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O Primeiro Sinal – Água em Vinho

Publicado

em

 EBD – Jovens – EDIÇÃO: 54 – 1º Trimestre – Ano: 2022 – Editora: CPAD

LIÇÃO – 03 – 16 de janeiro de 2022

TEXTO PRINCIPAL

“Jesus principiou assim os seus sinais em Caná da Galiléia e manifestou a sua glória, e os seus discípulos creram nele.” (Jo 2.11)

AGENDA DE LEITURA

Segunda-feira – Jo 2.2
Jesus não teve uma vida reclusa
Terça-feira – Jo 2.3
Maria esperava uma intervenção de Jesus
Quarta-feira – Jo 2.4
Jesus tem a hora certa de agir
Quinta-feira – Jo 4.14
Jesus, a água da vida
Sexta-feira – Jo 7.37
Jesus sacia a nossa sede
Sábado –Ap 22.17
“Quem tem sede venha”

RESUMO DA LIÇÃO

Os sinais que Jesus realizou visavam fazer com que o reconhecessem como o Redentor anunciado pelos profetas, sendo a manifestação plena do Deus Filho encarnado.

TEXTO BÍBLICO

João 2.1-12

1 E, ao terceiro dia, fizeram-se umas bodas em Caná da Galiléia; e estava ali a mãe de Jesus.
2 E foram também convidados Jesus e os seus discípulos para as bodas.
3 E, faltando o vinho, a mãe de Jesus lhe disse: Não têm vinho.
4 Disse-lhe Jesus: Mulher, que tenho eu contigo? Ainda não é chegada a minha hora.
5 Sua mãe disse aos empregados: Fazei tudo quanto ele vos disser.
6 E estavam ali postas seis talhas de pedra, para as purificações dos judeus, e em cada uma cabiam duas ou três metretas.
7 Disse-lhes Jesus: Enchei de água essas talhas. E encheram-nas até em cima.
8 E disse-lhes: Tirai agora e levai ao mestre-sala. E levaram.
9 E logo que o mestre-sala provou a água feita vinho (não sabendo de onde viera, se bem que o sabiam os empregados que tinham tirado a água), chamou o mestre-sala ao esposo.
10 E disse-lhe: Todo homem põe primeiro o vinho bom e, quando já têm bebido bem, então, o inferior; mas tu guardaste até agora o bom vinho.
11 Jesus principiou assim os seus sinais em Caná da Galileia, e os seus discípulos creram nele.
12 Depois disso, desceu a Cafarnaum. ele, e sua mãe, e seus irmãos, e seus discípulos, e ficaram ali não muitos dias.

INTRODUÇÃO

Como vimos na primeira lição, o Evangelho de João nos apresenta sete sinais, sete sermões e sete declarações de Jesus acerca de sua divindade, todos com o mesmo propósito: revelar que aquele homem simples e humilde que “habitou entre nós” (Jo 1.14) era o Cristo, o Messias de Israel, sendo Ele o Filho de Deus, eterno e perfeito. João nos apresenta registros que demonstram que Jesus cuidou de não ser identificado como mais um dos mestres judaicos ou mesmo como um messias revolucionário, que traria libertação política para Israel. Os sinais que realizou visavam fazer com que o reconhecessem como o Redentor anunciado pelos profetas, sendo a manifestação plena do Deus Filho encarnado. O milagre operado nas bodas de Caná da Galileia é o primeiro desses sete sinais.

I – MAIS QUE UM MILAGRE

1- A completude das Escrituras. Sabemos que os 66 livros da Bíblia foram escritos por cerca de 40 homens, que viveram em épocas, lugares e culturas distintas. Embora as Escrituras tenham essas autorias humanas, têm também um Autor divino, o Espírito Santo (II Pe 1.21); daí elas serem as Palavras de Deus, perfeita, inerrante e infalível (Sl 19.7; Jo 10.35). É maravilhoso saber disso para que compreendamos que as Escrituras são completas, ou seja, nada lhes falta e nada lhes sobra (II Tm 3.16,17).

2- Um sinal específico. A inspiração plenária e verbal das Escrituras faz com que nenhuma parte do conteúdo escriturístico seja aleatória. Jesus operou inúmeros milagres. Muitos não foram registrados (Jo 21.25). Nenhum deles, contudo, deixou de ter um propósito específico, seja quanto à realização, seja quanto ao registro, No Evangelho de João isso se sobressai na forma distinta que o evangelista trata os milagres contidos em sua narrativa, em comparação com os demais evangelistas. Em sua obra, A Bíblia Explicada, S.E. McNair observa que há três palavras traduzidas por milagres no Novo Testamento. A primeira, ‘dunamis’, significa simplesmente manifestação de poder, obra poderosa; a segunda, ‘semeiori significa um sinal, e a terceira, ‘teros’ quer dizer maravilha”. João nunca empregou a palavra “dunamis”, e valeu-se da expressão “teros” somente uma vez (e não relacionada à descrição de um milagre – Jo 4.48). Isso confirma que os escritos de João tinham clara intenção doutrinária a respeito das heresias doutrinárias já reinantes em seu tempo e que tentavam prejudicar os fundamentos da Igreja nos séculos seguintes.

3- A divindade sendo revelada. A sensibilidade espiritual de João o levou a interpretar o milagre de Caná dentro de seu real propósito, daí a relevância do uso da palavra grega semeion, que o Dicionário Vine nos apresenta como “marca, prova, indicação, o que distingue uma pessoa”. Por isso se diz que o milagre realizado em Caná, assim como seu registro, teve como finalidade especial revelar a divindade de Jesus, distinguindo-o de todos os demais homens. Naquele momento, o Messias estava se revelando como Deus para seus discípulos, como um ato inicial, de uma série de outros sinais que realizaria. É por isso que João escreve que Jesus principiou assim os seus sinais em Caná da Galiléia e manifestou a sua glória, e os seus discípulos creram nele” (Jo 2.11). Ou seja, Jesus não estava apenas evitando um constrangimento ao esposo e aos organizadores da festa, Ele estava comunicando sua divindade.

II – A NARRATIVA E SEU CONTEXTO

1- Caná da Galileia. João é o único evangelista que registra eventos ocorridos no primeiro ano do ministério de Jesus. Dentre eles está o primeiro milagre, que é a transformação da água em vinho em Caná da Galiléia, assim identificada para distingui-la de outra Caná, localizada na Síria, ao nordeste de Israel. Terra de Natanael (Jo 21.2), Caná era uma pequena vila. Assim como a vizinha Nazaré, fazia parte da baixa Galileia, região do mar da Galileia, um lago de água doce alimentado pelo rio Jordão, que recebe o nome de mar por sua grande extensão, de aproximadamente 20 km.

2- Faltou vinho. Um incidente inesperado põe Jesus em cena. A falta de vinho levou sua mãe a procurá-lo, numa indicação de que esperava dEle uma solução para o problema. Há entendimentos diferentes acerca da motivação desse diálogo, mas a resposta de Jesus nos leva a entender que Maria realmente esperava uma ação miraculosa porque bem sabia quem era Jesus, a quem o anjo lhe anunciara como o Filho de Deus (Lc 1.30-35).

3- A expectativa de Maria. Há no coração de Maria, uma expectativa pela manifestação de Jesus ao mundo; tanto pelo anúncio de seu nascimento e propósito (Lc 2.8-19,25-38); quanto por declarações que Ele fazia a respeito de sua missão (Lc 2.49). É nesse contexto que Jesus respondeu: “Mulher, que tenho eu contigo? Ainda não é chegada a minha hora” (Jo 2.4). Para além de mãe e filho, havia entre eles um relacionamento espiritual, com Maria lhe reconhecendo como seu Senhor (Lc 1.38,46-55), o que se confirma também na orientação dada aos empregados: “Fazei tudo quanto ele vos disser” (Jo 2.5). Como vemos, não há aqui intercessão alguma. Pelo contrário! O contato entre os empregados e Jesus foi direto e não indireto (Jó 2.7,8).

III – O BOM VINHO

1- Uma mensagem a Israel. Por algumas vezes Israel é comparado a uma vinha (Sl 80.8,14; Is 5.1-7; Jr 2.21). Amorosamente plantada e protegida por Deus, havia chegado o tempo que essa vinha seria arrancada, e não mais cercada ou cuidada, pois só produziu uvas bravas (Is 5.2). Os judeus rejeitaram todas as oportunidades que receberam durante o Antigo Pacto. Como nação escolhida, foi quebrada por sua incredulidade (Rm 11.20). Não havia mais o vinho da alegria. A religiosidade judaica se mostrará totalmente inútil. Como as talhas vazias que estavam postas em Caná, a estrutura da religião já não tinha, em si mesma, valor algum diante de Deus. O templo havia se transformado em um “covil de ladrões” (Mt 21.13). Apesar desse quadro caótico, Jesus se manifestou intensamente aos judeus, mas eles não o reconheceram como o Messias prometido (Jo 1.12). O encher as talhas e transformar água em vinho representava a chegada de um tempo de verdadeira alegria, disponível não somente para Israel, mas para todos os povos, em um Novo Concerto (Lc 2.10; Jo 1.12; Rm 1.16).

2- Quando o vinho acaba. Além do propósito de revelar a divindade de Cristo e ser uma mensagem para Israel, esse texto sagrado tem, também para nós, uma mensagem eloquente. Através dele podemos refletir sobre o sério perigo que corremos de nos envolver em práticas litúrgicas frias, enquanto ficamos embebidos por “vinhos” desse mundo, ou seja, fontes de alegrias mundanas, aprazíveis aos nossos próprios desejos. Em situações assim, Jesus está no recinto, mas a alegria que nutrimos não vem dEle. Resta somente uma saída: esse “vinho” mundano precisa acabar. O momento da crise é propício para reflexão. É quando se percebe que as alegrias que vêm dos prazeres dessa vida – sejam eles lícitos ou não – não nos satisfazem e são passageiros. Em momentos assim, o que precisamos fazer? Voltar-nos para Jesus com profunda contrição, ouvi-lo e fazer sua vontade. Ele nos enche da água da Palavra e do Espírito, que produzem em nós profunda alegria e paz (Jo 4.14). Podemos ter boas oportunidades nesse mundo e alcançar importantes conquistas, nas mais diversas áreas da vida, mas o bom vinho só Ele tem.

3- “Enchei-vos do Espírito”. Ao falarmos sobre vinho é importante ter firmes as recomendações bíblicas quanto aos perigos das bebidas embriagantes. São muitas as discussões acerca do tipo de vinho referido no Novo Testamento (se fermentado ou não), inclusive no texto ora analisado. Por vezes, esse debate é fomentado numa tentativa de se justificar o consumo de bebidas alcoólicas. As Escrituras nos advertem, contudo, dos males que o vinho causa e desaconselham seu uso. Salomão escreveu: “O vinho é escarnecedor, e a bebida forte, alvoroçadora; e a todo aquele que neles errar nunca será sábio” (Pv 20.1); “Não olhes para o vinho, quando se mostra vermelho, quando resplandece no copo e se escoa suavemente. No seu fim, morderá como a cobra e, como o basilisco, picará” (Pv 23.31,32). Sigamos, pois, o conselho de Paulo: “Não vos embriagueis com vinho, em que há contenda, mas enchei-vos do Espírito” (Ef 5.18).

CONCLUSÃO

Estudamos a respeito do primeiro milagre realizado por Jesus, como sinal de sua divindade, Os discípulos, que já haviam declarado ter achado ‘‘o Messias (que, traduzido, é o Cristo)” (Jo 1.41), agora tinham a oportunidade de vê-lo manifestando sua glória, como o Unigênito do Pai (Jo 1,14; 2.11). Conservemos firme nossa fé e esperança nesse Salvador eterno, verdadeiro homem e verdadeiro Deus.

 

Postado por: Pr. Ademilson Braga

Fonte: Editora CPAD

 

 

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