos empregaram a analogia do casamento para falar da relação de Deus com Israel (Jr 2.2; Os 2.16) e utilizaram a linguagem metafórica do divórcio para expressar a tristeza de Deus em executar o juízo (Jr 3.8; Os 2.2-7). A semelhança de Ezequiel, Oseias ilustrou sua mensagem com a própria vida. Enquanto Ezequiel tornou-se viúvo e por meio de sua vida realizou vários atos como um sinal para sua geração, Oseias perdeu sua mulher para a prostituição e a perdoou, retratando o amor de Deus por Israel, um povo infiel.

I – A VIDA DE OSEIAS

1. O profeta da salvação. Oseias significa “salvação”. Jerônimo, um dos pais da igreja, interpretava como “salvador”, outros, interpretavam pensando no imperativo “salva”, como se fosse um clamor direcionado a Deus. Para promovermos o plano da salvação, primeiro é preciso predisposição para conhecê-lo, em seguida, devemos compartilhá-lo com persistência, penhor e amor (Rm 10.14; II Co 5.18; Hb 2.3). Oseias ficou conhecido como o primeiro “profeta da graça” ou o “evangelista de Israel”.

Seu nome vem da forma hebraica “Hoshea”, que no original procede da mesma raiz da palavra “Jesus” ou “Josué”. Oseias nos ensina que enquanto a apostasia provoca o juízo, a restauração é resultado direto do imensurável amor de Deus pelo seu povo (I Pe 1.10; II Pe 1.21).  Apesar dos nossos pecados, Deus continua sempre disposto a nos amar, pois a base do amor de Deus não é nosso mérito, mas seu próprio amor, visto que sua essência é amar (Rm 5.8).

2. Sua origem e ocupação. É provável que Oseias fosse natural de Bete-Semes e pertencesse à tribo de Issacar. Ao referir-se ao rei de Israel utilizou o pronome da primeira pessoa do plural: “Nosso rei” (Os 7.5). Ele citou diversas referências geográficas envolvendo as cidades do norte: Efraim, Mizpa, Tabor, Gilgal, Betel, Jezreel, Gibeá, Ramá e Gileade, indicando o conhecimento de alguém natural daquela área. Possivelmente foi um padeiro, visto que descreveu o ato de sovar a massa apresentando um conhecimento prático na área (Os 7.4).

Acreditamos que ele era um simples mercador, que ao vender seu produto aproveitava para exortar sua geração nos mercados de cidades próximas, como Jezreel e Samaria. Oseias nos ensina que é possível fazer a obra de Deus concomitantemente ao exercício de nossas profissões. Sirva a Deus conforme suas forças e sua condição (Ec 9.10).

3. Seu drama pessoal. O livro de Oseias pode ser dividido em duas partes: Os capítulos 1 ao 3 descrevem sua vida pessoal ao comparar sua crise conjugal com a infidelidade de Israel; dos capítulos 4 ao 14 apresentam profecias poéticas entregues em um longo intervalo de tempo. Oseias foi um homem chamado por Deus não apenas para falar, mas também para representar o amor de Deus.  Seu casamento com Gomer foi mediante a ordem divina (Os 1.2). Ao perceber suas traições, separou-se dela, porém, ele amava a sua esposa, e mediante a ordem divina a resgatou da escravidão (mercado da prostituição), dando-lhe uma nova chance (Os 3.1-3).

Tudo o que o profeta vivenciou representou a relação de Deus com seu povo. O casamento de Oseias foi providencial, pois lhe forneceu a analogia necessária para que ele dirigisse sua mensagem a Israel (Os 3.4,5). A mensagem profética de Oseias começou a partir de sua vida pessoal. Duas lições são extraídas desta experiência:

1) Às vezes, o sofrimento torna-se um caminho para o crescimento (II Co 4.8-10; Cl 1.24);

2) Os servos do Senhor podem enfrentar tragédias pessoais, no entanto, jamais devem abandonar a fé em Deus (Rm 8.35-37).

II – CONTEXTO HISTÓRICO

1. Quando profetizou? Oseias profetizou nos dias de Uzias, Jotão, Acaz, Ezequias, reis de Judá, e nos dias de Jeroboão, rei de Israel (Os 1.1). Foi um período de instabilidade política e declínio moral que culminou com a destruição do Reino do Norte pela Assíria. Seu ministério foi longevo. Jeroboão II reinou no Norte de 793-753 a.C.; Ezequias reinou no Sul de 715-686 a.C. No mínimo podemos afirmar que ele profetizou entre 753 a.C. a 715 a.C. Os judeus calculavam que ele tinha profetizado por aproximadamente 90 anos, tendo como base o meado dos reinados de Jeroboão e Ezequias. Embora o tempo seja exagerado aos nossos olhos, sabemos com certeza que foram muitas décadas dedicadas ao profetismo.

Ele foi contemporâneo de Amós, Isaías e Miqueias e viveu no tempo áureo da profecia, tanto em Israel como em Judá. Oseias foi testemunha da destruição do Reino do Norte em 722 a.C., e com muita tristeza, presenciou o cumprimento de suas profecias.

2. Prosperidade e paganismo. Naquela época, Israel desfrutava de um surto de prosperidade, como resultado de uma grande expansão de terras (II Rs 14.25-28).  A Síria estava debilitada. As rotas das caravanas que antes eram dominadas por Damasco estavam sob o controle de Israel. O comércio crescia e os cidadãos de Israel viviam no luxo e na prosperidade. C. S. Lewis já dizia que a prosperidade é o clima propício para as campanhas do Diabo. A prosperidade deixou as pessoas gananciosas e insensíveis às realidades espirituais. A adoração idólatra dos cananeus tinha se espalhado por todas as terras de Israel (I Rs 12.26-33).

Os cultos e os sacrifícios continuavam, mas não eram oferecidos ao Senhor. Se havia uma colheita boa, os israelitas chegavam ao cúmulo de atribuir essa dádiva a Baal (Os 2.8-13; 7.14-16). Os israelitas foram seduzidos pela idolatria e abandonaram o Deus de Israel (Os 4.6,16; 9.9,17). Vários bezerros de ouro foram levantados e cidades do Norte como Dã e Betel, tornaram-se grandes centros idólatras (Os 4.12,13).

Para os homens, a prosperidade normalmente é vista com bons olhos, no entanto, devemos estar sempre atentos, pois enquanto a provação nos conduz a oração como um vento impulsiona um veleiro, o conforto pode nos seduzir para uma vida de acomodação espiritual.

3. Líderes religiosos corrompidos. Na época de Oseias, os sacerdotes tinham perdido a paixão pela piedade (Os 4.6-8). Eles abandonaram seus postos sagrados e se uniram aos salteadores nas estradas (Os 6.9). Os homens que deveriam ser exemplos espirituais tornaram-se decadentes e corruptos. Enquanto os sacerdotes prevaricavam, Deus levantou um simples padeiro para ser um profeta. Oseias chegou a descrever que a vida espiritual da nação tinha decaído de uma forma assustadora (Os 4.2,10). O pior era que eles não percebiam, assim como alguém que não percebe que seus cabelos tornaram-se grisalhos (Os 7.9).

O povo havia abandonado a Deus prostituindo-se espiritualmente diante dos deuses pagãos e na hora da dificuldade, buscava o socorro em amigos errados e alianças pagãs (Os 5.13; 7.11; 12.1). Oseias colocou-se na posição de Deus e por isso foi usado pelo Senhor em um momento nevrálgico da história de Israel. Estamos nós preparados para seguir os passos de Oseias agindo como jovens íntegros em nossa geração? Se nossas referências estão se apostatando, sejamos nós as referências.

III – O CASAMENTO COMO REFLEXO DA COMUNHÃO COM DEUS

1. A metáfora do casamento. Oseias por meio de sua própria experiência exortou Israel sobre o perigo da infidelidade (traição) a Deus (Jr 3.1,2; Tg 4.4). A metáfora do casamento foi utilizada para demonstrar o fascinante amor de Deus, mesmo em um contexto de decadência moral (Os 2.14-16; 6.1-4; 11.1-4).

Oseias também usou a figura do divórcio para mostrar a tristeza do Senhor em executar o juízo (Os 2.2-7). O pecado estava generalizado em Israel (Os 4.1,2). As jovens se prostituíam e as mulheres casadas adulteravam (Os 4.13). Os homens não poderiam reivindicar juízo sobre elas porque também se desviavam com as meretrizes (Os 4.14). O culto ao Senhor tinha sido descaracterizado. “Betel” (Casa de Deus) foi ironicamente apelidada por Oseias de “Bete-Áven” (casa dos ídolos), pois o lugar que antes era conhecido como um centro de adoração tornou-se um local marcado pela idolatria (Os 4.15).

O Senhor estava cansado de uma adoração superficial e falsa (Os 6.6). O juízo se aproximava (Os 8.1). A nação que antes era esposa foi comparada a figura de uma meretriz (Os 9.1). O juízo de Deus seria iminente (Os 10.10,13-15).

2. Uma mensagem ilustrada. Da relação de Oseias com Gomer nasceram três filhos: dois meninos e uma menina. Não foi somente o matrimônio de Oseias que ilustrou sua mensagem, mas também seus filhos, pois todos receberam nomes proféticos. Seu primeiro filho chamou Jezreel, que significa: “Deus semeia ou espalha”, anunciando que em breve Deus provocaria uma grande dispersão em Israel (Os 1.4,5). Seu segundo filho, uma menina, recebeu o nome de Lo-Ruama, que significa “desfavorecida”. Deus não teria mais compaixão do seu povo (Os 1.6), pois Deus não tolera para sempre um povo que odeia ser corrigido.

Seu terceiro filho recebeu o nome de Lo-Ami, que significa “não meu povo” (Os 1.9). “Lo-Ami” fazia referência ao afastamento temporário de Deus sobre Israel, que de acordo com a linguagem do casamento foi tipificado pelo divórcio. Deus nunca deixa alguém que antes não o tenha deixado primeiro (Os 9.15). Essa rejeição não seria permanente, mas resultaria no exílio e na destruição do Reino do Norte como entidade política, entretanto, esse período terminaria diante da conversão de Israel e de sua reunião com Judá (Os 3.4,5).

3. A promessa de restauração. Assim como Oseias resgatou Gomer do mercado da escravidão/prostituição (Os 3.1-3) Deus resgataria o seu povo (Os 3.4,5). O amor de Deus é a tese central do livro de Oseias. Deus decidiu amar Israel, e para restaurá-los, imporia sobre eles algumas restrições (Os 3.4,5). A disciplina é resultado de um julgamento fundamentado no amor. No deserto, Deus falou ao coração do seu povo. A expressão “e lhe falarei ao coração” (Os 2.14) reflete um diálogo íntimo e romântico, tal como um esposo se dirige a sua mulher.  Há poucas passagens nas Escrituras que se aproximam das expressões emocionais do amor de Deus por Israel tal como vemos em Oseias (Os 11.1-11).

O Senhor tentou atraí-los com “cordas de amor” (Os 11.4). Apesar da ira justificada, Deus sentia compaixão de Israel (Os 11.8-11). O profeta anunciou que o Senhor dos Exércitos livrá-los-ia da perversidade e de modo voluntário os amaria (Os 14.4). Deus faria mais do que perdoar o seu povo, iria transformá-lo (Os 14.8). O amor seria o instrumento empregado nesta restauração. Não podemos esquecer que também somos atraídos à salvação pelo “escandaloso’ amor de Deus (Rm 5.6-8). Como Israel, às vezes Deus permite que experimentemos “alguns desertos” para que possamos nos despertar espiritualmente.

CONCLUSÃO

Oseias tem muito a nos ensinar, sobretudo, com a sua vida. Sua pregação apresenta um Deus que ama incondicionalmente. Deus abençoou Israel com liberdade e terra, transformando escravos em uma grande nação. Porém, Israel mostrou-se infiel. Oseias denunciou com veemência a infidelidade de Israel um pouco antes de sua destruição pela Assíria em 722 a.C. Ele nos ensinou que a relação de Deus com seu povo é fundamentada no amor e na fidelidade, ou à semelhança de um casamento.

Postado por: Pr. Ademilson Braga

Fonte: Editora CPAD

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