E.B.D
O ministério de Jeremias depois da queda de Jerusalém
EBD – Jovens – EDIÇÃO: 259 – 4º Trimestre – Ano: 2025 – Editora: CPAD
LIÇÃO – 12 – 21 de dezembro de 2025
TEXTO PRINCIPAL
“E disse-me o SENHOR: Viste bem; porque eu velo sobre a minha palavra para a cumprir.” (Jr 1.12).
LEITURA SEMANAL
Segunda-feira – Jr 40.1-16
A libertação definitiva de Jeremias
Terça-feira – Jr 42.1-22
Deus ordena que o povo não saia de Jerusalém
Quarta-feira – Dn 2.21-27
Deus conhece os tempos e as estações
Quinta-feira – I Co 10.14-21
Deus condena a idolatria
Sexta-feira – I Co 4.1-5
Seja fiel a Deus em todo o seu ministério
Sábado – Mt 24.35
A Palavra do Senhor é eterna
TEXTO BÍBLICO
Jeremias 43
1 — E sucedeu que, acabando Jeremias de anunciar a todo o povo todas as palavras do SENHOR, Deus deles, com as quais o Senhor, Deus deles, o havia enviado, e que foram todas aquelas palavras,
2 — então, falou Azarias, filho de Hosaías, e Joanã, filho de Careá, e todos os homens soberbos, dizendo a Jeremias: Tu dizes mentiras, o SENHOR, nosso Deus, não te enviou a dizer: Não entreis no Egito, para lá peregrinardes.
3 — Baruque, filho de Nerias, é que te incita contra nós, para nos entregar nas mãos dos caldeus, para eles nos matarem ou para nos transportarem para a Babilônia.
4 — Não obedeceu, pois, Joanã, filho de Careá, nem nenhum de todos os príncipes dos exércitos, nem o povo todo à voz do Senhor, para ficarem na terra de Judá.
INTRODUÇÃO
Jeremias sofreu em sua trajetória, mas permaneceu fiel em sua missão, servindo de modelo. A lição deste domingo mostra a libertação definitiva do profeta, o triste estado de alguns judeus que, mesmo depois da destruição de Jerusalém, desonraram a Deus. Veremos também a fidelidade e a perseverança de Jeremias em seu ministério.
I- A LIBERTAÇÃO DE JEREMIAS
- Compreendendo o texto. Os primeiros seis versículos de Jeremias, no capítulo 40, concluem a seção que informa a respeito da libertação do profeta e mostra a desobediência de uma parte do povo que decidiu ir para o Egito (Jr 39.11-18). A sequência do ministério de Jeremias e a dureza do coração de parte do povo de Judá, são bem compreendidas à luz da libertação do profeta.
Nebuzaradã era o capitão da guarda do exército de Babilônia. Ele chegou a Jerusalém um mês após a sua queda para concluir sua destruição e liderar a condução dos prisioneiros ao cativeiro. Outro nome que aparece é o de Gedalias, escolhido para governar Judá como representante de Nabucodonosor (Jr 39.14). O seu avô, Safã, foi secretário de Josias e atuou diretamente na leitura do livro, por ocasião do reavivamento de seus dias (II Rs 22.3-13), já seu pai, Aicão, foi amigo de Jeremias (II Rs 22.12,14; Jr 26.24). - A libertação definitiva de Jeremias. Por ordem de Nabucodonosor, Jeremias deveria ser liberto e receber bom tratamento dos babilônios. Entretanto, por razões desconhecidas, ele é visto “atado com cadeias no meio de todos os do cativeiro de Jerusalém” com os demais em Ramá, pronto para ser levado para a Babilônia (39.11-14; 40.1).
Nebuzaradã foi o responsável pela libertação de Jeremias e, por duas vezes, libertou o profeta (39.11-14; 40.4). A segunda libertação do profeta foi definitiva e Nebuzaradã reconheceu o cumprimento da mensagem de Jeremias acerca de Judá, e a soberania de Deus e rememorou o teor da profecia (40.2,3). Liberto, Jeremias pôde escolher entre ficar com o povo em Judá ou ir para a Babilônia e juntar-se aos que lá estavam (40.4).
A libertação definitiva de Jeremias confirma que o povo de Judá estava dividido entre os que tinham sido levados para a Babilônia, e os que tinham sido deixados em sua terra, impondo a necessidade de uma atenção especial. - O futuro do povo. Por cerca de quarenta e seis anos, Jeremias advertiu Judá, principalmente sobre a necessidade da obediência a Deus (7.23,24). O Senhor ordenou que o povo que estava em Jerusalém não se ausentasse da cidade, sob a promessa de abençoá-lo e sustentá-lo, em meio ao caos no qual se encontrava (42.8-22).
A invasão e destruição de Jerusalém que resultou no cativeiro babilônico dos judeus dividiu o povo entre os que foram levados para a Babilônia, e os que ficaram em Jerusalém. O futuro dependia, diretamente, da obediência à voz de Deus.
O livro de Jeremias retrata a desobediência dos que não foram levados para a Babilônia, do mal que fizeram a Gedalias e a insana decisão de ir para o Egito, atraindo o juízo divino sobre si. Este foi o futuro desse grupo, enquanto o povo do futuro, pelo qual a restauração viria e o plano de Deus continuaria, foi formado por aqueles que estavam no cativeiro na Babilônia (29.8-20).
II- UM REMANESCENTE JUDEU NO EGITO
- Egito, o refúgio de alguns judeus. O Egito aparece em diferentes momentos da história de Israel (Êx 1—22; Jr 43—44; Mt 2.13-23). Nos dias de Jeremias, mais especificamente após a invasão e destruição de Jerusalém, o Egito serviu de refúgio para um grupo de judeus que, em desobediência à voz de Deus, decidiram ali viver (43.4-7). Uma parte dos judeus que ficaram em Jerusalém se instalou em Migdol, que ficava a leste de Tafnes (Ez 29.10; 30.6), outra parte deles escolheu Nofe e a região de Patros (Jr 44.1). Ao que tudo indica, Patros sediou um encontro de “todo o povo que habitava no Egito” (v.15), ao que a ira de Deus se acendeu e o seu juízo foi proclamado (vv.26-30).
- O argumento dos judeus. Nesse tempo, a idolatria passou a ser parte da constituição familiar destes judeus no Egito. As mulheres, com a anuência dos maridos, ofereciam adoração à chamada “Rainha dos Céus” (Jr 24.25). A ira de Deus se acendeu e a punição foi anunciada, ao que estes judeus se defenderam sob o argumento de que, embora estivessem contrariando ao Senhor, todavia, não lhes faltava pão, alegria e tempos bons (v.17).
- O juízo divino. A desobediência (Jr 43.1-7) e a idolatria deliberada (44.3,15-18) foram os principais pecados destes judeus que foram para o Egito, razão pela qual Deus falou sobre o seu juízo (vv.20-30). Estes judeus se lembraram dos dias de Manassés e transferiram os méritos da prosperidade desses dias a “Rainha dos Céus”. Jeremias 7.18 faz referência a esta divindade que no Oriente Médio se aplica a várias deusas, e aqui diz respeito à deusa da fertilidade Astarte ou Ishtar e que nada de mal tinha lhes acontecido (44.17).
Em meio ao anúncio de seu juízo, Deus não deixou de demonstrar a sua bondade e o seu compromisso com o seu povo, na promessa de que preservaria alguns que conseguiriam escapar (v.14). Eis aí uma fagulha da misericórdia de Deus em meio à escuridão, pois ela continua, mesmo quando tudo parece acabado (Lm 3.22,23).
III. O MINISTÉRIO CONTINUA
- A história continua. O remanescente de Judá desobedeceu a ordem divina e, ao invés de ficar em Jerusalém, optou pelo Egito (42.19-22). O tempo passou, as experiências foram muitas e profundamente duras para Judá, contudo, não foram capazes o suficiente para quebrantar o coração desse povo, que optou por continuar no caminho da desobediência. Além da desobediência, esses judeus praticaram a idolatria em níveis inimagináveis, o que mostra a sua obstinação e dureza de coração (44.1-10). Deus continuou falando, o profeta seguiu profetizando, e boa parte do povo seguia no mesmo caminho. Definitivamente, a história continua, e com ela devemos aprender a reconhecer os próprios erros, nos humilhar e clamar a misericórdia divina.
- O ministério continua. A última mensagem de Jeremias foi em 585 a.C., evidenciando a sua perseverança e o seu compromisso ministerial, mesmo diante da rejeição de seus ouvintes e da terra estranha em que estavam (43.2; 44.1). O conteúdo desta mensagem confirma a fidelidade ministerial de Jeremias, contrastando a longanimidade divina com a dureza de coração do povo, e alertando sobre as consequências da idolatria (44.2,6). Há também um forte contraste entre a perseverança do profeta com a fragilidade da fé, e do compromisso do povo.
CONCLUSÃO
O ministério de Jeremias não se limitou apenas em anunciar as tragédias que estavam por ocorrer pela indiferença do povo com Deus, mas consistiu também na convocação ao arrependimento e à obediência com vistas à restauração. Jeremias foi profeta até o final de seus dias e, mesmo depois da destruição de Jerusalém, ele seguiu em sua missão profética.
Postado por: Pr. Ademilson Braga
Fonte: Editora CPAD
